Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 1
Sou a última esperança
dele.
Capítulo 1
Nova Iorque
Um ano depois
Vou até a janela da sede da minha emissora de TV, me sentindo sufocado. Há muito tempo tenho andado assim e sei a razão: a tensão pelo inesperado; de não saber de onde o inimigo pode surgir — ou quando.
Como meus três irmãos, a necessidade por controle está enraizada em meu DNA. Qualquer coisa que desalin he a vida
rigidamente programada altera meu humor. Isso se torna infinitamente pior se envolve meu filho, Joseph.
Penso na criança que deixei em casa pela manhã e pela milésima
vez me questiono se estou fazendo tudo direito para que seja feliz.
Insegurança está longe de ser uma das minhas características, mas quando se trata da criação de um bebê, estou
caminhando no escuro, sem qualquer previsão de quando surgirá uma lanterna.
Passo as duas mãos pelo rosto, pensando na babá que tive que demitir há alguns dias. Ainda que tenha tomado todas as precauções possíveis e contratado-a através da melhor agência de Nova Iorque, isso não impediu
que a mulher negligenciasse
Joseph
para foder um dos guarda-costas no porão da minha casa.
Lembrar do episódio faz meu maxilar contrair. Sou absolutamente obcecado pela segurança do meu herdeiro porque sei muito bem o que um descuido pode causar
.
Um amigo muito próximo, Ricco Moretti[1], perdeu o filho em
uma tragédia que poderia ser evitada caso as devidas precauções tivessem sido tomadas.
Pensar no meu menino em perigo me dá a sensação de ter uma bola de ferro no estômago, ainda mais porque minhas jornadas
de trabalho são intensas e preciso confiar em terceiros, além de mim, para garantirem seu bem-estar
.
A família
próxima se resume a meu irmão mais velho Zeus[2], Ares e Hades.
Há Odin[3] e a esposa dele, Elina, também, mas apesar da mulher do meu primo ter fica
do com Joseph algumas vezes quando
precisei viajar
, ela tem seus próprios filhos
e o trabalho em sua
Associação para tocar.
A tarde cai rapidamente e uma chuva fina começa a molhar as calçadas de Manhattan. O céu fechado, de um cinza chumbo, vai ao encontro do meu humor.
Volto para a minha mesa e olho a fotografia
de Joseph. Ele
não sorri muito. Na verdade, quase nunca. Parece um miniadulto: observador e introspectivo, o que sempre me faz questionar se é feliz.
Quero dizer, não é como se antes dele nascer eu fosse um especialista em bebês, mas sempre os imaginei sorridentes.
Não o meu menino. Mesmo quando me sento em seu quarto para brincar, tenho a sensação às vezes de que ele me observa e
que sabe segredos dos quais desconheço.
Eu li a respeito da relação intrauterina entre mãe e filh o e
também procurei psicólogos
para entender a apatia dele. Por tudo que pude descobrir, os fetos sentem as emoções da mãe e Deus sabe que a gravidez de Sue, minha falecida esposa, não foi fácil.
Observando de novo a imagem de Joseph, tento, como sempre, encontrar semelhanças entre meu menino loiro e de olhos
negros, com os olhos verdes e cabelos castanho-escuros da mãe morta. Não há. Como uma lembrança ou um castigo, Joseph se parece com o filho da puta que contribuiu em sua concepção.
— O que vai fazer? — meu irmão Ares pergunta, me trazendo de volta à realidade.
— Continuar no mesmo caminho que tenho percorrido: usando de todas as armas possíveis para proteger meu filho e
impedir que o levem de mim. Eu mandei que investigassem qualquer parente vivo dos dois. Sue e Keith, o falecido marido dela,
aparentemente não tinham ninguém, mas estou agindo por precaução.
Desde que Sue morreu, eu tenho tentado nos proteger legalmente de qualquer tentativa de extorsão ou pedido de guarda
de um parente distante do bastardo do seu pai biológico.
Com
ambos os pais mortos, a minha única ligação
com meu filho
é o fato
de eu ter adotado-o assim que que nasceu, mas hoje a banca de advogados que cuida do caso me avisou que mesmo que seja improvável
que consigam tirá-lo
de mim, podem iniciar
uma batalha
na justiça que se arrastará por anos.
Ele me olha em silêncio
por um tempo e eu sei o que está
pensando: que eu não preciso passar por nada daquilo.
Ares está enganado. Joseph se tornou o centro do meu mundo.
— E quanto ao jantar de hoje?
— Não acho que eu vá conseguir ir. De qualquer modo, por que precisamos estar os quatro lá ao mesmo tempo?
