Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático
Capítulo 2: - Viagens Plenamente Desenvolvidas na Fase
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
Queria tentar voar e ir visitar alguém que conheço. Saltei algumas vezes sem sucesso. Pulei e comecei a voar um pouco. De repente a polícia veio, me puxou para fora do céu (Raduga: ação errada) e me acusou de terrorismo! Acabei sendo deixado de fora da conversa porque não sei o que diabos estavam falando. Fui para casa depois disso. Queria tentar visitar o meu amigo de novo. Calcei os sapatos. Nesse ponto comecei a pensar sobre o meu corpo físico. Imediatamente parei de pensar sobre isso e continuei calçando o sapato.
Caminhei para fora e comecei a pensar a respeito da aparência do mundo ao meu redor. Olhei para cima, atrás da minha casa, onde normalmente há alguns morros. Eles agora eram enormes e, ao invés de gramados, eram muito rochosos. Isso me divertiu e olhei ao redor um pouco mais. Ora, havia morros no meu quintal da frente. Enquanto olhava para o céu notei algo incrível. Havia luas de diferentes formas e tamanhos, diferentes da cor normal. Algumas eram azul-claras. Algumas eram ovais e outras eram redondas. Era uma visão fantástica. Depois disso continuei meu caminho para visitar o meu amigo. Comecei a andar na estrada tentando voar várias vezes.
Meu irmão apareceu e eu disse a ele o que estava fazendo. Ele sugeriu a mim que ele me desse um impulso. Eu lhe disse que assim poderia acabar me machucando e por isso ele não me deu o impulso. Continuei tentando. Eu até pulei na cabeça de alguém quando os vi subindo a estrada. Acho que finalmente desisti. Houve um pequeno lapso entre as tentativas e acabei na minha casa (Raduga: não executou a manutenção). Uma vez tendo acabado em minha casa, estávamos comendo alguma coisa. Como estava sentado na mesa da cozinha, de repente acordei (Raduga: não tentou a re-entrada na FASE). É uma sensação muito interessante acordar pacificamente em sua cama depois de uma experiência como essa.
067
Chris
Chrille_pk@hotmail.com
Acordei e comecei a aplicar as técnicas indiretas, após uma tentativa de separação. Nada aconteceu...
Lembrei-me de continuar fazendo os ciclos. Quando cheguei ao quarto ciclo e estava lutando para não cair no sono, notei que estava ouvindo um sinal sonoro. Comecei a técnica da audição interna. Não lembro, mas acho que naquele momento tentei a separação no meu quarto. Teletransportei-me e de repente me vi de pé em um shopping center.
Eu meio que sabia que era um sonho, mas minha mente não podia aceitar isso, e estava, ao mesmo tempo, consciente e inconsciente. Mas a minha "metade consciente" resolveu tocar o chão e tudo o que via ao redor. O sonho agora tinha ficado perfeitamente claro.
Tentei chamar uma pessoa. Pensei: "Ao virar nessa esquina vou encontrar minha amiga Johanna". Ao dobrar a esquina eu a vi! Ela estava com roupas diferentes do que é o habitual, mas seu rosto parecia o mesmo. Falava com ela e, ao mesmo tempo, admirava o mundo vívido e projeções de pessoas que conheço. Ela me olhou por alguns segundos e me beijou! Fiquei chocado porque não tinha sentimentos por ela. Nesse momento perdi a lucidez (Raduga: não executou a manutenção)...
068
Dmitry Bolotkov
Moscow, Rússia
O que vou relatar aconteceu depois que acordei e comecei a cochilar novamente. Estava deitado de lado e estava começando a adormecer quando vi algumas imagens distorcidas de um sonho anterior. Meu corpo começou a se encher de tristeza. Praticamente parei ao sentir isso. Suaves vibrações surgiram. Imediatamente lembrei-me da FASE e apenas relaxei... Imagine minha surpresa quando senti que estava separando. Meu batimento cardíaco aumentou abruptamente durante o processo. Eu me separei e me vi em suspensão no ar (ainda não tinha o sentido da visão). Comecei a movimentar meus braços e pernas girando na escuridão, tentando voar para mais longe possível do meu corpo. Deparei-me com algo sólido (o teto, eu acho). Minhas pernas balançaram para a esquerda e assumi uma posição vertical. Comecei a esfregar as mãos tentando vê-las. Minha visão foi aparecendo gradualmente.
Finalmente vi minhas próprias mãos. Elas eram menores do que na realidade. Pareciam ter uma tonalidade verde. Analisei a situação: estava no meu antigo apartamento, mas a mobília estava caoticamente organizada. Comecei a apalpar e a examinar tudo. Minha visão era incrivelmente nítida, muito mais clara do que na realidade (me tornei bastante míope ao longo dos últimos dois anos). Estranhamente senti como se meus olhos estivessem fechados, mas mesmo assim ainda podia ver. De alguma forma fui capaz de desligar a minha visão. Mergulhei no chão (Raduga: não tinha um plano de ação).
