Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 24
—
— Aconteceu alguma coisa — Elina afirma quando Zoe, a esposa de outro primo de Dionysus, entra no provador
.
— Você tem bola de cristal?
— Não. Sou apenas observadora. Por muito tempo ouvi mais do que falei e aprendi a decifrar as pessoas. Conte-me.
Eu poderia falar
sobre minha noite insone depois da conversa
para lá de inadequada com meu chefe, mas não sou tão corajosa assim, então opto por relatar o telefonema de Peyton.
Depois que me vesti e peguei a babá eletrônica, esperei, monitorando-o pelo aparelho até a hora em que ele saiu do quarto.
Eu o vi puxar a cadeira de balanço e observar o filho no berço. Ficou ali por muito tempo e o contraste entre o pai amoroso e o homem sedutor é tão encantador que enlouquece todo meu sistema.
— Lembra que eu te contei que tenho uma irmã de criação e uma madrasta?
— Sim.
— Peyton, a quase irmã que nunca foi nada para mim além de uma estranha, me ligou. Queria me visitar em Manhattan.
— E isso seria tão ruim assim?
Penso se devo contar a minha história para ela, mas não quero que sinta pena de mim, então, resumo tudo.
— Depois que meu pai morreu, fiquei
sob a guarda de
Jodelle,
minha madrasta. Enquanto morei com elas, a vida foi um inferno. Eu quero distância das duas.
— Disse isso à sua irmã?
— Ela não é minha irmã.
Lembro de Keith. Ele sim foi o único amigo que tive.
— Ainda assim, ela tem o poder de lhe chatear
.
— Eu sei. Pensei sobre isso. Ainda permito que me magoem.
— Às vezes não é questão de permitir . Somos humanos,
falhos e emoções são difíceis
de serem contidas na maior parte do
tempo. Quer ouvir um conselho de alguém que veio de uma família totalmente disfuncional?
Aceno com a cabeça, fazendo que sim.
— Não se cobre tanto. Ninguém é forte o tempo todo. Não precisa ser perfeita,
basta aprender a dizer o “não” e ficar
bem com
isso. Disse que elas eram más para você, então não deve nada a nenhuma das duas.
— Obrigada, Elina.
— Vai ser esse — Zoe, uma ex-top model linda
de viver, sai
da cabine dentro de um vestido cor de champanhe. — Já escolheram o de vocês?
— Cici está entre o vermelho e o rosa chá.
— Vermelho, sempre! — a esposa de Christos diz.
— Para combinar com o cabelo? — pergunto desanimada.
— Amor, não tem como esconder seu tom de cabelo. É uma ruiva natural e algumas mulheres dariam um braço para ter fios dessa cor. Eu voto no vermelho sem sombra de dúvidas.
— É cinco vezes o que posso dispor em uma roupa desse tipo. A chance de que eu seja convidada para outro casamento é bem pequena e se acontecer, provavelmente vai ser entre vocês, o que significa
que não vou poder repeti-lo. É um investimento alto para usar uma vez só.
— Para sua sorte, essa loja
me pertence — a amiga da grega
fala. — Escolha o que quiser
, vai ser presente.
Olho para Elina com vontade de enforcá-la e beijá-la ao
mesmo tempo.
— Fez de propósito — acuso. — Por isso me disse para vir com vocês.
Ela dá de ombros, nem um pouco constrangida.
— Fiz, sim. Sabia que não aceitaria
se eu oferecesse, mas
não pode fazer uma desfeita a Zoe.
O telefone
dela toca e enquanto converso com Zoe, que tenta
me convencer a levar também sandálias prateadas combinando, a esposa de Odin se afasta para atender
.
Quando volta, cinco minutos depois, diz:
— Dionysus vai viajar
. Deve voltar só na véspera do
casamento. Pediu que eu ficasse
com Joseph até lá, o que significa
que tem todas as noites livres a partir de hoje, Cici.
— Ele não confia em mim para ficar sozinha com o filho
—
falo o óbvio e apesar de estar desapontada por apenas vinte e quatro horas depois já ser separada do menino, não tenho como deixar de entender a posição do meu chefe.
Para ele, sou uma estranha, então não confia que eu fique sem supervisão com seu herdeiro enquanto viaja.
Elina concorda com a cabeça e com seu jeito nada diplomático, fala:
— Eu também não confiaria
em você, no lugar dele. Não me
leve a mal, mas é recém-contratada e de jeito
nenhum eu sairia
da
cidade e a deixaria com meus filhos com tão pouco tempo trabalhando para mim.
— Olhando por esse ponto de vista… — falo,
procurando não
me chatear muito.
— Pense pelo lado positivo:
tem uma casa de quase mil
metros quadrados somente para você. Três piscinas e nada de chefe rabugento para perturbar.
— Ele não é rabugento. Não muito, ao menos — completo e as duas gargalham.
— Claro que não. Os homens gregos são todos uns amores
— Zoe debocha. — Agora vamos ao que interessa: qual penteado usaremos?
É estranho ter uma mansão à minha disposição, mas quando
cheguei da farra de compras com Zoe e Elina, Barbara me disse que foi
orientada pelo “doutor Kostanidis” para que eu ficasse à vontade.
Sabe aquela história de “quem procura, acha”?
Foi o que aconteceu.
Depois de rodar a casa inteira
tentando me familiarizar
, sigo
para a bibliote
ca, certa de que Dionysus não vai se importar se eu pegar um dos seus livros.
Assim que dou alguns passos para o interior
do aposento, no
entanto, sinto como se tivesse levado um soco na boca do estômago quando vejo uma foto dele com um braço em volta do ombro de Sue e o outro segurando Joseph.
Sei que ela está morta, mas eu não consigo deixar de odiá-la.
Não, ódio é pouco. Eu a desprezo com todas as minhas forças.
Saio correndo porque mesmo a imagem dela me faz mal. Eu me sinto sufocar ao me lembrar do que ela fez.
Subo as escadas correndo e troco o pijama por um biquíni.