Storytelling com Dados

Cole Nussbaumer Knaflic · Capítulo 83 de 125

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Storytelling com Dados

Storytelling e o cinema

p p q p g principal não possui habilidades para lidar com o problema que enfrenta e, como resultado, acaba encontrando situações cada vez piores. Isso é conhecido como arco do personagem, em que o personagem principal passa por grandes mudanças na vida como resultado do que está acontecendo. Talvez tenha que aprender novas habilidades ou alcançar uma noção de consciência mais alta sobre quem é e do que é capaz para lidar com sua situação.

O terceiro ato resolve a história e suas subtramas. Inclui um clı́max, no qual as tensões da história atingem o ponto mais alto de intensidade. Por im, a questão dramática introduzida no primeiro ato é respondida, deixando o protagonista e outros personagens com uma nova compreensão de quem realmente são.

Há duas lições a serem aprendidas aqui. Primeiro, a estrutura de três atos pode servir como modelo para nós na comunicação em geral. Segundo, con lito e tensão são partes integrantes da história. Vamos voltar a essas ideias em breve e explorar algumas aplicações concretas. Enquanto isso, vamos ver o que podemos aprender de um contador de histórias especialista dos cinemas.

Storytelling e o cinema

Robert McKee é um premiado escritor, diretor e conceituado professor de roteiros (seus antigos alunos incluem 63 vencedores do Oscar e 164 do Emmy, e seu livro Story, Substância, Estrutura, Estilo e os Princı́pios da Escrita de Roteiro (ed. Arte e Letra), é leitura obrigatória em muitos cursos universitários de cinema e ilmes). Em uma entrevista para a Harvard Business Review, ele discute persuasão por meio de storytelling e examina como o storytelling pode ser aproveitado em um ambiente comercial. McKee diz que existem duas maneiras de persuadir as pessoas: A primeira é a retórica convencional. No mundo dos negócios, isso normalmente assume a forma de slides do PowerPoint cheios de fatos e estatı́sticas com marcadores. E um processo intelectual. Mas é problemático, porque, enquanto você está tentando persuadir seu público, ele está debatendo com você em suas mentes. McKee diz: “Se você teve êxito em persuadi-lo, só fez isso intelectualmente. Não é o su iciente, pois as pessoas não são inspiradas a agir apenas pela razão” (Fryer, 2003).

Pense em como Chapeuzinho Vermelho icaria se reduzı́ssemos a história à retórica convencional. Libby Spears faz uma divertida versão disso em seu conjunto de slides, Chapeuzinho Vermelho e o Dia em que o PowerPoint Chegou À Cidade (em inglês). Esta é minha versão dele — marcadores em um slide do PowerPoint poderiam ser como os seguintes:

Chapeuzinho Vermelho (CV) precisa caminhar 0,87 Km do Ponto A (casa) para o Ponto B (casa da vovozinha) CV encontra Lobo, que (1) corre na frente até a casa da vovozinha, (2) a come e (3) veste suas roupas CV chega à casa da vovozinha às 14H e faz três perguntas a ela Problema identi icado: após a terceira pergunta, Lobo come CV

Solução: vendedor (Lenhador) emprega ferramenta (machado) Resultado esperado: Vovozinha e CV vivas, o Lobo não Quando reduzida aos fatos, não é tão interessante, não é?

O segundo modo de persuadir, de acordo com McKee, é por meio de uma história. As histórias unem uma ideia a uma emoção, estimulando a atenção e a energia do público. Como exige criatividade, contar uma história convincente é mais difı́cil que a retórica convencional. Mas vale a pena se aprofundar em seus recessos criativos, pois a história permite que você envolva seu público em um nı́vel totalmente novo.

O que é história exatamente? Em um nı́vel fundamental, uma história expressa como e por que a vida muda. As histórias começam com equilı́brio.

Então algo acontece — um evento que tira as coisas do equilı́brio. McKee descreve isso como “a expectativa subjetiva encontra a dura realidade”. E essa mesma tensão que discutimos no contexto das peças teatrais. A luta, o con lito e o suspense resultantes são componentes fundamentais da história.

McKee diz que histórias podem ser reveladas fazendo-se algumas perguntas-chave: O que meu protagonista quer para restaurar o equilíbrio em sua vida? Qual é a necessidade básica? O que está impedindo meu protagonista de alcançar seu desejo? Como meu protagonista decidiria agir para alcançar seu desejo perante forças contrárias? Depois da criação da história, McKee sugere voltar e considerar: Eu acredito nisso ? Não é um exagero nem enrolação do con lito? É uma narrativa honesta, mesmo que tudo vire de pernas para o ar?

O que aprendemos de McKee? A metalição é que podemos usar histórias para envolver nosso público emocionalmente, de um modo que vá além do que os fatos conseguem. Mais especi icamente, podemos usar as perguntas que ele descreve para identi icar histórias que enquadrem nossas comunicações. Vamos considerar isso mais adiante. Primeiro, vamos ver o que podemos aprender sobre storytelling com um mestre contador de histórias no que diz respeito à palavra escrita.