Atlas de OCT em Retina
27.1: Etapas do Descolamento do Vítreo Posterior
2 7 . 1
Etapas do Descolamento do Vítreo
Posterior
Darin R. Goldman
Resumo
O vítreo é uma substância dinâmica que degenera assim como outras partes
do corpo. Esse processo de degeneração resulta em liquefação contínua com
enfraquecimento e eventual separação de aderências vítreas a várias
estruturas no segmento posterior, incluindo o nervo óptico, a mácula, os
vasos sanguíneos da retina e a retina periférica. A evolução do
descolamento do vítreo posterior (DVP) ocorre ao longo de muitos anos
com a separação vítrea contínua do polo posterior. O primeiro estágio de
separação começa na região paramacular com eventual separação completa
vitreopapilar. É somente esse evento final, o qual pode levar anos para se
desenvolver, que causa sintomas típicos de um DVP agudo com um anel de
Weiss visível clinicamente. O DVP das estruturas da parede posterior do
olho pode resultar em uma série de condições patológicas, como
hemorragia vítrea, tração vitreomacular, buraco macular, membrana
epirretiniana, roturas da retina e descolamento de retina.
Principais achados na OCT
• Os estágios de DVP incluem: Estágio 1: DVP perifoveal com
adesão vitreofoveal intacta (Fig. 3); Estágio 2: DVP macular
isolada com adesão vitreopapilar residual (Fig. 4); Estágio 3: DVP
periférico com adesão vitreopapilar residual (Fig. 5); Estágio 4:
DVP completo (Fig. 6) (Johnson, 2005).
• Os estágios progressivos (1 a 4) do DVP são detectáveis por meio
da OCT (Figs. 1–7).
FIG. 1A E B OCT de mácula normal com hialoide posterior aderida. Embora a cavidade vítrea exiba um sinal hiporrefletivo generalizado, a presença de hialoide posterior fixo (ausência de DVP) é evidente por um sinal levemente hiper-refletivo granulado, difuso e fraco (asteriscos). Muitas vezes, haverá uma demarcação distinta (pontas de setas) entre camadas do córtex vítreo posterior que diferem ligeiramente em grau de refletividade, o que ajuda na confirmação da presença de vítreo cortical ligado. Além disso, as bordas da hialoide posterior são visíveis como membranas hiper-refletivas finas (setas), que se confundem com a superfície da mácula.
FIG. 2 O primeiro sinal de DVP é marcado pela separação focal entre a superfície da hialoide posterior e a superfície macular (setas).
FIG. 3A-D O estágio 1 do DVP é marcado pela separação da hialoide posterior da superfície da retina que circunda a fóvea central (asteriscos), enquanto mantém aderências ao nervo óptico e temporal à mácula. Nesse estágio, há uma elevação contínua da hialoide de uma configuração plana (A e B) para uma que é mais curvada (C e D) e a área de adesão da foveal passa de ampla para mais focal.
FIG. 4A E B O DVP estágio 2 resulta na liberação completa da ligação vitreomacular com adesão residual à mácula temporal, nervo óptico e periferia nasal. Nesse estágio, a hialoide posterior é facilmente visualizada como uma membrana hiper-refletiva acima da mácula (cabeças de setas). O espaço entre a hialoide posterior e a mácula é geralmente mais escuro ou mais hiporrefletivo (asterisco branco) em comparação com a refletividade do vítreo (asterisco amarelo).
FIG. 5 OCT seccionado através da cabeça do nervo óptico no DVP estágio 3. Há adesão vitreopapilar residual (setas) e a hialoide posterior foi liberada de toda a retina anteriormente.
FIG. 6A-C O DVP em estágio 4, ou DVP completo, é evidente na OCT pela falta de quaisquer características do vítreo posterior que
tenham sido descritas nas Figs. 1 a 5. A cavidade vítrea tem uma aparência homogênea e hiporrefletiva. Notam-se características secundárias associadas à fase sintomática da DVP estágio 4, como glóbulos vermelhos no cenário de hemorragia vítrea (C, setas).
FIG. 7 Etapas do DVP: O estágio 1 indica separação vitreorretiniana perifoveal com adesão vitreofoveal intacta; o estágio 2 indica separação vitreorretiniana macular completa; o estágio 3 indica separação vitreorretiniana periférica enquanto mantém a adesão vitreopapilar; e o estágio 4 indica separação completa do vítreo posterior de todos os anexos ao segmento posterior. (De Johnson, Perifoveal vitreous detachment and its macular complications. Trans Am Ophthalmol Soc. 2005 Dec; 103: 537–567,
Figura 2 (estágios de DVP).)
Referência
Johnson MW. Perifoveal vitreous detachment and its macular
complications. Trans Am Ophthalmol Soc. 2005;103:537–567.
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