Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 2
— Naiiiii
— repete, estendendo a última letra e eu me sinto orgulhoso do meu menino.
Depois de observá-lo colocar a peça no lugar certo, estendo minha mão para ele.
Como sempre, Joseph não hesita, e vem para os meus braços.
Eu o aperto contra o peito, pensando na conversa que tive com Ares.
Todos os meus irmãos são assombrados com a mesma preocupação que eu: de que no futuro, alguém da família biológica
dele venha reivindicar a guarda do meu menino.
— Não vai acontecer, filho.
Eu não vou deixar que pessoas
daquela laia te criem. Eles nunca saberão onde você está.
Capítulo 2
Ilha de Manhattan — Nova Iorque
Meses depois Aperto a alça da mala com força para tentar me acalmar, mas meu coração bate tão rápido que eu me sinto enjoada.
Manhattan parece ainda mais assustadora ao vivo do que nos filmes.
Carros passam por todos os lados, tocando buzinas e talvez demonstrando o temperamento de seus proprietários.
A ilha inteira grita impaciência
e pressa. Totalmente na
contramão da pacata vida que levei até pouco tempo.
Descanso a bagagem aos meus pés enquanto olho em volta.
Estou cercada de arranha-céus.
É assim que chamam os edifícios
tão altos que tornam
impossível ver o sol.
A cidade, mesmo pela manhã, está parcialmente
oculta nas
sombras dos prédios e eu me pergunto como alguém pode ser feliz vivendo nessa selva de concreto e aço.
Pouso os dedos sobre a testa e sinto o suor frio que a recobre.
Deus, eu quero voltar para casa.
Não há a menor chance disso funcionar
. Qualquer um que
olhar para mim vai saber que sou uma caipira
do interior
do Kansas,
antes mesmo que eu abra a boca.
As pessoas em Manhattan se vestem tão bem! Não há qualquer um aqui no centro financeiro
da cidade usando jeans
surrado e um All
Star que se eu não tivesse um apego sentimental
tão grande a ele, já deveria ter ido para o lixo há tempos.
Não seja covarde, Cici. Lembre-se da conversa entre as enfermeiras.
Você sobreviveu por milagre, então talvez aquela
história de que tem sete vidas seja verdade.
É provável que eu vá precisar de mais uma delas hoje, porque não posso me dar ao luxo de morrer.
Como se meus pensamentos tivessem eco, um carro se aproxima da calçada em alta velocidade e quase me causa um infarto. T
omo um susto e tropeço para trás.
Jesus, pelo visto todos nessa cidade gozam do privilégio de
vidas extras, caso contrário, como poderiam sobreviver a um trânsito que parece repleto de pilotos de fórmula um?
Alguém esbarra em mim e eu quase deixo a mochila
cair no
chão.
Eu não posso ficar parada o dia todo na calçada. Preciso resolver se terei coragem de fazer o que planejei.
Não há alternativa
— uma voz avisa. — Hoje é o dia.
A bile
sobe à minha garganta e, nervosa, me encaminho para o edifício
do banco Kostanidis
em uma última
tentativa desesperada
de encontrar uma solução menos drástica.
A sede do banco da família
é para onde o doutor Dionysus, o
terceiro filho
do clã de banqueiros e também dono de uma grande
emissora de TV, vem todas as tardes.
Há duas portarias, eu sei. Uma que leva para o interior do estabelecimento
comercial
e a outra, ao lado, que é a entrada dos
escritórios. É para lá que devo me dirigir
.
— Boa tarde — falo, colocando meu melhor sorriso e cumprimentando um dos seguranças que guarda a entrada.
— Não pode passar se não tem crachá, senhorita. O ingresso é exclusivo para funcionários.
— Eu preciso falar com o doutor Kostanidis.
Assim que as palavras me escapam, sei pelo olhar do homem para mim que a abordagem foi um erro.
E como para confirmar
, ele diz:
— Qual dos quatro?
Eu não acho que ele queira mesmo uma resposta e sim, que está me analisando.
— O doutor Dionysus.
O que diabos pensa que está fazendo, Cici? Não vai conseguir passar soando tão insegura assim.
— Marcou horário?
Agora tenho certeza de que o homem além de desconfia do,
está internamente rindo de mim. Sua expressão deixa claro que sabe a resposta: eu não tenho horário com o grego poderoso porque sou uma ninguém.
— Não, mas é importante.
— Não perca seu tempo, senhorita. Qualquer que seja seu motivo, posso lhe garantir que não conseguirá chegar até ele. Seria mais fácil tentar ser atendida por Deus.
E não é o que estou fazendo? Ao que me consta, todos os quatro homens Kostanidis, que receberam dos pais os nomes de deuses gregos, o são na vida real também. Eles teriam dinheiro para viver várias encarnações bebendo champanhe francês no lugar de água se quisessem.
Ele agora me olha de alto a baixo e foca na minha mala também.
— Eu vou te dar um conselho de graça, menina. Parece muito jovem e claramente não é daqui. Volte para seu lugar ou a ilha vai te devorar viva.
— Eu não posso. Tenho uma promessa a cumprir.
— Se essa sua promessa tem a ver com o doutor Dionysus, é melhor dizer à pessoa a quem prometeu que terá que voltar atrás. A chance de que consiga falar com ele é nula.
Penso no que está dizendo e meu coração se contrai.
Como eu pude acreditar que o magnata grego me escutaria se eu contasse a minha história? Achei mesmo que ele acreditaria em mim? É provável que mandasse me internar
.
Não. Antes, ele talvez
mandasse me internar. Agora,
desejaria mandar me prender
.
O olhar do homem já não é mais arrogante, e sim, solidário. Provavelmente porque ele consegue enxergar o desespero no meu rosto depois do que me disse.
Qualquer fio de esperança que eu tinha se foi. Não me resta alternativa. Eu terei que tomar uma medida drástica.
Lembro-me das reportagens que li a respeito do homem do qual devo me aproximar. Na verdade, recordo-me do que li sobre a
família inteira.
Empresários implacáveis. Bilionários. Inacessíveis.
Essa última parte eu pude atestar por mim mesma. O homem se mantém dentro de uma fortaleza. Há uma semana eu tenho vindo todos os dias e não posso mais esperar. O dinheiro que usei para pagar a estada no hotel se esgotou e essa é a razão de eu estar com minha mala hoje.
Caso não consiga meu intento, terei que voltar para o Kansas e começar a planejar tudo de novo.
Meu Deus, me ajude a não falhar
.
Os Kostanidis são uma espécie de família
real — não só
muito ricos, mas poderosos também.
Eu não tenho dúvida de que se o doutor Dionysus descobrir quem sou e por que estou em Nova Iorque, mesmo sem saber da história
completa, me mandará para longe. Ele dará um jeito
de que eu nunca mais me aproxime e então eu terei falhado irremediavelmente,