Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 19
— O que te fez mudar de ideia? — Ares pergunta ao meu lado, fazendo um gesto de cabeça em direção a Cecily
, que segura
meu filho em seus braços.
A senhora Nuttle foi embora há cerca de meia hora, sem sequer se importar que Cecil
y nunca tenha ficado
a sós com Joseph
antes. São esses detalhes que me dizem que as funcionárias atuais
não ligam para o meu filho
realmente. Não têm afeto pelo meu
menino, apenas o encaram como um trabalho qualquer
.
Sinto os olhos dos meus três irmãos em mim e sei que esperam por uma resposta.
— Não é óbvio?
— O quê? Que ela é linda e você não consegue desviar o olhar? — Ares debocha.
— Cretino. Estou falando da fascinação
imediata de Joseph
por ela. Quando você já o viu reagir assim a um estranho?
Ele não responde porque sabe que tenho razão.
— Tem certeza de que ela é uma boa pessoa?
— Eu virei o passado de Cecily
do avesso. Duas vezes —
Odin diz, atrás de nós. — Dionysus acaba de contratar uma santa.
— Ela vai morar na sua casa? — agora é Hades quem pergunta.
— Vocês tiraram o dia para encher o meu saco? Cecily vai
morar na minha casa como a anterior a ela o fazia. Durante o dia, ficará li
vre para cuidar da própria vida e, à noite, tomará conta de Joseph até eu chegar, quando assumirei.
— Ela te atrai — Zeus fala, rindo.
— É inacreditável
como a perspectiva de se casar com a
mulher que ama e também se tornar pai em breve mudou seu humor, irmão mais velho — ironizo.
Ele dá de ombros, sem comprar minha provocação.
— Nunca me senti como se vivesse minha própria vida, e sim, o que alguém havia designado para mim. Pela primeira vez, fiz escolhas sem precisar colocar o bem-estar da família a frente do
meu.
— Mesmo antes de Madison aparecer, já deveria ter esquecido aquela promessa, Zeus — Ares diz. — Nosso avô não tinha o direito de ter te pedido aquilo e no fim de tudo, para quê?
Estão todos mortos. Nossos pais e os algozes deles. Do que serve orgulho e vingança agora?
— Fale por você — Hades rosna. — Vingança é, no mínimo, para termos a satisfação
de que um filho
da puta não saiu impune e
que não causará danos a outro inocente.
— Não me levem a mal. Sou totalmente a favor da retalia ção.
Olho por olho, dente por dente é o meu norte — meu segundo irmão mais velho continua —, mas não quando isso modifica completamente a nossa vida.
Sei que Ares está dizendo isto diretamente para Hades, que vive em busca da destruição de seus inimigos.
O caçula da nossa família não se abala.
— Inimigos devem ser destruídos sem clemência.
Sacudo a cabeça, pensando em quão fodido cada um de nós
é.
Incapazes de aprofundar um relacionamento
homem-mulher,
de perdoar. De confiar
, a não ser na família.
O único a escapar desse estigma foi Zeus.
— Eu preciso ir — falo.
— Tenho que providenciar
a mudança
de Cecily
.
— Não a deixe sozinha com o garoto no início.
— Caralho, Hades, você está se tornando mais obcecado do que eu — Odin diz. — Elina
está há semanas convivendo com a
garota e minha mulher é uma boa julgadora
de caráter. Nunca teria
inserido Cecily em nosso meio se pensasse que ela não presta.
Sacudo a cabeça, sorrindo. Nossa família
toda, de ambos os pais, é composta por um bando de bastardos paranoicos.
— Vejo vocês no casamento — falo.
— Se precisar que eu vá vigiar sua nova funcionária, é só
avisar — Ares diz, sorrindo, e eu sei o que isso significa.
— Não chegue perto de Cecily
.
— Por que não? Não a estarei empregando diretamente e há muito tempo não saio com uma ruiva natural.
— Não vou te avisar novamente.
O sorriso dele aumenta.
— Porque ela é só sua, né?
— Não tem nada a ver com isso. Cecily
será apenas minha
funcionária.
Dessa vez, todos sorriem, até mesmo Odin, e fica
claro que
não acreditam no que falei. Minha irritação aumenta.
Ando para onde meu filho
está, nos braços da mulher que é
uma tentação para mim, mas muito proibida também.
— Vamos? — pergunto a Cecily
, como se me dirigisse
a
qualquer outro empregado.
O que aconteceu hoje mais cedo foi um erro. Devo manter distância,
ainda mais agora que vi o quanto meu filho
se encantou
por ela. Talvez Cecily seja mesmo a funcionária ideal.
Ela me encara, parecendo confusa, mas logo em seguida se levanta com ele no colo ainda.
Só então percebo que Joseph adormeceu.
— Pode me dar. Ele é pesado.
— Eu dou conta — diz. — Vou com vocês até o carro.
— Eu a levarei para casa e amanhã pedirei para Anderson fazer sua mudança.
Nada do que eu digo tem qualquer emoção. Soo propositadamente indiferente
porque será melhor para nós dois que
seja assim.
— Aceitarei a ajuda com a mudança — ela responde, no mesmo tom. — Mas não a carona para casa. Madison disse que me levaria.
Chegamos ao meu carro e ela passa Joseph para o meu colo. Nossos braços roçam e por um instante, ambos congelamos o movimento.
— Eu vou te levar — repito, porque quero controlar nem que seja uma pequena parte da vida dela.
— Por quê? Já disse que não precisa… senhor
.
— Vai ser minha funcionária.
É natural que eu tente facilitar
sua vida — digo com indiferença,
como se estivesse comentando
sobre o tempo, enquanto coloco Joseph na cadeirinha do banco de
trás.
Quando torno a me erguer e a encaro, ela parece entender o que estou fazendo.
— Serei sua funcionária
sim, mas apenas quando estiver em
sua casa e no meu turno de trabalho. Fora isso, com todo respeito, doutor Kostanidis, tenho minha própria vida para cuidar
.
Ela começa a se afastar, mas seguro seu braço, mesmo sabendo que Anderson, assim como as outras pessoas da festa, podem nos ver.
— Está sendo teimosa.
Ela tenta esconder um sorriso, mas falha.
— Não. Estou sendo prática. Pelo que Elina me contou, sua