Voei para baixo por algum tempo. Parei e fiz com que minha visão retornasse. Estava no espaço exterior. Vi planetas totalmente estranhos. Como tenho medo de altura, desliguei a minha visão novamente e quis me encontrar em outro lugar, onde tivesse algo sólido para me sustentar. Após alguns momentos senti que estava de pé em alguma coisa. Fiz com que minha visão retornasse. Estava no deserto. Estranhos animais pastavam. Havia pombos em toda parte e fichas de poker espalhadas por toda a areia. Por alguma razão percebi que estava perto de Las Vegas. Andei um pouco pelos arredores. Quando comecei a olhar em volta meu campo de visão começou a diminuir. Como não havia nada além um pequeno campo de visão remanescente comecei a esfregar as mãos, uma contra outra e olhar para elas. Minha visão retornou após alguns segundos. Um pombo veio até mim com a clara intenção de morder minha perna. Comecei a fugir, chutando areia contra o pássaro (Raduga: ação errada). Foi quando tudo terminou. Encontrei-me de volta no meu corpo e abri meus olhos (Raduga: não tentou a re-entrada na FASE).
069
Yan Gvozdev
Moscow, Rússia
Ao implementar a técnica da contagem, pensei sobre parques, e uma imagem de uma fotografia de um parque de Outono surgiu diante de mim. Tentei trazer vida para a imagem como se estivesse movendo os detalhes da mesma. Senti que estava em um estado adequado para tentar entrar na FASE. Fui capaz de mergulhar na imagem na minha primeira tentativa.
Agora me encontrava naquele parque de outono que era muito bonito. Em um esforço para aprofundar comecei a apalpar tudo ao meu redor: folhas, a casca das árvores e as minhas próprias mãos. O estado de FASE estabilizou e fui dar uma caminhada ao redor daquele parque maravilhoso. Estava cheio de pássaros cantando e de folhas bem nítidas.
Como planejado anteriormente decidi fazer o que viesse a minha mente.
A primeira coisa que me veio à mente foi a questão de como a minha futura casa seria, algo no qual vinha pensando muito a respeito. Eu me concentrei e me transportei até aquela casa usando o método dos olhos fechados.
Encontrei-me perto de uma casa muito bonita. Nunca tinha sequer sonhado com uma casa tão bonita na vida real. Andei em direção a ela esfregando as mãos por todo o caminho a fim de aprofundar o estado. Quando cheguei mais perto a casa começou a mudar e assumir diferentes formas em uma velocidade compatível com os pensamentos na minha cabeça.
Andei pela casa por algum tempo. Olhei para os móveis e os toquei. Tinha o pensamento de que a casa de alguma forma me lembrava um belo hotel, e então, a casa transformou-se em um hotel. Estava diante de mim um daqueles enormes resorts turísticos à beira-mar no Egito.
Entrei naquele hotel enorme. Estava cheio de hóspedes. Andei no meio deles, conversei com alguns e toquei em outros por curiosidade. Fui para o restaurante. Vi uma variedade de pratos. Provei alguns deles. Saí para uma caminhada no interior do hotel. Continuei a falar com as pessoas que encontrava pelo caminho.
Internamente tinha me perguntado sobre o futuro próximo da vida real e tentei descobrir quem ou o que poderia me dizer algo sobre isso. Minha esposa Alexandria apareceu e começamos a pensar juntos sobre o nosso futuro próximo, pois ficamos muito interessados em saber sobre isso. A versão da minha esposa na FASE se comportava exatamente como minha esposa na vida real, com os mesmos traços de caráter.
Alexandria propôs que nós tentássemos nos divertir pensando em algo para se fazer à beira-mar. Poderíamos descer o grande escorregador do parque aquático do hotel.
Fomos até o mais alto toboágua. Era tão alto que fiquei com falta de ar. Percebi que descer como uma lâmina de água enorme seria bom para manter e estabilizar o estado de FASE. Não estava claro o porque de não haver uma piscina no final. Imaginei que talvez não fosse uma idéia tão boa deslizar para baixo já que estávamos muito alto. Mas Alexandria foi primeiro, e eu, como um verdadeiro cavalheiro, deslizei atrás dela. Como tinha imaginado, o escorregador terminou a 50 metros do chão. O chão era de asfalto. Não houve tempo para me concentrar e imaginar que haveria uma piscina no final do escorregador. Voei diretamente para o asfalto. 110% de realismo. Enquanto ainda estava voando percebi que o pouso seria muito doloroso. Pousei com uma batida bem no meu pé. A dor correu meu corpo inteiro, especialmente minhas canelas e joelhos. Quanto percebi que a dor tinha sido modelada antes da minha queda, apenas por ter pensado nela, a dor desapareceu imediatamente.
Alexandria decidiu se divertir mais. Ela já estava em um estado de espírito muito brincalhão. Ela encontrou algum tipo de diversão em um canhão de "balas humanas" que iria atirar-nos muito longe no mar.
Ela mais uma vez decidiu ir primeiro. Fui logo depois dela. Ele atirou-nos a uns 300 ou 400 metros para fora da costa. Enquanto estava voando atrás de Alexandria fiquei com bastante medo. Por que tão longe no mar? Seríamos capazes de nadar de volta à costa?
