Atlas de OCT em Retina
Seção 8: Coriorretinopatia Serosa Central
S E Ç Ã O 8
Coriorretinopatia Serosa Central
Capítulo 8.1: Coriorretinopatia Serosa Central
OceanofPDF.com
8 . 1
Coriorretinopatia Serosa Central
Eduardo A. Novais
Luiz Roisman
Resumo
A coriorretinopatia serosa central (CSC) é uma doença caracterizada pelo
descolamento seroso da retina neurossensorial que ocorre em uma área de
vazamento dos coriocapilares através do EPR (Hussain & Gass, 1998;
Wang et al., 2008; Yap & Robertson, 1996). Sua frequência é de
aproximadamente 10 casos por 100.000 e é seis vezes mais frequente em
homens do que em mulheres (Hussain & Gass, 1998; Wang et al. 2008; Yap
& Robertson, 1996). A idade do diagnóstico geralmente varia da terceira à
quinta década (Hussain & Gass, 1998; Yap e Robertson, 1996). A
fisiopatologia é desconhecida; entretanto, a teoria mais aceita afirma que a
hiperpermeabilidade vascular da coroide leva à disfunção secundária do
EPR sobreposto (Hussain e Gass, 1998; Yap e Robertson, 1996).
Personalidades tipo A, uso exógeno de esteroides e hipertensão arterial
sistêmica são as associações mais comuns com o desenvolvimento de CSC
(Hussain & Gass, 1998; Yap e Robertson, 1996). Os descolamentos de
retina serosos geralmente se resolvem espontaneamente na maioria dos
pacientes, e cerca de 80% a 90% deles retornam a uma visão de 20/25 ou
melhor (Hussain & Gass, 1998; Wang et al., 2008; Yap & Robertson, 1996).
Um subconjunto de pacientes pode ter descolamentos de retina serosos
recorrentes ou crônicos, resultando em atrofia progressiva do EPR e perda visual permanente de 20/200 ou pior. Em casos recorrentes ou crônicos, a
neovascularização de coroide (NVC) também pode se desenvolver (Hussain
& Gass, 1998; Yap e Robertson, 1996).
A angiofluoresceinografia (AF) é atualmente considerada o padrão ouro
para o diagnóstico e os achados variam desde áreas discretas de vazamento
focal até defeitos difusos de EPR (Hussain & Gass, 1998; Yap e Robertson,
1996) (Fig. 1). A OCT tem desempenhado um papel cada vez mais
importante no diagnóstico, prognóstico e acompanhamento de pacientes
com CSC, especialmente considerando sua natureza não invasiva em
comparação com AF (Iida, Hagimura, Sato, & Kishi, 2000; Piccolino
et al., 2005; Yang, Jonas, & Wei, 2013). A OCT pode definir claramente a
presença e quantificar as alterações nas áreas de PED e do fluido sub-
retiniano (Fig. 2). A angiografia por OCT fornece a capacidade adicional de
visualizar o comprometimento do fluxo dos coriocapilares e detectar a NVC
secundária (Feucht et al., 2016; Shinojima et al., 2016).
FIG. 1A-I Avaliação multimodal de um paciente com CSC aguda. (A) A retinografia colorida mostra um descolamento de retina neurossensorial na fóvea. A angiografia com fluoresceína (B, seta), e a angiografia com indocianina verde indicam um vazamento em “mancha de tinta” (C, seta branca). (D) OCT B-scan linear mostra descolamento seroso da retina neurossensorial e descolamento de epitélio pigmentado (PED) seroso (seta amarela). OCT en face segmentada na membrana plexiforme interna (MPI) (E) e EPR (F) mostram uma área circular hiporrefletiva correspondente à perda de sinal secundária ao bloqueio do líquido sub-retiniano. (G) OCT B-scan no follow-up mostra regressão do líquido sub-retiniano com persistência do PED seroso (seta amarela). (H) OCT en face no follow-up segmentada ao nível da MPI. (I) EPR mostra regressão da área hiporrefletiva.