Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 17 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 14

— Eu nunca te vi nas reuniões de família.

Olho para trás para ver quem falou

comigo e me deparo com um

homem bonito, que deve ter por volta dos trinta anos. Ele tem cabelos de um loiro escuro e corpo atlético, mas não é isso que chama a atenção e sim, o sorriso amigável.

— Olá. É a primeira

vez que venho. Estou trabalhando há pouco

tempo com Elina.

— Na Associação? — Aceno com a cabeça, concordando, e ele estende a mão em cumprimento. — Meu nome é Cage Sinclair

. Eu

trabalho no banco Kostanidis.

Não hesito em aceitar o cumprimento porque simpatizo com ele instantaneamente.

— Cecily — digo, porque de onde venho as pessoas não são formais, apresentando-se com nome e sobrenome.

— Combina com você — diz, de maneira enigmática,

mas é tão

amistoso que não sei se acabou de me elogiar com segundas intenções ou se está apenas sendo gentil mesmo. De qualquer modo, interagir com estranhos, ainda mais tão bem vestidos e cheirosos como ele, me deixa nervosa.

Não daquele tipo de nervosismo como aconteceu com o grego arrogante, mas uma espécie de fobia social mesmo.

— Obrigada. Eu vou dar uma volta e ver se Elina precisa de ajuda — minto, porque a vi há cerca de dez minutos e ela me disse para aproveitar a festa.

— Por que a pressa? Fui muito agressivo na abordagem?

— Meu Deus! — falo, rindo e sentindo o rosto esquentar

.

— O quê?

— Não foi agressivo, mas é bem direto, né?

— Ah, sim. Desse pecado eu sou culpado mesmo. De onde você é? Não estou conseguindo identificar seu sotaque.

— Sou do Kansas.

— Hum. Está explicado.

— O que isso significa?

— Significa que ainda não se contaminou com o mau humor dos

novaiorquinos.

— Você não é mal-humorado.

— Não sou novaiorquino, tampouco. Nasci em Miami.

— Achei que Miami

era só destino de férias.

As pessoas nascem

lá?

Ele gargalha, mas em seguida me olha intensamente.

— É muito cedo para pedir seu telefone, Cecily?

Mordo o interior da bochecha, sem saber o que responder. Ele não me atrai, mas o que há de errado em fazer amizade?

Como se estivesse lendo meus pensamentos, diz:

— Eu não mordo. Só imaginei

que não tem amigos na cidade

ainda.

— E quer ser meu amigo?

— Por que o espanto?

— Sou do Kansas e não de Marte, senhor…

— Cage.

— Okay, Cage. Sei que quando homens como você pedem o telefone de uma garota é pensando em algo mais e eu não sou do

tipo casual — falo e fico vermelha, porque vejo como aquilo soou estranho —, quero dizer, não estou procurando um namorado também, mas se o que quer…

Jesus, me mate.

Por que no céu estou fala

ndo esse monte de bobagens? O

homem só pediu meu telefone, não a minha mão em casamento.

Para meu alívio, quando o encaro, ele está sorrindo.

— Você é linda, Cecily

, mas o que estou oferecendo, por

enquanto, é amizade. Mas tudo bem se não se sentir confortável para me dar seu telefone. — Ele tira uma carteira do bolso de trás do jeans e pega um cartão. — Fique com o meu para os dias solitários.

Sou do tipo que responde mensagens, então não há problema em enviá-las de madrugada.

Eu pego o pedaço de papel e me sinto uma caipira.

— Desculpe-me os maus modos. Não estou muito acostumada a lidar com desconhecidos.

— Talvez seja isso o que a faz tão fascinante — ele diz, dando uma piscadinha e em seguida se afasta.

Estou me preparando para sair quando, de repente, sinto meu coração parar dentro do peito porque no fim do corredor, está a razão de eu ter arriscado todas as apostas da minha vida: Joseph. Ele já está andando e fecho os olhos por um instante, emocionada. Talvez eu não devesse me aproximar, mas não posso me impedir

.

