Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 57 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 54

Ela mal fecha a porta e eu quero trazê-la de volta, porque meu coração traiçoeiro não aceita que tudo entre nós tenha terminado assim.

Vou até a janela, olhando sem ver o céu nublado, a mente tentando racionalizar

o que acabo de descobrir ao invés de deixar a

raiva e o orgulho me dominarem.

Volto para a minha mesa e pego a carta.

Eu não quero lê-la porque independentemente do que esteja escrito, não mudará o fato de que Cecily

mentiu, mas ao menos eu

terei o outro lado dessa história.

Até agora, só tive a versão de Sue. Juntando tudo o que Odin descobriu sobre o passado de Keith e mais as desconfi anças dos

meus parentes em relação a ela, sinto que devo ao homem morto ao menos o benefício da dúvida.

Abro a folha de papel e vejo que em alguns pontos, a letra está borrada.

Lágrimas de Cecily?

Começo a lê-la.

“Minha adorada Cici, sabe como sou horrível para escrever até mesmo mensagens curtas, agora imagine uma carta inteira, mas eu preciso deixar registrado muito mais do que consigo colocar em uma conversa telefônica.

Primeiro sobre o passado, sobre nós dois.

Quero pedir perdão. Eu jurei lealdade. Eu jurei cuidar de você e te abandonei.

Enquanto você crescia naquele inferno, eu tinha a certeza de que me pertencia, que era meu destino e que em algum momento do futuro, ficaríamos juntos. O tempo foi passando e meu amor por você não mudou. E nem o seu. Da sua parte, não havia sentimento de homem-mulher, o que percebi foi a mais pura e sincera amizade.

Sei que se eu insistisse, teria ficado comigo por gratidão. Não era o que eu queria. Estava apaixonado. Queria que me amasse da

mesma forma.

Não sinto orgulho de dizer que me afastei por despeito.

Subestimei-a. Como, minha mente nublada pelo orgulho pensou, uma garota do interior do Kansas poderia não ficar agradecida, apaixonada pelo salvador dela? Por um homem brilhante, jovem e rico, disposto a lhe dar o mundo?

Sim, Cici, a arrogância me derrubou porque hoje eu vejo que foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida.

Não fique cansada se, de vez em quando, nessa carta, eu te pedir perdão. Nunca poderei me desculpar o suficiente.

Quando conheci Sue, eu tinha acabado de ganhar minha fortuna e achei que poderia comprar tudo o que quisesse, inclusive o amor de uma mulher linda.

Como já conversamos, foi perfeito no início, mas depois que a empolgação sexual dos primeiros meses passou, restou o vazio porque ela não era você. Nada parecida com você. Não tinha seu sorriso, bondade, inocência.

Na verdade, a mulher que tinha meu filho dentro do corpo mostrou-se um monstro e agora temo que não verei o bebê nascer.

Ele ainda não tem um nome e nem ninguém que o proteja e apesar de saber que não tenho o direito de fazer isso, pedirei do

mesmo jeito: cuide do meu filho. Lute com ela pela guarda. Sue não quer essa criança.

Como sei disso? É imprudente. Fica fora até tarde da noite, bebe, grita, não se alimenta direito. Parece torcer para que o bebê não vingue, inclusive.

Também estou desconfiado de que sai com outros homens, mesmo grávida.

Deve estar se perguntando por que não vou embora se, como lhe disse por telefone, por mais de uma vez achei que Sue atentou contra a minha vida.

A resposta é simples: não posso enquanto meu filho não nascer

.

Enquanto ele não estiver livre da prisão que é o corpo dela.

Tive problemas estomacais em um passado recente e apesar dos médicos que me examinaram não terem detectado nada, eu acho que ela tentou me envenenar. Estou ficando paranoico. Não como mais em casa. Durmo pouco, sempre vigilante a uma agressão e estou contando os meses até que ela dê à luz.

Se algo me acontecer, olhe por ele. T

em que me prometer isso,

Cici.

Eu nunca pensei em jogar a ajuda que lhe dei na sua cara, mas não tenho mais ninguém. T

em que ser você.

Temo mandá-la ao encontro dela porque Sue é perigosa e cruel, mas alguém precisa lutar pelo meu filho. Ele não pode ficar à mercê daquele monstro.

Eu nunca terei palavras o suficiente para lhe dizer o quanto me arrependo não só de ter me unido a ela, mas de não ter perseverado por seu amor, Cici. Fui fraco e prepotente.

Queria que você ficasse agradecida, corresse atrás de mim, visse o quão maravilhoso eu era.

Fui um idiota orgulhoso e destruí qualquer chance de ser feliz, mas vou te amar para sempre, minha Cici.

Perdão.

Com todo o meu amor,

Keith.”

Solto a carta em cima da mesa, enquanto as palavras que acabo de ler dançam pelo meu cérebro.