Costumo comparar mentalmente o espaço da FASE com o mundo real. Posso afirmar que eles são muitas vezes indistinguíveis. Isto é especialmente verdadeiro em uma FASE muito realista quando você pergunta a si mesmo: "Onde exatamente estou agora?" Nesses momentos a única coisa que ajuda é uma análise profunda da situação e pensar sobre o corpo, mas ao fazê-lo corre-se o risco de acontecer um retorno espontâneo.
Ela foi primeiro para a água, e eu atrás dela. Devido à altura e velocidade a partir da qual caí mergulhei muito profundamente na água. Senti como se estivesse sufocando. Não conseguia respirar debaixo d'água. Comecei a procurar por Alexandria. Avistei Alexandria nadando corajosamente nas profundezas do oceano.
Comecei a concentrar-me em respirar debaixo d'água. Fui bem-sucedido, mas o peso e a profundidade da água me deixavam nervoso. Nadei até alcançar Alexandria.
Nadamos mais e mais superando a pressão da água com dificuldade. Descemos a uns 1500 metros abaixo do nível do mar. Impressionado com o que vi, estava quase me perdendo em pensamentos, já que os eventos que ocorreram eram completamente indistinguíveis da realidade. Nadamos ainda mais para o fundo e algo chamou nossa atenção. Nadamos até mais perto e vi algo parecido com uma caverna num recife de coral. Quando descemos um pouco mais para o fundo, o fundo do mar tornou-se claramente visível.
Vimos um túnel que levava a uma caverna e nadamos em direção a ele. Alexandria parecia já conhecer o caminho. Segui atrás dela sem entender para onde estávamos indo, mas confiava nela completamente. Nadamos para dentro da caverna e emergimos do lago em seu interior em um espaço cheio de ar. Esta câmara tinha janelas que eram como aquários. Era possível observar vários tipos de peixe nadando. Na caverna fomos recebidos por quatro mulheres que pareciam estar esperando por nós. Elas nos colocaram sentados um ao lado do outro. Pareciam jornalistas e apresentadoras.
Quando sentei, parei de me movimentar e comecei a desaparecer. Comecei a concentrar-me em questões relacionadas com o nosso futuro, esquecendo-me de fazer a manutenção da FASE.
Comecei a fazer perguntas para elas logo que começou o noticiário. Acidentalmente pensei sobre o meu corpo e ocorreu um retorno espontâneo (Raduga: não tentou a re-entrada na FASE). Obtive uma grande quantidade de informações visuais que depois organizei em eventos e imagens.
Duas semanas depois fui de férias para um grande hotel no mundo real onde vi as mesmas imagens que foram descritas acima. Claro, a correspondência não foi de 100%, mas o quadro geral da situação coincidiu completamente em termos de significado e importância.
070
Breadbassed
cabeludo@hotmail.co.uk
Na noite passada, após cerca de 4 horas de sono, acordei e fiz algumas coisinhas: fui ao banheiro, acendi um incenso e depois voltei para a cama. Assim que comecei a cair no sono comecei a observar imagens oníricas entrando e saindo da minha consciência. Quando senti que uma era forte o suficiente levantei-me e cai no final da minha cama. Estava agora na FASE.
Estava em completa escuridão, o que acontece muito comigo quando saio do meu corpo. Realizei técnicas de aprofundamento até começar a ver. Aqui está a parte interessante: Estava querendo fazer um "teste" em uma experiência fora do corpo. Assim, antes de ir para a cama naquela noite embaralhei umas cartas e coloquei uma delas num lugar alto em meu quarto onde não podia ver (não tinha olhado para a carta). Assim que pude ver depois do aprofundamento subi e olhei para a carta. O que vi foi um 8 de ouros.
Depois de ter feito isso pulei pela janela e explorei um jardim de "FASE". Duas criaturas parecidas com alienígenas dirigiram-se até mim e me apontaram suas armas, mas os desarmei rapidamente. Roubei o carro deles e dirigi nos arredores batendo em coisas para me divertir. Tive um falso despertar. Estava de volta no meu quarto, mas tinha acordado em uma posição em pé. Instantaneamente soube que ainda estava na FASE.
Desta vez decidi tentar outra coisa. Pode soar um pouco louco, mas falei com as plantas no meu quarto e as fiz crescer muito. Ficaram imensas e encheram meu quarto. Parecia espetacular. O espírito das plantas manifestou-se, o que era estranho. Ele falou como um velho Inglês. Não me lembro o que disse.
Pouco tempo depois acordei de verdade. Levou um pouco de tempo para eu lembrar o que tinha feito na FASE, mas quando lembrei, pulei e fui verificar a carta de baralho para ver se estava certo. Ela era um 8 de paus. O naipe estava errado, mas o número estava certo! Eu ainda estava muito feliz! Embora não tivesse acertado 100%, tinha chegado perto o suficiente para mim!
