Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 39 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 36

— A quem você fez a promessa que te trouxe a Nova Iorque?

Tomo um susto com a pergunta porque pensei que ele estava dormindo. Já é noite outra vez e nos resta pouco menos de duas horas.

Logo, vou deixar de lado minha fantasia de Cinderela, de namorada do grego sexy e voltarei a ser a Gata Borralheira.

Não — uma voz avisa — talvez não seja o fim e haja uma consequência desse encontro proibido.

Meu Deus do céu e se eu estiver mesmo grávida?

Eu me sinto como uma trapaceira porque isso me permitiria ficar

com Joseph para sempre, além de continuar com o homem por quem, agora sei, estou apaixonada.

Mas não é o que ele quer. Usou a palavra responsabilidade para

definir o que faria se eu estiver esperando um bebê.

Ele já tem um filho e por tudo o que sei, não estava procurando

uma nova esposa.

Jesus, que confusão!

Penso na pergunta que acaba de fazer, na verdade, uma continuação da conversa da qual fugi na cozinha. Eu poderia tentar a manobra outra vez, mas ele não é bobo. Ficará ainda mais desconfiado.

Além disso, meu corpo está esgotado, penso, escondendo um sorriso.

Dionysus cumpriu a promessa de fazer amor ou ao menos preliminares

em quase todos os cômodos da casa. Deu-me e exigiu

tudo, na mesma medida e depois de uma maratona de sexo, estou dolorida e exausta, mas saciada e feliz também.

Fora poucos cochilos, sua boca, mãos e sexo exploraram meu corpo, me fazendo gritar de prazer e implorar por mais.

O tempo todo, ele quis luz, me olhar, e no começo tive vergonha.

Eu sabia que fazer amor com alguém requereria uma boa dose de intimidade, mas é muito mais.

A entrega é absoluta, principa

lmente na hora do orgasmo. Depois

de tantos que me deu, tenho certeza, ele conhece todas as minhas vulnerabilidades.

Eu não entendo como as pessoas podem fazer sexo casual.

Trocar de parceiros a cada semana. Acho que se fizess e isso, me

sentiria vazia.

O prazer de possuir e ser possuída por alguém por quem nos sentimos atraídas é uma delícia,

mas e o depois? Porque com ele,

não importa o quanto eu saiba que o que tempos tem prazo para acabar, eu me sinto especial.

Eu nunca vou esquecer do modo como a expressão dele é tensa alguns segundos antes de gozar e como, ao se entregar ao nosso prazer, o rosto másculo e li

ndo relaxa, a boca buscando a minha

sem parar, mesmo após estarmos quase desmaiados de exaustão.

E quanto a fôlego, preciso dizer que ele ganha de mim com vários corpos de vantagem.

Dionysus é doze anos mais velho e ainda assim, tem um vigor inesgotável.

— Achei que nosso tempo juntos era voltado para me ensinar os prazeres do sexo. — Finjo

brincar, mas, na verdade, é porque não

quero trazer o nome de Keith à tona. Não ainda, ao menos.

— Conte-me, Cecily

. O que fez uma menina do Kansas vir se

arriscar em uma selva como Manhattan?

— Amor.

Estou deitada sobre ele e depois do que falo, sinto seu corpo endurecer de tensão.

— Veio por um homem?

— Sim.

— Olhe para mim.

Eu obedeço, mesmo com medo porque sei que estamos pisando em gelo fino.

— Vim por uma promessa e por amor a alguém, mas não do tipo homem-mulher.

— Amizade?

— Sim. Eu fui criada por minha madrasta. Ela não é uma boa pessoa. Já tinha uma filha

e quando meu pai morreu, fiquei

aos

seus cuidados.

Desvio nossos olhos, constrangida.

— Por que parou de falar?

— Não quero que sinta pena de mim. Não preciso de pena.

— Por que eu faria isso?

— Porque minha história de vida é um pesadelo. Eu passava fome, apanhava. Não ia a médicos e nem podia sair para brincar

.

