Storytelling com Dados
Como
Tom
Outra consideração importante é o tom desejado para a comunicação a ser transmitida para seu público. Você está comemorando um êxito? Está tentando estimular uma tomada de ação? O assunto é leve ou sério? O tom desejado para sua comunicação terá implicações nas escolhas de design, as quais discutiremos em capı́tulos futuros. Por enquanto, pense a respeito e especi ique o tom geral que você deseja estabelecer ao tomar o caminho da visualização de dados.
Como
Por im — e somente após podermos articular claramente quem é nosso público e o que precisamos que eles saibam ou façam —, podemos considerar os dados e fazer a pergunta: Quais dados estão disponíveis e que ajudarão a apresentar minha ideia? Dados se tornam a evidência que corrobora a história que você vai construir e contar. Nos capı́tulos subsequentes, vamos discutir muito mais sobre como apresentar esses dados visualmente.
Ignorar os dados que não corroboram?
Você poderia supor que mostrar apenas os dados que respaldam sua ideia e ignorar o resto tornará sua tese mais forte. Não recomendo isso. Além de ser enganoso, por retratar uma história unilateral, isso é muito arriscado. Um público perspicaz encontrará furos em uma história que não se sustenta ou em dados que mostram um aspecto, mas ignoram o resto. A quantia correta de contexto e dados contra e a favor vai variar de acordo com a situação, com o grau de con iança que seu público tem com você e outros fatores.
Quem, o quê e como: ilustrado por um
exemplo
Considere um exemplo para ilustrar esses conceitos. Imagine que você é professor de ciências do quarto ano e acabou de encerrar um curso de verão experimental sobre ciências, destinado a apresentar esse assunto chato para as crianças. Você avaliou os alunos no inı́cio e no inal do programa para saber se e como as percepções sobre ciências deles mudaram. Você acha que os dados mostram uma história de grande sucesso e gostaria de continuar a oferecer o curso de verão sobre ciências.
Vamos começar identi icando nosso público. Existem vários públicos diferentes em potencial que poderiam estar interessados nessa informação: pais de alunos que participaram do curso, pais de possı́veis futuros participantes, os próprios futuros participantes em potencial, outros professores que possam estar interessados em fazer algo semelhante ou o comitê de orçamento que controla os recursos inanceiros necessários para continuar o programa. Você pode imaginar como a história que contaria a cada um desses públicos pode variar. A ênfase pode mudar. A chamada para ação seria diferente para os diferentes grupos. Os dados que você mostraria (ou a decisão de mostrar os dados) poderiam ser diferentes para os diversos públicos. Se criássemos uma única comunicação para tratar das necessidades de todos esses públicos com necessidades diferentes, você pode imaginar como é provável que ela não satisfaça exatamente a necessidade de determinado público. Isso ilustra a importância de identi icar um público especı́ ico e compor uma comunicação tendo esse público especı́ ico em mente.
Vamos supor que, neste caso, o público com o qual queremos nos comunicar seja o comitê de orçamento, que controla os recursos
inanceiros necessários para continuarmos o programa.
Agora que respondemos a pergunta do quem e o quê, se torna mais fácil de identi icar e articular. Se estamos tratando com o comitê de orçamento, um enfoque provável seria demonstrar o sucesso do programa e solicitar um volume de recursos inanceiros especı́ ico para continuar a oferecê-lo. Depois de identi icar quem é nosso público e o que precisamos dele, podemos pensar sobre os dados disponı́veis que atuarão como evidência da história que queremos contar. Podemos aproveitar os dados coletados por meio da avaliação feita no inı́cio e no im do programa para ilustrarmos o aumento das percepções positivas em relação à ciência, antes e depois do curso de verão.
Esta não será a última vez que vamos considerar esse exemplo. Vamos recapitular quem identi icamos como nosso público, o que precisamos que eles saibam e façam, e os dados que nos ajudarão a defender nossa tese:
Quem: O comitê de orçamento que pode aprovar os recursos inanceiros para a continuação do curso de verão.
O quê: O curso de verão sobre ciências foi um sucesso; favor aprovar o orçamento de R$ X para continuarmos.
Como: Ilustrar o sucesso com dados coletados por meio da avaliação realizada antes e depois do programa-piloto.