071
Breadbassed
cabeludo@hotmail.co.uk
Acordei às 6:30h esta manhã. Fiz algumas coisas e voltei para a cama. Não fiz qualquer técnica, mas levou tanto tempo para eu voltar a dormir que me senti entrando numa paralisia do sono. Logo senti que era o momento certo. Levantei-me e caí no final da minha cama (parece estar se tornando meu procedimento de saída padrão nos dias de hoje). Depois de algum aprofundamento e de ter saído do meu quarto vi meu reflexo no espelho. Estava usando um chapéu que foi a confirmação de que eu estava agora na FASE, pois não usava um chapéu há anos.
Queria repetir o meu teste anterior de uma maneira ligeiramente diferente. Pedi a minha irmã para escrever um número de 3 dígitos e colocá-lo em seu quarto para ver se podia lê-lo quando estivesse tendo uma experiência fora do corpo. Fui ao quarto dela e seu namorado estava dormindo. Chamei o nome dele algumas vezes e tentei convencê-lo que era uma FASE, mas ele parecia sonolento e não respondeu. Os resultados de olhar para o número foram inconclusivos, já que talvez não tivesse aprofundado o suficiente e não estava muito estável. Vou dizer a minha irmã o que vi de qualquer maneira, pois valerá a pena ouvir o resultado. Enfim, depois de também contar para minha irmã que eu estava em uma FASE e que poderia fazer o que quisesse, mergulhei pelo chão e me reloquei.
Acabei em uma antiga biblioteca e tentei algum aprofundamento, bem como o método normal de apalpação. Tudo funcionou. Havia um CD no chão. Eu queria usar mais sentidos além do toque para aprofundar ainda mais, e assim, lambi o CD. No início não tinha gosto de nada, mas depois de algumas lambidas começou a ter o gosto que supunha que teria um CD. Isto parecia deixar meu ambiente mais realista.
Ontem à noite, antes de dormir, estava lendo um site muito interessante sobre os "Illuminati", feito por alguns membros. Imaginei que iria tentar descobrir mais sobre eles na FASE, e assim chamei: "Illuminati!". Antes de terminar a palavra 3 cadeiras se moveram. Alinharam-se em uma pequena fila e uma voz disse: "Sente-se!". Assim o fiz. As paredes da biblioteca abriram-se em um palco e muitas figuras vestidas com trajes cerimoniais começaram a fazer um show e cantar (nada como eu estava esperando!). Pouco depois o show começou e pensei comigo mesmo: "Se eu sentar aqui e ficar assistindo provavelmente acordarei logo". Eis que depois de pensar acordei praticamente de imediato (Raduga: não tentou a re-entrada na FASE).
Talvez apenas o fato de ter o pensamento sobre acordar tenha me feito perder a FASE mais rapidamente.
Tenho notado que se tiver alguma idéia do que vou fazer na FASE ela geralmente vem com algumas expectativas do que vai ocorrer. Nem sempre a FASE atende às minhas expectativas (não estou dizendo que isso seja bom ou ruim, mas apenas completamente diferente do que eu esperava). Na FASE eu esperaria que os acontecimentos ocorressem com base em nossas expectativas, mas não é bem isso que ocorre.
072
Breadbassed
cabeludo@hotmail.co.uk
Na noite passada tive o que pareceu ser uma experiência muito longa na FASE. Fui para a cama à 1:00h. Assim que comecei a adormecer comecei a notar alguns efeitos visuais. Finalmente encontrei-me em uma sala que estava escura e sem brilho. Parece que minhas experiências ao cair diretamente no sono sempre parecem acontecer dessa forma. Além disso me senti muito instável e senti alguma força invisível me puxando, como se estivesse tentando me agarrar.
Como não tinha tido sorte usando a amplificação sensorial para melhorar a minha visão em experiências diretas anteriores, decidi tentar algo um pouco diferente. Sentei-me na minha posição normal de meditação e fiz algumas respirações profundas. Quando sentei a "força" estava “forte”. Continuei me movendo como um navio em uma tempestade, mas após algumas respirações profundas a força enfraqueceu e minha visão melhorou. Voei para fora da janela, e logo depois, acordei novamente na escuridão.
Percebi que era um falso despertar e lembro de me sentir desconfortável novamente. Comecei a cantar a minha canção favorita de Bob Marley. Lembro-me de um homem em um terno que estava vindo atrás de mim, como se eu não pertencesse àquele local. Estava tentando me levar embora. Tentei fazê-lo desaparecer, mas não funcionou, então, fui até ele. Ele desinflou-se como um balão e caiu no chão.
Estava no que parecia ser um clube e perguntei a uma mulher "Qual é a verdade sobre essa realidade?”. Ela respondeu: "É tudo estatística!". Achei isso confuso e por isso caminhei um pouco ao redor tentando decidir o que fazer (Raduga: não tinha um plano de ação). Lembrei-me de um website onde alguém postou há algum tempo uns "testes". Um deles dizia para desenhar o símbolo do infinito em uma porta, e, em seguida, atravessá-la. Encontrei uma porta, arranhei um sinal de "omega" nela e entrei. Era apenas um outro quarto no clube, com um bar e dois homens. Um deles parecia muito ocupado (pensei que fosse o gerente) e o outro estava sentado bebendo. O gerente passou por mim e lhe pedi para me dizer algo sábio. Ele disse: "Meias ruins!".
