Storytelling com Dados

Cole Nussbaumer Knaflic · Capítulo 58 de 125

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Storytelling com Dados

Cor

E interessante pensar que conversas completamente diferentes ocorreram e decisões foram tomadas como resultado dessa mudança no design.

Essa foi uma lição importante para mim (e vamos destacá-la na próxima seção, sobre cores): não permita que suas escolhas de design sejam casuais; em vez disso, elas devem ser o resultado de decisões explı́citas.

Cor

Quando usada moderadamente, a cor é uma das ferramentas mais poderosas para chamar a atenção de seu público. Resista ao impulso de usar cor apenas para colorir; em vez disso, use cor seletivamente, como uma ferramenta estratégica para destacar as partes importantes de sua apresentação. O uso de cores sempre deve ser uma decisão intencional. Nunca deixe que sua ferramenta tome essa importante decisão para você!

Normalmente, eu projeto meus visuais em tons cinzas e escolho uma única cor forte para chamar a atenção para onde desejo. Minha cor básica é cinza, não preto, para permitir um maior contraste, pois as cores se destacam mais contra cinza do que contra preto. Para chamar a atenção, frequentemente uso azul, por vários motivos: (1) eu gosto, (2) evito problemas de daltonismo, que vamos discutir em breve, e (3) imprime bem em preto e branco. Dito isso, azul certamente não é sua única opção.

Quando se trata do uso de cor, existem várias lições a aprender: utilize moderadamente, use uniformemente, projete tendo em vista o daltonismo, leve em consideração o tom que a cor transmite e considere se usará cores de marca. Vamos discutir tudo isso em detalhes (e você vai ver muitos exemplos onde desvio de meu azul tı́pico, por diversos motivos).

Use cor moderadamente

E fácil identi icar um falcão em um céu cheio de pombos, mas à medida que a variedade de pássaros aumenta, torna-se cada vez mais difı́cil localizar o falcão. Lembra-se do provérbio de Colin Ware que discutimos no último capı́tulo sobre saturação? O mesmo princı́pio se aplica aqui. Para que a cor seja e iciente, ela deve ser usada com moderação. Variedade demais impede que algo se destaque. Há necessidade de contraste su iciente para fazer algo chamar a atenção de seu público.

Quando usamos cores demais juntas, além de entrarmos na terra do arco-ı́ris, perdemos seu valor pré-atentivo. Por exemplo, uma vez encontrei uma tabela que mostrava a classi icação no mercado de alguns remédios em vários paı́ses diferentes, semelhante ao lado esquerdo da Figura 4.15. Cada classi icação (1, 2, 3 e assim por diante) recebia sua própria cor ao longo do espectro do arco-ı́ris: 1 = vermelho, 2 = laranja, 3 = amarelo, 4 = verde claro, 5 = verde, 6 = verde-azulado, 7 = azul, 8 = azul escuro, 9 = violeta claro, 10+ = violeta.

As células dentro da tabela eram preenchidas com a cor que correspondia à classi icação numérica. Rainbow Brite adoraria essa tabela (para quem não conhece, uma rápida pesquisa de imagens no Google sobre Rainbow Brite esclarecerá essa declaração), mas eu não gostei. O poder dos atributos pré-atentivos foi perdido: tudo era diferente, o que signi icava que nada se destacava. Estávamos de volta ao exemplo da contagem de números 3 — só que pior, porque a variação de cores na verdade mais atrapalhava do que ajudava. Uma alternativa melhor seria usar saturação variada de uma única cor (um mapa de calor).

 

FIGURA 4.15 USE AS CORES MODERADAMENTE

Vamos considerar a Figura 4.15. Imagine que no quadro da esquerda existem diferentes cores, uma para cada número. Para onde vão seus olhos na versão da esquerda? Os meus vagueiam bastante, tentando descobrir em que devo prestar atenção. Meus olhos hesitam no violeta escuro, depois vermelho e, então, azul escuro, provavelmente porque essas cores têm maior saturação do que as outras. No entanto, quando consideramos o que essas cores representam, não é necessariamente onde queremos que nosso público olhe.