— Cinderela — diz, mas o rosto contraído de tensão.

— O quê?

— Quando foi

atropelada, pedi ao meu primo para te investigar

—

fala e eu meio que já esperava aquilo. — Odin te comparou à Cinderela.

Ele descobriu sobre sua madrasta e sua irmã de criação.

Contou-me a respeito e disse que sua história

parecia a da princesa

do conto de fadas. Nunca imaginamos, no entanto, que fosse tão ruim. Onde essa filha da puta está?

— Vivendo na capital

do Kansas. Quando fiz

dezoito, saí de casa.

Abri mão de tudo que meu pai deixou. Só queria distância delas.

Ele acena com a cabeça, o rosto mais sério do que já vi até hoje.

— Por isso não queria voltar para seu estado.

— Não, é pela promessa que fiz.

— Onde esse amigo que tanto ama se encaixa nessa história?

Meu coração dispara. Eu pretendo contar para ele sobre Keith um dia, mas preciso mover as peças com cuidado.

— Ele era neto de uma vizinha.

Só ia passar as férias na minha

cidade, uma vez por ano, mas mesmo assim, quando chegava, era como se fosse natal. Os dias ficavam mais brilhantes e divertidos.

Ele me dava total atenção, carinho. Cuidava de mim. Mesmo depois que crescemos, ainda aparecia duas vezes por ano.

— Por que não te tirou daquele inferno?

— Não podia. Eu era menor de idade. Ele, quatro anos mais velho, mas nenhum juiz

deixaria

um jovem adulto se responsabilizar

por uma adolescente. Jodelle,

minha madrasta, tampouco permitiria.

Ela precisava de mim por perto até a maioridade porque eu teria que assinar um documento abrindo mão da casa do meu pai.

— Por que fez isso? Era sua por direito.

— Acho que foi criado em uma família,

amorosa, Dionysus. Por

isso não entende. Não há dinheiro que compense você conviver com quem odeia. E eu odiava as duas.

— Nunca tentou fugir?

— Tentei, sim e levei uma surra tão grande que quase morri.

Esse meu amigo… ele largou tudo e cuidou de mim, na casa da avó. Tentaram denunciar. Ninguém acreditou porque o xerife era primo de Jodelle.

Eu estava com dezessete, então meu amigo me

deu dinheiro para ir embora tão logo me tornasse maior de idade.

— Ele te amava.

— Sim, tenho certeza, mas não dessa maneira que está pensando. Acho que houve uma época em que ambos acreditamos que ficaríamos

juntos como um casal, não porque nos sentíamos atraídos, mas pela solidez do sentimento.

— Por que não aconteceu?

— Ele conheceu outra pessoa e com o passar do tempo, entendi que o que sentíamos era amor de irmãos mesmo. Combinamos que eu o encontraria quando fosse embora do Kansas, mas essa mulher com quem ele se casou não me queria por perto. Ela o convenceu a me esquecer.

— Ninguém convence o outro de tal coisa.

— Ele estava apaixonado. Eu não fiquei

com raiva. Continuamos

nos comunicando. Ele me fez prometer várias coisas com relação ao futuro — falo, vagamente —, e uma delas é que nunca mais deixaria que alguém me fizesse aceitar menos do que mereço.

— Onde ele está agora?

— Morto.

— Não tem mais ninguém, então?

Levanto-me, precisando de distância

para respirar. Não é isso o

que quero dele: carinho e amizade. Preciso do rompimento quando

a noite de hoje acabar

.

Desejo a relação profissional

de volta porque qualquer outra

coisa confundirá minha cabeça.

— Tenho a mim mesma e a Deus. — Finjo sorrir

.

— Aonde você vai?

— Tomar banho. Nosso tempo juntos está terminando.

— Não precisa acabar assim.

— Disse-me que não ia me dar outra chance.

— Está pedindo por uma?

— Não. Estou bem com apenas o hoje — minto e saio correndo para o banheiro.