Falei com o outro homem brevemente, mas não pude me lembrar da conversa. Saí da sala e sentei-me com algumas pessoas. Peguei um lenço de papel e o transformei em um bolo de queijo. O gosto era tão delicioso que me fez querer ter relações sexuais. Saltei sobre uma moça nas proximidades. Quando começamos, também começamos a voar. Lembro de estarmos voando através de árvores e podia sentir as folhas acariciando minha pele. No ponto de clímax acordei novamente na escuridão.
Ainda estava na FASE. Desta vez em algum lugar parecido com uma fábrica, com uma máquina verde enorme, não tinha certeza para que a máquina servia. Os personagens da FASE me disseram que era necessário uma engrenagem especial para que ela funcionasse. Acho que eles a chamaram de engrenagem "trigadore". Depois disso lembro de um amigo meu entrando na sala chateado. Dei-lhe alguns conselhos. Disse a ele que às vezes você tem que perdoar a si mesmo e não ser demasiado duro consigo mesmo. Isso pareceu tê-lo animado.
Mais uma vez eu tinha deslocado para a escuridão quase esperando que tivesse acordado naquele momento, mas não, ainda estava na FASE. Decidi tentar me acordar (pensei que não poderia funcionar, mas tentei de qualquer jeito), e só acabei sentindo uma sensação de movimento e voltei a aparecer na escuridão. Encontrei-me de volta no clube onde estava anteriormente. Neste momento estava começando a ficar preocupado, pois estava me sentindo como se tivesse estado na FASE por muito tempo. Andei em torno do bar e perguntei a uma mulher: "Se estive lúcido durante toda a noite, quanto tempo teria se passado?" Percebi que era uma pergunta tola, já que o tempo na FASE não pode ser estabelecido. Reformulei a questão perguntando quando eu poderia acordar. Ela disse: "Em algum momento hoje". Pouco depois acordei de verdade.
Senti que esta FASE durou séculos e aconteceram ainda mais coisas que não escrevi por ter me esquecido. Quando eventualmente acordei de verdade olhei para o relógio: 1:43h. Só tinha dormido por cerca de 40 minutos, mas parecia muito mais tempo. Tentei o meu melhor para lembrar o quanto pude. Quis escrevê-lo depois, mas não queria acordar minha namorada, por isso decidi não fazê-lo naquele momento.
073
Arlindo Batista
London, UK
Esta foi minha primeira experiência fora do corpo em que pude ver como é o mundo aparentemente físico. Vi a mim mesmo e a minha parceira deitados na cama. Tudo estava claro. Tive a sensação de ser catapultado para fora do meu corpo como quando ouvi um barulho semelhante a uma pedra batendo dentro de um balde. Vi o teto branco de minha casa se aproximando de mim muito rapidamente. Assim que pensei que ia bater nele diminui de velocidade. Nunca permaneci em um único local. Eu me movo constantemente. O movimento foi gradual, como se estivesse me movendo em quadros de espaço, se isto faz algum sentido para o leitor. Eu podia ver tudo no meu quarto. Estava perto do teto e um sentimento de excitação me fez saltar por todo o lugar a uma velocidade incrível, sem tocar em qualquer objeto.
Desejei inspecionar de perto o meu corpo e imediatamente me vi ao lado dele como se fosse por teletransporte (Raduga: não tinha um plano de ação). Foi muito estranho! Inicialmente tinha me sentido como se fosse apenas uma "cabeça flutuante", mas ao ver o meu corpo físico, comecei a olhar para o meu novo corpo. De repente uma versão transparente das minhas mãos e braços podia ser visto. Dentro de meus membros novos podiam ser vistos padrões de movimento e algo como veias transparentes e o que parecia ser um fluido passando através delas, diferente do que vi ilustrado em livros de anatomia humana.
Voei para fora da janela do meu quarto e vi a paisagem lá fora nas primeiras horas da manhã. Estava pairando a uns quatro metros e meio acima do solo. Quando me movi vi uma garotinha na janela do meu vizinho olhando para mim. Voei em direção a ela um pouco confuso porque ela podia me ver. Perguntei a ela: "Você pode me ver?". Parecia que eu tinha projetado isso para ela como uma forma de pensamento. Ela balançou a cabeça em negação, o que contradiz o fato de que ela tinha respondido. Ela parecia apavorada. Pairei longe e voltei ao meu quarto. Quando acordei (Raduga: não tentou a re-entrada na FASE) pensei comigo mesmo: "Foi um intenso sonho lúcido”. Pelo que sei foi muito preciso.
Conhecia meus vizinhos e nunca tinha visto aquela menina antes (ela parecia ter cerca de 5 anos de idade). Nos dias seguintes notei que as filhas do meu vizinho tinham amigos ao redor. Num certo dia minha parceira enviou-me para uma lanchonete que vendia peixes com batatas fritas. No caminho de lá passei por nossa Igreja Batista local. Vi meu vizinho conversando com algumas pessoas de fora. De repente vi a menina! Ela era real e veio correndo para fora da igreja com outras crianças. Ela não me viu, pois estava se divertindo correndo com seus amigos ao redor dos adultos. Percebi que estava provavelmente vendo a menina pela primeira vez com meus olhos físicos. Mas como eu poderia ter uma memória visual dela?
