Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 10 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 7

 

— Só isso?

— Aham. Eu também não acreditei

quando vi, então como sou

obcecado, comecei a pesquisa toda de novo. A história da vida da

garota é praticamente

uma releitura

da Cinderela,

com direito

a pai

morto, ter sido criada

pela madrasta que a detesta

e uma meia-irmã

que não vale nada — meu primo Odin fala ao telefone após me passar tudo o que descobriu sobre Harper Cecily

.

— Como sabe até mesmo sobre a dinâmica dentro da família dela?

Ele não responde e eu sacudo a cabeça. Às vezes eu me esqueço com quem estou falando. Odin não segue leis ou convenções sociais

quando o que está em jogo é alguém importante

para ele.

— Como eu ia dizendo, os parentes dela, os que restaram, não

valem nada. Sua Harper é uma princesa

precisando

ser salva, mas

sem o bônus de ter encontrando o príncipe

encantado. Na falta

dele,

mais um pouco e ela virará

uma santa, porque a menina não tem

sequer uma multa

de trânsito

no histórico.

Na verdade, uma garota, não menina, já que tem vinte anos. Jovem, mas adulta.

— Ela não é “minha” nada. Apenas o acaso colocou um na vida do outro. E desde quando entende de contos de fadas?

— Sei todos, sem exceção. Se tivesse

que escolher um marido

para minha filh

a, um príncipe

não seria

um mau negócio, embora eu

fosse ter uma conversinha com ele antes.

Contra todas as probabilidad

es depois do dia de merda que tive

ontem, eu sorrio. Eu não gostaria de estar na pele do pobre coitado candidato a genro de Odin.

— Elina

vai ser o equilíbrio.

Sua mulher vê o melhor em todas as

pessoas, o que é incrível, dado a família tóxica da qual provém.

— Elina

é meu anjo encarnado — diz e não pela primeira vez eu

me pergunto como alguém pode se encantar de tal maneira por uma parceira. Eu nunca experimentei nada nem perto disso.

Então, eu me lembro do meu irmão Zeus, antes inabalável em

sua autossuficiência e agora completamente rendido por Madison.

— Sobre as princesas,

espere nascer sua primeira

menina — ele

continua —, depois você me diz se não vai saber de cor todas elas.

— Não terei mais filhos. Joseph será meu único herdeiro.

— Nunca se sabe. Zeus também parecia

prestes

a entrar

em um

casamento de conveniência

sem qualquer chance de crianças no

futuro, no entanto, está aí com uma namorada grávida.

— É diferente. Meu irmão e Madison foram unidos pela mão do destino. Eu não tenho a menor intenção de encontrar alguém para me envolver a sério.

— Todos vocês são teimosos.

— E você está virando casamenteiro.

— Eu não, Elina, que quer muitos bebês na família.

Sorrio, ao pensar que aquilo é típico da esposa grega do meu primo. Ela é uma mulher maravilhosa e tem uma paciência infinita com crianças, tanto as deles quanto as dos outros.

— Então, sobre Harper, é isso mesmo? Atropelamos uma santa?

E o que diabos uma menina como ela veio fazer em Nova Iorque?

Interior

do Kansas, você disse? Nada poderia ser mais diferente de Manhattan.

— Para a sua primeira pergunta, a resposta é simples.

Deve ter

vindo tentar

a vida, como tantos outros. Viver

o sonho americano

no

sentido literal

— ele ironiza, porque nós dois sabemos que jovens vulneráveis podem se dar muito mal dependendo de quem atravesse seu caminho.

— Eu vou ajudá-la a voltar para casa.

— Talvez não seja o que ela quer, afinal,

tem pouco tempo que

veio para cá.

— Ela precisa apenas ser devidamente estimulada.

Eu lhe darei uma espécie de indenização por conta do atropelamento e a mandarei para o Kansas em um voo de primeira classe.

— Ela não teve qualquer sequela mesmo?

— Não. Hoje pela manhã fale

i com o médico ao telefone

e ele me

disse que a garota está bem. Mandei que um advogado a acompanhasse quando o detetive foi tomar o depoimento dela assim que despertou. Quando tiver alta, transferirei uma boa quantia

para que não retorne triste à terra natal e problema resolvido.

— E se ela não quiser ir?

— Não acredito nisso. Ela vestia roupas simples, na verdade, bem humildes e a mala já estava arrebentando o fecho. A garota está passando necessidade e claramente precisa de ajuda.

— Quem carrega uma mala em plena Manhattan?

— Exatamente. Acho que já estava indo embora. Na verdade, estarei lhe fazendo um favor

.

— Pode ser que ela o enxergue como alguém que está lhe matando os sonhos e não um salvador

.

— Não se ela for esperta. Você é muito pessimista. Estou tentando ser positivo nessa situação de merda.

— Não sou pessimista.

Sou realista

com tendências cínicas,

é

diferente.

— Tendências? Todos nós somos desconfiados para caralho.

— Sim, não tenho como negar. — Ele fica em silêncio por alguns

segundos antes de voltar a falar

. — Deixe-me saber como toda essa

história

terminou. Se houver algo que possamos fazer pela menina…

— Como o quê, por exemplo?

— Se ela não quiser ir embora, eu posso lhe arranjar um

emprego em uma das minhas empresas.

— Eu poderia fazer isso também — respondo, só Deus sabe a razão.

— Mas nem passou pela sua cabeça e sim, despachá-la o mais rápido possível.

O que estou tentando lhe dizer é: ouça o que ela quer. Não imponha. Pelo que descobri, não acho que ela deseje voltar

para o Kansas. Não há nada esperando-a lá, a não ser uma madrasta que parece que não a suporta e uma meia-irmã que é um

monstro de saias.

— Não sou responsável por ela. Pretendo lhe dar um tratamento justo, mas nossa ligação

se encerrará assim que eu tiver certeza de

que ela está bem e com dinheiro para se manter por um tempo.

— Tudo bem. Vou pedir que Elina a visite.

Com certeza

encontrará algum lugar na Associação para a garota.

— Por que se dar ao trabalho?

— Porque eu tenho uma porrada de defeito,

mas procuro ser

justo. A história de vida dela é fodida, ao que tudo indica. Sua garota é alguém solitário

e sem esperança que está tentando mudar o

próprio

futuro.

Não há nada de desabonador no passado de Harper ou eu teria

descoberto. Talvez ela seja apenas azarada para caralho e só precise de uma chance.

Mesmo depois que eu desligo, fico pensando no que ele falou.

Odin consegue ser ainda mais desconfiado

do que nós, à exceção

de Hades, claro.