Storytelling com Dados

Cole Nussbaumer Knaflic · Capítulo 47 de 125

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Storytelling com Dados

Uso não estratégico de contraste

Esse é o mesmo efeito poderoso que o espaço em branco usado estrategicamente pode ter em nossas comunicações visuais. A falta dele — como a ausência de pausas em uma apresentação falada — é simplesmente desconfortável para nosso público. Desconforto do público em resposta ao design de nossas comunicações visuais é algo que devemos evitar. Espaço em branco pode ser usado estrategicamente para chamar a atenção para as partes da página que não são espaço em branco.

Quando se trata de preservar espaço em branco, aqui estão algumas diretrizes mı́nimas. As margens devem permanecer livres de texto e recursos visuais.

Resista ao impulso de alongar os elementos para ocupar o espaço disponı́vel; em vez disso, dimensione os recursos visuais adequadamente, de acordo com o conteúdo. Além dessas diretrizes, pense em como você pode usar espaço em branco estrategicamente para dar ênfase, conforme ilustrado na pausa radical anterior. Se houver algo realmente importante, pense na possibilidade de colocá-lo na página . Em alguns casos, poderia ser uma única frase ou mesmo um número. Vamos falar mais sobre o uso estratégico de espaço em branco e ver um exemplo quando discutirmos estética, no Capı́tulo 5.

Uso não estratégico de contraste

Um claro contraste pode ser um sinal para nosso público, ajudando-o a saber onde concentrar sua atenção. Vamos explorar essa ideia com mais detalhes em capı́tulos posteriores. A falta de claro contraste, por outro lado, pode ser uma forma de saturação. Ao discutir o valor fundamental do contraste, frequentemente empresto uma analogia de Colin Ware ( Information Visualization: Perception for Design, sem tradução no Brasil, 2004), que disse que é fácil reconhecer um falcão em um céu cheio de pombos, mas à medida que a variedade de pássaros aumenta, ica cada vez mais difı́cil distinguir o falcão. Isso destaca a importância do uso estratégico de contraste no design visual: quanto mais tornamos as coisas diferentes, menor o grau com que cada uma delas se destaca. Para explicar isso de outra forma, se há algo realmente importante para nosso público saber ou ver (o falcão), devemos tornar esse algo muito diferente do resto.

Vamos ver um exemplo para ilustrar melhor esse conceito.

Imagine que você trabalha no varejo e quer saber como seus clientes se sentem a respeito de várias dimensões das experiências de compra em sua loja, comparadas com seus concorrentes. Você fez uma pesquisa para coletar essa informação e agora está tentando entender o que ela diz. Você criou um ı́ndice de desempenho ponderado para resumir cada categoria de interesse (quanto maior o ı́ndice, melhor o desempenho e vice-versa). A Figura 3.15 mostra o ı́ndice de desempenho ponderado nas categorias de sua empresa e de cinco concorrentes.

Estude-o por uns instantes e tome nota de sua linha de raciocı́nio enquanto obtém as informações.

 

FIGURA 3.15 GRÁFICO ORIGINAL

Se você tivesse que descrever a Figura 3.15 em uma única palavra, qual seria ela? Talvez venham à mente palavras como cheio, confuso e cansativo, mesmo se considerarmos a utilização de diversas cores na identi icação dos concorrentes. Há muitas informações nesse grá ico. São tantas coisas concorrendo pela nossa atenção que é difı́cil saber para onde olhar.

Vamos examinar exatamente o que estamos olhando. Como mencionei, os dados representados no grá ico são um ı́ndice de desempenho ponderado.

Você não precisa se preocupar com os detalhes de como isso é calculado, mas sim entender que se trata de uma métrica de resumo de desempenho que gostarı́amos de comparar entre várias categorias (mostradas no eixo x horizontal: Variedade, Conveniência, Serviço, Relacionamento e Preço) de “Nossa Empresa” (representada pelo losango azul), comparada com vários concorrentes (as outras formas coloridas). Um ı́ndice mais alto representa desempenho melhor e um ı́ndice mais baixo signi ica desempenho inferior.

Entender essas informações é um processo lento, com muito ir e vir entre a legenda na parte inferior e os dados do grá ico, para decifrar o que está sendo transmitido. Mesmo sendo muito pacientes e querendo entender as informações desse visual, isso é quase impossı́vel, pois “Nossa Empresa” (o losango azul) às vezes é ocultada pelos outros pontos de dados, de modo que não podemos nem mesmo ver qual é a comparação mais importante!

Isso acontece quando a falta de contraste (e outros problemas de design) di iculta muito além do necessário a interpretação das informações.

Veja a Figura 3.16, onde usamos contraste mais estrategicamente.

 

FIGURA 3.16 GRÁFICO REMODELADO, USANDO CONTRASTE

ESTRATEGICAMENTE

No grá ico revisado, iz várias mudanças. Primeiro, escolhi um grá ico de barras horizontais para representar as informações. Ao fazer isso, mudei todos os números para uma escala positiva — no grá ico de dispersão original havia alguns valores negativos que aumentavam o desa io à visualização. Essa alteração funciona aqui porque estamos interessados mais nas diferenças relativas do que nos valores absolutos. Nessa remodelação, as categorias que antes estavam no eixo x horizontal agora estão no eixo y vertical. Dentro de cada categoria, o comprimento da barra mostra a métrica de resumo de “Nossa empresa” (em azul) e dos vários concorrentes (em cinza), com as barras mais longas representando o desempenho melhor. A decisão de não mostrar a escala do eixo x neste caso foi deliberada, o que obriga o público a enfocar as diferenças relativas, em vez de entender as minúcias dos números especı́ icos.