074
Arlindo Batista
London, UK
Após um dia agitado no parque com nossos filhos, Stacey e eu fomos para a cama em torno de 0:30h. Bebi um copo de leite e comi umas bolachas de chocolate antes de ir para a cama. Estava tão cansado que não demorei muito tempo para adormecer. Acordei às 3:50h para usar o banheiro. Meus sintomas e a inércia do sono eram fortes e parecia a oportunidade perfeita para uma excursão fora do corpo. Deitei sentindo-me como um peso morto e apenas relaxei. Logo entrei em um estado de clareza bem familiar e o assobio pulsante retornou. Lembro-me de ter pensado que talvez o "motor pineal" já estava ligado e fui acelerando até chegar a um som parecido com o de uma montanha russa em funcionamento. O que se seguiu foi uma sensação de desapego de tudo, mas ainda estava consciente de estar deitado na cama sem o sentido da visão.
De repente pude ouvir vozes, como se um rádio tivesse sido ligado na minha cabeça. Não conseguia entender o que eles diziam, mas de alguma forma o áudio focava em uma voz especial do sexo feminino que falava como se fosse dar uma palestra (Raduga: não tentou a separação). O objeto parecia ser a própria consciência. Algo me ocorreu: “O 'eu' é o centro da consciência, por isso somos todos centros de consciência”. A voz passou a divulgar um segredo profundo sobre a realidade que me fez experimentar uma epifania, e ainda assim não me lembro do que foi dito. Epifania é uma súbita sensação de compreensão da essência ou do significado de algo. A voz transformou-se em um sussurro e foi abafada pela música orquestral e pelas palmas. Isto foi seguido por uma onda de vibração. Posteriormente pareceu que eu tinha me separado do meu corpo somente pelo meu desejo de fazê-lo.
A visão estava turva, mas podia distinguir o ambiente do meu quarto (Raduga: não executou o aprofundamento). Fui para o corredor em direção ao espelho na parede que parecia cinza e absolutamente não reflexivo. Deslizei através dele já que queria ver Marge, a falecida avó de Stacey. O que é incomum sobre o que se seguiu é que eu não estava viajando através de um vazio escuro, como é típico quando mergulho no espelho do corredor. Ao invés disso estava passado próximo das copas das árvores, telhados, estradas e veículos. Quando cheguei a um impasse vi que estava ao nível do solo deslizando através de um beco cheio de lixo em plena luz do dia. As cores do ambiente eram maçantes e tentei torná-las mais brilhantes com a minha mente, mas não tive sucesso. Involuntariamente teleportei-me para outro local.
Inicialmente era difícil ver onde eu estava, porque sempre paralelamente examinei várias superfícies e fui incapaz de me fixar em um determinado local. Consegui diminuir meu movimento perto do teto do que parecia ser um grande banheiro. Vi uma menina que parecia ter oito ou nove anos de idade em uma banheira cheia de água suja. Seu rosto estava ligeiramente do lado de fora. Pude vê-la engolir água e um monte de cabelos, até que sua cabeça estivesse completamente submersa. Um homem carrancudo entrou no quarto. Ele era alto, corpulento e seu cabelo era curto, escuro e espetado. Com os olhos arregalados e num frenesi o personagem afogou a criança pressionando sua cabeça ainda mais para baixo usando um desentupidor de pia. Nenhum dos personagens notou minha presença. A intensidade da experiência foi alarmante e eu estava na situação "lutar ou fugir", já que tinha testemunhado aquele crime.
Minha perspectiva mudou drasticamente e eu parecia estar agora na banheira. O quarto era o mesmo, mas a iluminação estava diferente. O mesmo homem carrancudo entrou e veio em minha direção. Em um ato reflexo, subi para o teto e, quando olhei para baixo, observei um menino nu na banheira gritando de horror. Sem piedade o homem afogou o menino, e, quando ele fez isso, culpou a criança pelo que estava acontecendo com ele e acusou-o de ser a razão pela qual ele era um monstro. Ele rosnou e sacudiu o menino debaixo d'água. Os esforços da criança para libertar-se foram inúteis. Eu me movimentei pelo quarto incontrolavelmente enquanto tentava ver o que mais estava acontecendo.
Recuperei a consciência física na paralisia do sono, na esperança de que o que tinha experimentado tivesse sido apenas imaginação. Minha cabeça sussurrou novamente. Ouvi mais vozes na minha cabeça como se estivessem envolvidas em diálogos com intervalos de música clássica. Consegui novamente a separação, mas desta vez, em um vazio escuro. Queria ver Marge e senti duas mãos segurando-me em ambos os lados e me levando a algum lugar. Vi luz à frente e encontrei-me em um ambiente fresco. As cores fortes definiam um cenário surreal composto pelo que pareciam ser ruínas romanas em uma floresta. Propus-me a olhar para lá, mas ao invés disso, Marge encontrou um homem negro careca. Perguntei-lhe quem ele era e ele me disse que seu nome era tanto Simão quanto João Figo. Falamos em Português. Perguntei-lhe onde estávamos e ele me disse que estávamos no mesmo lugar o tempo todo. A conversa tornou-se mais vaga e mais parecida com um sonho. Às vezes eu tinha a impressão de que ele poderia dizer o que eu estava pensando e vice-versa. Era como se estivéssemos de alguma forma ligados. Não tinha certeza se poderia, por vezes, controlar seu discurso, ou, se o fato de que estava pensando o mesmo que ele disse, era apenas coincidência.