Ele dá de ombros.
— Não precisamos. Eu já fechei o acordo com Rey Cardona de la
Vega[4]. Seria mais para nos reunirmos mesmo. Uma homenagem ao nosso avô.
O argumento faz com que eu me sinta culpado. Nós perdemos nossos pais e no leito de morte de nosso avô,
prometemos respeitar as tradições familiares e nunca ficarmos
muito tempo sem nos ver, o que parece cada vez mais difícil por
conta das atribulações que cada um de nós têm.
— Soube que houve uma confusão com relação à dançarina nova naquela noite em que Rey esteve lá, né?
— Confusão? Eu não chamaria assim. Madison se equivocou e deu uma dança privada para Zeus, mas ele sabia o que estava fazendo e que não deveria estar ali. Acho que nosso irmão ficou obcecado por ela. — Ele pausa e sorri. — E o que é mais engraçado é que a menina está fazendo Zeus suar
.
— Não vai durar. Em poucos meses, a mulher perderá o encanto. Como nós, Zeus quer ser desafiado.
Até hoje nenhuma das mulheres com as quais nos relacionamos, mantivemos por muito tempo e se eu for honesto comigo mesmo, até mesmo o envolvimento
com Sue seguiu adiante
muito mais por Joseph e minha vontade de mantê-lo por perto, do que por qualquer vínculo mais forte entre mim e a mãe dele.
— Eu não sei. Madison é diferente
de todas as mulheres que
ele já teve. É jovem, mas não baixa a cabeça para ninguém.
— Virou um romântico agora? — ironizo.
— Sem chance. Romance não é para mim.
— Com o exemplo que tivemos em casa, para nenhum de nós, eu diria.
O celular acende com uma mensagem e Ares ri porque reconhece o toque. Desde mais novos, temos isso em comum em nossos telefones:
um som de chamada que ele, meu irmão rebelde e o segundo mais velho, apelidou de disque-putaria.
Embora nenhum de nós seja mais criança, mantivemos o alerta para reconhecer quando é uma das nossas mulheres que nos liga ou quando se trata de negócios.
— Precisando que eu fique com Joseph outra vez? —
pergunta. — Talvez foder faça seu humor melhorar
.
Eu ignoro a mensagem. A mente agora totalmente focada no meu filho.
— Eu vou encontrar outra babá noturna, obrigado. Da última vez que tomou conta dele, meu menino estava assistindo desenho
quando cheguei às três da manhã.
Ele não parece se sentir culpado.
— Nós dois ficamos com insônia e Joseph é uma ótima companhia.
Todos os meus irmãos o aceitaram como um Kostanidis, apesar de saberem que não é meu filho biológico.
Nunca vi a mim mesmo como alguém capaz de cuidar de uma criança, sendo meu ou não, e me surpreendeu, quando conheci Sue grávida do cretino do ex-marido dela, que o diabo o mantenha no inferno, a forte ligação
que tive com o bebê quando
ainda estava na barriga da mãe.
Em todos os aspectos que contam, Joseph é meu. Eu o registrei e cuidei dele mesmo antes de nascer
.
Vejo meu irmão levantar e se encaminhar para a porta.
— Avise-me se mudar de ideia sobre o jantar
.
— Não vou. Tirarei a noite para o meu filho.
Vou ter que viajar
dentro de algumas semanas e preciso compensar esse tempo que ficaremos separados. Quanto à babá da noite, caso não consiga
uma até lá, terei que deixá-lo com Elina
[5].
Ares sorri.
— Tenho certeza de que meu sobrinho vai preferir a mulher de Odin a uma babá. Ele é um Kostanidis
completo:
como nós, não
gosta de estranhos à volta.
Joseph é um bebê triste e que não parece confortável com qualquer um que não sejamos nós. Até mesmo Sue implicava com
isso:
que o carregara dentro do corpo durante nove meses e que, no entanto, o menino só parecia ter olhos para mim. Aos poucos, foi se
acostumando com os meus irmãos também.
— Tudo bem. E quanto ao seu encontro aí — diz, fazendo um gesto de cabeça para o celular
—, se precisar que eu fiqu
e com ele,
basta me avisar com antecedência.
— É esse que você quer? — pergunto ao meu filho,
que tenta
pegar um bloco de montar das minhas mãos.
Estamos sentados no chão de seu quarto de brincar e quando cheguei em casa, vim direto encontrá-lo, parando apenas para tirar sapatos, meia e o paletó do terno.
Ele acena com a cabeça, fazendo que sim.
— Diga:
nαί[6].