Ando com cautela e vejo uma babá, vestida de calça e jaleco branco, acompanhando de perto os passos do pequenino.

Ele olha para o chão, não me vê ainda. Está a cerca de cinco passos de distância e eu me ajoelho, esperando.

Parece muito satisfeito consigo mesmo por executar a caminhada, conversando e mexendo os bracinhos até que para na minha frente.

Ele ergue a cabeça e nossos olhos se encontram.

É uma criança linda. A mais linda do mundo para mim.

Sinto minha garganta travar e fico imóvel porque Elina me explicou

que ele não gosta muito de estranhos. E então, um milagre acontece. Ele estica a mãozinha e agarra uma mecha do meu cabelo.

Concentrado nela, com a outra, deixa os dedos percorrerem os fios.

— Olá. — Arrisco-me a cumprimentá-lo.

Ele me olha, mas não parece assustado.

Estou louca para abraçá-lo, mas sei que se o fizer

, porei tudo a

perder.

— Meu nome é Cici e o seu?

— Shiiishiiiii.

— Isso mesmo, eu sou a Cici, Joseph.

Ouço passos da babá se aproximando.

— Como sabe o nome dele? — a mulher pergunta, parecendo desconfiada.

— Elina me disse — respondo, mas minha atenção ainda é do garotinho. Eu não estou fazendo nada de errado. — Meu nome é Cici.

— Sim, eu ouvi. Sou a senhora Lisa Nuttle.

— Muito prazer.

Ela ignora o cumprimento e acho que só me disse o nome mesmo por mera formalidade

porque, em seguida, tenta afastar

Joseph de mim, lhe oferecendo a mão.

O menino nem olha na direção dela, parecendo encantado com meu cabelo.

— Shiiishiiiii.

Eu sorrio, feliz que ele tenha gravado meu nome.

— Sim, Cici, meu lindo. V

ocê é tão esperto!

Como se entendesse que estou elogiando-o, ele abre o maior sorriso e se joga no meu colo.

Eu abro os braços para recebê-lo e quando sinto seu calor e cheirinho, preciso fazer força para não chorar

.

— Ele nunca fala com estranhos — a mulher diz.

— Deve ter gostado de mim — respondo, mas sei que estou revelando demais ao me mostrar tão apegada ao menino, então, após fazer um carinho no rosto dele, o viro em direção da babá e me ergo.

Quando estou de pé, vejo Dionysus me encarando do outro lado do corredor.

O rosto está sério e eu tenho certeza de que estava nos assistindo.

Ai, meu Deus, o que eu fiz?

Tentando o meu melhor para continuar calma, me despeço de Joseph e me preparo para ir embora, mas o garotinho vem atrás e se agarra à minha perna.

Eu não posso me mexer. Mesmo que eu saiba que corro riscos, não vou deixá-lo se quer que eu fique.

— Hey, filho.

— Ouço a voz do grego e meu coração acelera. —

Está fazendo amizade com a Cecily?

Olho para trás e a despeito de estar falando com Joseph, os olhos de Dionysus estão em mim.

— Shiiishiiiii.

— Como vai, doutor Kostanidis?

Ele não responde e vejo pela minha visão periférica a babá se

afastando.

Meu nervosismo aumenta.

— O que estava fazendo perto do meu filho?

— pergunta, em um

tom mais baixo.

— Só o cumprimentando — falo,

com um nó na garganta e louca

para fugir

.

Entretanto, parece que o herdeiro do grego me quer por perto, porque agora agarra minhas duas pernas.

— Seu pai quer ficar

com você, meu amor — falo

para o menino,

ignorando o homem arrogante. — Outra hora nos falamos.

Mexo no cabelinho

dele e depois me afasto, como se estivesse

sendo perseguida pelo próprio diabo, o que, talvez, não deixe de ser verdade.