Quando recuperei a consciência física ouvi fracos sons de chuveiros na minha cabeça e meu corpo sentiu frio. Era 7:30h (da manhã).
075
Dmitry Plotnik
Moscow, Rússia
Retornando de uma noite fora nós fomos até uma loja chamada "A Pedra Mágica". Nós compramos um pedaço de drusa (pequenos cristais incrustados na superfície de uma rocha ou mineral, em nosso caso, ametistas). De acordo com a minha namorada a pedra ajuda a "sintonizar com seus sonhos". É necessário colocar a peça na cabeceira da própria cama e apenas ir dormir. Foi exatamente o que fizemos. Tivemos que acordar muito cedo na manhã seguinte (cerca de cinco horas), a fim de nos prepararmos para uma excursão. Não tínhamos tempo a perder. Fiz uma tentativa de "sintonizar os meus sonhos". Senti que tinha dormido em algum momento, mas continuei a sonhar que estava deitado na cama e que estava tentando sintonizar-me para uma saída do corpo. Naquele exato momento senti um formigamento leve nas minhas costas, uma espécie de energia vital. Até tentei facilitar a sensação pensando: "Ótimo, está vindo, é hora de agir!". A sensação de formigamento intensificou-se e agora sentia como se fossem ondas que subiam e desciam na minha espinha (Raduga: não tentou a separação). A sensação característica, há muito esquecida, atravessava do meu corpo. A sensação não poderia ser considerada agradável de modo algum. Foi aí que pensei para mim mesmo: "Agora me lembro porque tinha parado intencionalmente de tentar entrar na FASE". Já era tarde demais para voltar atrás. Em poucos instantes estava levantando. Mal tive tempo de olhar para trás no sofá.
Logo encontrei-me em uma sala espaçosa (Raduga: não executou o aprofundamento). Era tão grande que a única coisa que podia ver claramente era a parede ao meu lado. Havia também algumas pessoas na sala. Todos eles queriam algo de mim e continuaram vindo até mim com pretextos estúpidos. Ficava dizendo-lhes: "Caiam fora!". Ficava tentando afastá-los. Só tinha um pensamento na minha cabeça: "Tinha que encontrar a minha namorada". Esforcei-me o máximo que pude para lembrar onde nós tínhamos adormecido, mas minha memória falhou. Diferentes personagens constantemente distraiam-me. Um deles foi especialmente persistente. Em um determinado momento ele até insistiu para que eu o ajudasse a abrir sua garrafa de vinho com um saca-rolha. Decidi ajudá-lo. Quando tinha aberto a garrafa pensei: "Por que não?”. Nunca tinha experimentado vinho na FASE. Coloquei a garrafa na minha boca. O vinho tinha um gosto engraçado, mais como uma aguada geléia de amora com pedaços de frutas flutuando. De repente a garrafa já não estava mais em minhas mãos. Continuei tentando sair daquela sala.
A única coisa que pude encontrar para aprofundar foi uma parede de uma estranha construção feita de tábuas de madeira. Estavam pintadas de branco com o que parecia ser uma tinta à base de óleo (mais que qualquer outra coisa ela me lembrou uma patente). Eu estava a ponto de meter minha cabeça para dentro quando um tipo persuasivo e confiante avisou:
_ "...É um portal através do qual os hóspedes não convidados podem se dar mal..."
Não morrendo de vontade de me enfiar ali, me contentei em tirar um pequeno espelho escuro da parede externa. Brinquei um pouco com meu reflexo (que nem sempre quis acompanhar quando eu movia minha cabeça), mas aquelas pessoas à toa grudaram em mim como cola. Então decidi me divertir um pouco e comecei a olhar o espelho junto com aqueles companheiros, fazendo par com um de cada vez. Porém, seus reflexos eram muito diferentes de suas aparências externas. Eu enjoei rapidamente da brincadeira e disse-lhes que caíssem fora novamente.
(Patente era o nome que se dava a antigos banheiros sem água corrente, que eram construídos fora das casas, geralmente de tábuas, quando não existiam os atuais vasos com caixa de descarga. O "vaso" consistia em uma caixa de tábuas com um assento de madeira sobre um buraco cavado na terra).
