Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 17
Minta
— uma voz avisa, mas eu já tenho muitas inverdades acumuladas para acrescentar mais uma à lista.
O olhar dele me diz que não vai desistir enquanto não obtiver uma resposta. Mesmo sem experiência de vida no que diz respeito a homens, sei que é uma conversa completamente errada para uma empregada e um patrão terem, mas não consigo lhe negar o quer saber.
— Não — falo, envergonhada e desviando meus olhos daquele céu cinzento que são os dele.
Agora, mais do que nunca, Dionysus vai saber o quão estranha eu sou. Quem, aos vinte anos, ainda não teve um namorado?
— Olhe para mim.
É uma ordem, mas também soa como um comando sensual e rouco, o que me arrepia.
Meu Deus, o que está acontecendo comigo? Só posso estar ficando louca!
Contrariada, volto a encará-lo.
— Não. Eu não tive tempo ou interesse nisso — revelo parcialmente a verdade.
Curiosidade eu tive, sim, afinal, sou uma leitora ávida de romances. O problema é ter nascido em uma cidade com cinco mil habitantes em que todos se conhecem e que tudo é comentado.
— E vontade, teve?
— Estou me sentindo como uma espécime em laboratório.
Acha
que sou anormal por não ter experimentado nada ainda? Eu não quero ficar com alguém por ficar
, quero que tenha um significado
para mim.
Eu poderia voltar para a festa, mas me sinto entorpecida, como se com o olhar, ele tivesse o poder de me manter parada e isso tanto é assustador quanto excitante.
— Eu não disse que ser inexperiente era anormal. Estou apenas surpreso.
— Por quê?
— Ainda não somos patrão e empregada, então vou falar livremente.
Aceno com a cabeça, concordando.
— Significa
que posso dizer o que quiser sem que se sinta assediada?
Outra vez concordo e vejo um canto de sua boca se erguer em um meio sorriso.
Tudo nele é meio hipnotizant
e. A cor da pele, a malícia
nos olhos,
a boca sensual cujo lábio inferior é um pouco mais cheio.
O homem consegue fazer meus hormônios entrarem em ebulição só me encarando e quis Deus que aquele a me despertar para atração sexual fosse o mesmo que é proibido para mim.
— Pergunte-me outra vez — ele fala, se aproximando.
— Por que ficou
surpreso quando eu disse que nunca estive com
alguém, doutor…
— Não, ainda estamos em um território
neutro, Cecily
. Diga meu
nome, sem essa de “doutor” ou “senhor”.
— Por que ficou
surpreso quando eu disse que nunca fiquei
com
alguém, Dionysus?
Ele está muito perto, quase colado em mim, sobre mim. Eu o sinto por todos os lados e gosto da sensação.
— Porque é linda, o que torna inacreditável que seja intocada.
Pisco, sem acreditar que ele disse aquilo.
— Está falando isso para me fazer sentir melhor ou por que me acha interessante mesmo?
— Interessante?
— ele repete com ironia e toca uma mecha do
meu cabelo, sentindo-a nos dedos, assim como o filho fez. — Não,
você não é interessante
, menina. É uma delícia.
O meu corpo enlouquece com a proximidade.
Eu esqueço-me da
festa e das pessoas. Esqueço o que vim fazer em Nova Iorque e que a partir de amanhã esse homem vai ser meu chefe. O que sei, é que quero mais disso. Um pouco mais
dele.
Encaramo-nos em silêncio
e eu me derreto com o brilho
de aço
cinzento que agora intercalado com labaredas, incandescentes e convidativas.
Os meus membros são como gelatina e meu pulmão não funciona como deveria. Todos os meus sentidos pertencem a ele e dentro de mim, uma voz, louca, imprudente e sem juízo, grita: meu.
Sacudo a cabeça, tentando clareá-la, mas não adianta. A sensação não passa porque o corpo grita pelo dele, febril e necessitado.
Ergo o rosto para poder vê-lo melhor porque ele é muito alto.
Agora estamos tão perto que sinto o calor de sua respiração.
Quero tocá-lo e sentir a rigidez
que adivinho
que seja sua carne e
fico com vergonha porque acho que ele consegue me ler completamente e sabe o que estou sentindo.
— Faça — ordena, confirmando minha intuição e fora de mim, dou um passo para perto. Seu tom de comando me faz estremecer e a pele inteira formigar
.
— Não devo.
— Não somos nada ainda, a não ser um homem e uma mulher.
Faça o que está com vontade, Cecily
.
Ouço um gemido como o lamento de um gato e, horrorizada, percebo que escapou de mim.
As narinas dele dilatam
e o olhar endurece. Sua respiração é tão falha quanto a minha quando se abaixa e sussurra no meu ouvido, os lábios roçando minha orelha:
— Toque-me. Será sua única chance. Não me relaciono com funcionárias.
Aquilo deveria me ofender porque ele está assumindo que tudo depende exclusivamente
da vontade dele, como se tivesse certeza
de que eu sucumbiria em um estalar de dedos. Já passei muito tempo da fase do orgulho, no entanto, e sua declaração me encoraja a fazer o que tanto desejo.
Pouso as duas mãos espalmadas em seu peito.
— Isso mesmo. Sinta minha carne. É isso o que você quer?
Eu não respondo e ele me segura o queixo para encará-lo.
— É o que você quer — repete, arrogante, e dessa vez, como uma afirmação.
— Sim, mas eu queria sentir o calor de sua pele também, porque mesmo pela camisa, você é tão quente… Como alguém pode ser tão quente assim?
Não sei mais o que estou dizendo. Eu apenas me concentro em pegar o que posso, lembrando do que falou.
Amanhã esse transe de
luxúria não será mais permitido.
Passo a ponta dos dedos em seu peitoral e paro nos mamilos, massageando-os, e um som rouco escapa de sua garganta.
Deixo a mão se inserir
no intervalo
entre os botões da camisa e
tomo um susto quando ele prende meu pulso.
— Eu não dou a mínima
que seja virgem. Se não fosse se tornar
a babá do meu filho amanhã, passaria a noite toda dentro de você.
Os joelhos
perdem a força no exato momento em que ele passa
um braço em volta da minha cintura.
— Meu Deus.
Eu tento me afastar porque não sei lidar
com aquilo.
As palavras
dele ligaram
de uma só vez todas as terminações nervosas do meu
corpo, como um interruptor que apenas ele soubesse onde fica localizado.
— Eu não posso ter você, mas quero que se lembre do dia de hoje quando for se deitar. Acaricie
sua bocetinha virgem para mim.
Pense que é a minha mão quando estiver molhada e gemendo de tesão.