Storytelling com Dados

Cole Nussbaumer Knaflic · Capítulo 35 de 125

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Storytelling com Dados

A ser evitado

Discutimos os visuais que mais uso para comunicar dados em um ambiente comercial. Existem ainda alguns tipos e elementos de grá ico especı́ icos que devem ser evitados: grá icos de pizza, grá icos de rosca, 3D e eixos y secundários. Vamos discuti-los.

Gráficos de pizza são ruins

Tenho desprezo bem documentado a grá icos de pizza. Resumindo, eles são ruins. Para entender como cheguei a essa conclusão, vamos ver um exemplo.

O grá ico de pizza da Figura 2.21 (baseado em um exemplo real) mostra a participação no mercado de quatro fornecedores: A, B, C e D. Se eu pedisse para você fazer uma observação simples — qual é o maior fornecedor, de acordo com este visual —, o que diria?

 

FIGURA 2.21 GRÁFICO DE PIZZA

A maioria das pessoas concordará que o “Fornecedor B,” representado em azul médio na parte inferior direita, parece ser o maior. Se você precisasse avaliar a proporção que o Fornecedor B ocupa no mercado global, que porcentagem poderia estimar?

35%?

40%?

A partir de meu questionamento anterior, talvez você possa dizer que está acontecendo algo suspeito aqui. Dê uma olhada no que acontece quando acrescentamos os números às fatias da pizza, como mostrado na Figura 2.22.

FIGURA 2.22 GRÁFICO DE PIZZA COM SEGMENTOS

LEGENDADOS

Na verdade, o “Fornecedor B” — que parece maior, com 31% — é menor que o “Fornecedor A” acima dele, que parece menor.

Vamos discutir dois problemas que apresentam um desa io para a interpretação correta desses dados. A primeira coisa que chama sua atenção (e causa suspeita, se você for um leitor de grá icos perspicaz) é a estranha perspectiva em 3D aplicada ao grá ico, inclinando a fatia e fazendo as partes superiores parecerem mais afastadas e, portanto, menores do que realmente são, enquanto as partes inferiores parecem mais perto e, assim, maiores do que são. Vamos falar mais sobre 3D em breve, mas por enquanto vou enunciar uma regra relevante sobre visualização de dados: não use 3D! Não serve para nada e pode prejudicar muito, como vemos aqui, pois distorce a percepção visual dos números.

Mesmo quando eliminamos o 3D e achatamos a pizza, os desa ios à interpretação permanecem. O olho humano não consegue atribuir corretamente valores quantitativos no espaço bidimensional. Dito mais simplesmente: é di ícil ler os grá icos de pizza. Quando os segmentos têm tamanhos parecidos, é difı́cil (se não impossı́vel) dizer qual é o maior.

Quando seus tamanhos não são parecidos, o melhor que você pode fazer é determinar que um é maior que outro, mas não pode avaliar o quanto. Para resolver isso, você pode adicionar legendas, como foi feito aqui. Mas eu ainda diria que o visual não vale o espaço que ocupa.

Em vez disso, o que você deve fazer? Um jeito é substituir o grá ico de pizza por um de barras horizontais, como ilustrado na Figura 2.23, organizado do maior para o menor ou vice-versa (a não ser que haja alguma ordem natural nas categorias que faça sentido aproveitar, como já mencionado). Lembre-se: com grá icos de barras, nossos olhos comparam os pontos extremos. Como as barras são alinhadas em uma linha de base comum, é fácil avaliar o tamanho relativo. Isso facilita ver não apenas qual segmento é o maior, por exemplo, mas também o quanto, incrementalmente, é maior que os outros segmentos.

 

FIGURA 2.23 UMA ALTERNATIVA AO GRÁFICO DE PIZZA

Alguém poderia dizer que você perde algo na transição da pizza para as barras. O único detalhe que você obtém com um grá ico de pizza é o conceito de haver um todo e, assim, partes de um todo. Mas, se o visual é difı́cil de ler, vale a pena? Na Figura 2.23, tentei tratar disso, mostrando que as partes somam 100%. Não é uma solução perfeita, mas algo a considerar. Para ver mais alternativas aos grá icos de pizza, consulte o estudo de caso 5 no Capı́tulo 9.

Se você for usar um grá ico de pizza, pare e pergunte-se: por quê? Se puder responder a essa pergunta, você provavelmente re letiu o su iciente para usá-lo, mas certamente esse não deve ser o primeiro tipo de grá ico a ser empregado, dadas algumas das di iculdades na interpretação visual discutidas aqui.

Enquanto estamos no assunto dos grá icos de pizza, vamos ver rapidamente outra “iguaria visual” a evitar: o grá ico de rosca.

 

FIGURA 2.24 GRÁFICO DE ROSCA

Com pizzas, estamos pedindo ao nosso público para comparar ângulos e áreas. Com um grá ico de rosca, estamos pedindo para comparar o comprimento de um arco com o comprimento de outro (por exemplo, na Figura 2.24, o comprimento do arco A comparado ao arco B). Quão con iante você se sente na capacidade de seus olhos de atribuir valores quantitativos a um comprimento de arco?

Não muito? Foi o que pensei. Não use grá icos de rosca.