Decidi sair do prédio concentrando-me em onde o lugar em que dormíamos poderia estar. De repente abri uma porta, mas fiquei decepcionado. Houve uma cena estranha ao ar livre, do outro lado. Parecia ser um pouco antes do amanhecer, na hora mais escura. Carros desceram a rua. Comecei a examinar os carros estacionados na calçada. Eles tinham uma aparência engraçada. De repente um carro saiu da rua e veio em minha direção. Ele dirigiu-se até mim e pude ver uma mulher interessante sentada ao volante. A maior parte de sua roupa era verde. Nós conversamos e eu não poderia deixar passar que ela estava falando livrescamente, como se estivesse citando as linhas de um personagem da literatura do século 19. Disse a ela: "Agora você está dizendo tudo isso e assim por diante". Ela olhou para mim. Observei seus olhos estranhos. Ela tinha “joaninhas verdes” em vez de pupilas normais. Percebi que estava começando a voltar à realidade (Raduga: não executou a manutenção).
Acordei (Raduga: não tentou a re-entrada na FASE). Percebi que estava deitado de costas com os braços ao meu lado, segurando a mão da minha namorada. De repente ela também acordou e começou a relatar sua experiência...
076
Nadezhda Maslova
Moscow, Rússia
Nós já estávamos um pouco estressados na noite em que aconteceu porque tínhamos que acordar muito cedo no dia seguinte para irmos em uma excursão. Tínhamos medo de que dormíssemos demais. Tinha acordado várias vezes ao longo da noite, e, finalmente, decidi usar os despertares noturnos para entrar na FASE.
Obtive sucesso e "saí do corpo". Levantei-me sobre o sofá-cama (Raduga: não executou o aprofundamento). Estava na mesma sala que tinha adormecido, mas descobri que havia dois espelhos na parede que não estavam lá na vida real. Olhando para um dos espelhos notei que não estava usando as mesmas roupas com as quais tinha adormecido. Lembrei-me da minha "idéia fixa": levar meu namorado para minha experiência de FASE. Fui até o sofá onde ele estava dormindo, puxei ele pelo braço e levei ele até o espelho. Pensei: "Talvez ele vá se ver no espelho e tornar-se consciente na minha FASE".
Ficamos na frente do espelho e vi nossas reflexões de forma difusa. Percebi que tinha tido sucesso mais uma vez e deixei ele ir. Resolvi rastejar no espelho para translocar-me. Levantei-me sobre a mesa, coloquei minha mão dentro do espelho e comecei a mover minha cabeça. De repente percebi que o espelho estava "fechado". Não havia nada além de escuridão e de uma parede atrás dele e assim eu não seria capaz de translocar-me para nenhum lugar. Optei por utilizar a técnica da "rotação". Comecei a rodar e imaginar minha floresta favorita, que tinha visto em uma das minhas viagens na FASE. Queria ir para lá de novo.
Virei-me para um lado e para o outro, mas não pude entrar na floresta. Mesmo assim ela estava nitidamente piscando diante dos meus olhos. Não consegui parar a tempo. No final, acabei pousando no apartamento de minha mãe. Havia um coelho de pelúcia deitado no chão. Levei-o pela mão imaginando que, se começasse a perder a FASE, eu mexeria com ele a fim de permanecer (na FASE). Vi um outro espelho na parede e decidi dar uma olhada no meu reflexo. Olhei, mas o reflexo que apareceu não era o meu, era o reflexo de alguma criatura turva, como um fantasma. Fiquei um pouco assustada. Aquele medo me fez retornar ao meu corpo (ou assim pensava eu enquanto ainda estava na FASE), com o bicho de pelúcia que ainda estava em minhas mãos.
Encontrei-me de volta na minha cama, mas não desisti. Decidi tentar uma outra forma de ter meu namorado junto a mim na FASE Peguei as mãos dele e comecei a deslizar para fora da cama. Caímos da cama, mas não caímos no chão. Era como se tivéssemos caído de um penhasco e estivéssemos suspensos no ar. Mesmo que estivesse escuro no quarto em que estávamos dormindo, havia luz do dia ao nosso redor durante nossa queda. Tudo estava brilhante, muito mais brilhante do que na experiência que tinha acabado de ter. Tinha certeza que tinha sido bem-sucedida em puxá-lo para a FASE comigo! Vi que os braços me segurando não eram dele. Baixei os olhos e vi que estava abraçando outro homem!
Ele parecia um pouco como o meu namorado, mas seu rosto era mais velho e um pouco diferente. Seu cabelo era mais longo e unia-se em um rabo-de-cavalo. Eu o afastei e perguntei: "Quem é você?". Ele respondeu: "Bem, já lhe disse meu nome". "Ou talvez você esteja apenas vendo o futuro?". Acalmei-me um pouco e disse-lhe: "Preciso de um vestido!”. “Não quero andar por aí seminua". Ele respondeu: "Então vamos comprar um". Virei-me e vi uma loja. Entramos, ou melhor, flutuamos para dentro a cerca de uns 30 centímetros do chão. Fomos recebidos por um lojista mulato. Ele mostrou-me todos os vestidos que estavam pendurados. Eu estava em êxtase! Entrei no provador... e imediatamente me vi de volta ao meu corpo (Raduga: não tentou a re-entrada na FASE). Que vergonha não ter sido capaz de usar aqueles vestidos bonitos pelo menos na FASE!