Storytelling com Dados
Criar uma hierarquia visual de informações clara
O itálico no subtı́tulo foi alterado para fonte normal. Não havia motivo para chamar a atenção para essas palavras. No original, achei que a separação espacial entre o tı́tulo e o subtı́tulo também davam atenção indevida ao subtı́tulo; portanto, removi o espaçamento na remodelação.
Por im, o realce da categoria “Bacharelado ou mais”, introduzido na Figura 5.3, foi preservado e ampliado para incluir o nome da categoria, além das legendas de dados. Como já vimos, esse é um modo de vincular componentes visualmente para nosso público, facilitando a interpretação.
A Figura 5.5 mostra o “antes e depois”.
FIGURA 5.5 ANTES E DEPOIS
Realçando o material importante e eliminando as distrações, melhoramos sensivelmente esse visual.
Criar uma hierarquia visual de informações
clara
Como discutimos no Capı́tulo 4, os mesmos atributos pré-atentivos que usamos para realçar o que é importante podem ser usados para criar uma hierarquia de informações. Podemos colocar visualmente alguns itens em primeiro plano e outros em segundo plano, indicando para nosso público a ordem geral com que deve processar a informação que estamos comunicando.
O poder das supercategorias
Em tabelas e grá icos, às vezes é útil usar o poder das supercategorias para organizar os dados e ajudar a fornecer a seu público uma construção para interpretá-los. Por exemplo, se você está examinando uma tabela ou grá ico que mostra um valor para 20 diferentes decomposições demográ icas, pode ser útil organizá-las e legendá-las claramente em grupos ou supercategorias, como idade, raça, renda e instrução. Essas supercategorias fornecem uma organização hierárquica que simpli ica o processo de assimilação da informação.
Vamos ver um exemplo onde foi estabelecida uma clara hierarquia visual e discutir as escolhas de design feitas para criá-la. Imagine que você é fabricante de carros. Duas dimensões importantes pelas quais você julga o sucesso de uma marca e modelo em particular são (1) satisfação do cliente e (2) frequência de problemas no carro. Um grá ico de dispersão poderia ser útil para visualizar como os modelos deste ano se comparam com a média do ano passado, de acordo com essas duas dimensões, como mostrado na Figura 5.6.
FIGURA 5.6 HIERARQUIA VISUAL DE INFORMAÇÕES CLARA
A Figura 5.6 nos permite ver rapidamente como os vários modelos deste ano se comparam com a média do ano passado, com base na satisfação e nos problemas. O tamanho e a cor da fonte e dos pontos de dados nos alertam onde prestar atenção e em que ordem geral. Vamos considerar a hierarquia visual de componentes e como ela nos ajuda a processar as informações apresentadas. Se eu anunciar a ordem na qual assimilo as informações, será da seguinte forma:
Primeiro, leio o tı́tulo do grá ico: “Problemas versus Satisfação por Modelo”. O negrito de Problemas e Satisfação sinaliza que essas palavras são importantes, de modo que tenho esse contexto em mente ao processar o restante do visual.
Em seguida, vejo a legenda principal do eixo y: “Coisas Que Deram Errado”. Observo que elas vão de uma escala de poucas (em cima) até muitas (embaixo). Depois disso, noto os detalhes no eixo x horizontal: Satisfação, variando de baixa (à esquerda) até alta (à direita).
Então, sou atraı́da pelo ponto cinza escuro e pelas palavras “Média do Ano Passado” correspondentes. As linhas traçadas desse ponto até os eixos me permitem ver rapidamente que a média do ano passado foi em torno de 900 problemas por 1.000 e 72% de satisfeitos ou altamente satisfeitos. Isso fornece uma construção útil para interpretar os modelos deste ano.
Por im, sou atraı́da por todo o vermelho no quadrante inferior direito. As palavras me informam que a satisfação é alta, mas que existem muitos problemas. Graças ao modo como o visual foi construı́do, está claro que são casos nos quais o nı́vel de problemas é maior que a média do ano passado.
A cor vermelho reforça que isso é um problema.
Já discutimos as supercategorias para facilitar a interpretação. Aqui, as legendas de quadrante “Alta Satisfação, Poucos Problemas” e “Alta Satisfação, Muitos Problemas” funciona dessa maneira. Na ausência dela, eu poderia perder tempo processando os tı́tulos e legendas de eixo e, inalmente, descobrir o que esses quadrantes representam, mas o processo é muito mais fácil quando os tı́tulos incisivos estão presentes, eliminando completamente a necessidade desse processamento. Note que os quadrantes da esquerda não estão legendados; as legendas são desnecessárias porque nenhum valor cai ali.
Os pontos de dados e detalhes adicionais estão lá para contextualizar, mas foram colocados em segundo plano para reduzir o peso cognitivo e simpli icar o visual.
Ao compartilhar esse visual com meu marido, sua reação foi “não foi nessa ordem que prestei atenção — fui direto para o vermelho”. Isso me fez pensar.
Primeiro, me surpreendi por ele te começado ali, pois é daltônico. Mas ele disse que o vermelho era diferente o su iciente de tudo mais no visual para ter chamado sua atenção. Segundo, já examinei tantos grá icos que está arraigado em mim começar com os detalhes: os tı́tulos e as legendas de eixo, para entender o que estou olhando antes de chegar aos dados. Outras pessoas podem olhar mais rapidamente para o “e daı́”. Se encararmos desse jeito, seremos atraı́dos primeiro para o quadrante inferior direito, pois o vermelho sinaliza importância e que se deve prestar atenção. Depois, talvez voltemos e leiamos alguns dos outros detalhes do grá ico.
Qualquer que seja o caso, a clara e cuidadosa hierarquia visual estabelece ordem para o público a im de processar a informação em um visual complexo, sem achá-lo complicado. Para nosso público, por realçarmos o que é importante, eliminarmos as distrações e estabelecermos uma hierarquia visual, as visualizações de dados que criamos permitem o entendimento.