Eu não sou um crédulo na alma humana. É justamente o oposto.

A natureza desconfiada, traço tão característico na minha família,

me faz ter certeza de que quando acuado, as pessoas são capazes das atitudes mais vis.

Não achei, no entanto, que a podridão de Sue pudesse ir tão longe.

Penso na minha esposa falecida e em como ela parecia uma mãe dedicada para Joseph. Em seguida, recordo-me que o contrário não era verdadeiro: meu filho

nunca ficou

confortável

com ela como fica

com Cecily e até mesmo com Elina.

Eu me pergunto o quanto, em sua cabecinha infantil, ele sabia

que a mãe não valia nada.

Nesse instante, tenho as peças que faltavam no quebra-cabeça, mas não muda o fato de que Cecily

me enganou. Ela teve várias

oportunidades de me contar a verdade e não o fez.

Por medo?

Sim, depois de ler a carta de Keith, acredito que tenha sido por medo, afinal,

não tinha a menor ideia

de quem eu era. Com certeza, mesmo em sua ingenuidade

, não acreditou que eu entregaria meu

filho, não importa a história triste que me contasse sobre a concepção dele.

Pego o telefone para liga

r para aquele que pode me dar

respostas, Odin, mas antes que possa fazer algo, a sala é invadida por ele e meus irmãos.

Levanto-me e apesar de não estar nem na hora do almoço ainda, sirvo-me de uma dose de uísque.

— Precisamos pensar em uma estratégia para minorar o estrago que Peyton causou — Odin diz. — E também há algo que preciso contar sobre a morte do ex-marido de Sue.

Faço um gesto de cabeça para a carta.

— Leiam.

Um a um, eles o fazem e quando terminam, vejo suas feições mudarem, não de surpresa, já que nenhum deles gostava de Sue, mas por raiva.

— Eu acho que ela o matou. Foi isso que vim dizer. Não temos como provar porque a polícia

fez um trabalho investigativo

de

merda, mas tenho razões para acreditar que Sue matou o ex-marido, empurrando-o da varanda do apartamento onde viviam.

— Como teria forças? Estava grávida — Zeus pondera.

— Nunca saberemos. Ela pode tê-lo drogado antes ou talvez ele não tenha reagido. Jamais teremos certeza.

— Como a polícia

pode ter sido tão incompetente? — Ares

pergunta.

— A polícia,

na maioria

das vezes, é preguiçosa — Hades fala,

a

raiva tomando conta de suas feições e nós sabemos a razão

[23].

— Onde está Cecily? — Zeus pergunta.

— Eu a mandei para a cobertura.

— O quê?

— Foi antes de ler a carta. Não a queria perto de Joseph.

— Maldito orgulho grego esse nosso — Odin rosna. — Ela não pode ficar sozinha, Dionysus.

— Não está. Anderson a levará para o apartamento.

— Isso não está certo. Vou pedir a Elina que vá encontrá-la.

Antes que ele pegue o telefone, porém, como se tivesse sido combinado, um celular começa a tocar

.

Olhamo-nos, mas não é o de nenhum de nós e só então percebo o aparelho novo que comprei para Cecily em cima da mesa.

Eu o pego e vejo que é a esposa de Odin chamando. Coloco no viva-voz.

— Cecily esqueceu o celular — falo ao atender

.

— Onde ela está, Dionysus? Estou ficando

preocupada. Cici

me

disse que ligaria assim que chegasse aí.

— Nós brigamos. Eu a mandei para a cobertura.

— Você fez o quê?

— Eu a mandei embora.

— Você é como um irmão para mim, mas nesse instante, eu

poderia matá-lo, Dionysus. Como pôde deixá-la sozinha?

— Não sabe da história toda.

— Não, eu não sei, mas seja ela qual for, eu conheci Cici.

Ela é

uma pessoa boa e te ama. Viveu abandonada a vida inteira e agora,

quando seu mundo está desabando, você, o pai do filh o dela, lhe vira as costas!

Sinto-me envergonhado, não pelo que Elina fala. Não dou importância

ao que pensam de mim, mas sim pela maneira como afastei Cecily

.

— Vou encontrá-la. Deve ter chegado na cobertura a essa altura.

— Mande-a para mim. Se não a quer, eu quero. Cici não é apenas sua noiva ou sei lá como a considera agora. Ela é minha amiga e não está sozinha.

Ela desliga o telefone sem se despedir e quando olho para os meus parentes, todos me encaram em silêncio.

Pego meu próprio aparelho para ligar para Anderson. Chama apenas duas vezes antes que ele atenda.

— Cecily já chegou à cobertura?

— O quê? Na cobertura?

Não, eu a trouxe para o banco e ela

subiu. Está em seu escritório. Não a vi mais.

— Ela desceu há cerca de meia hora. Não está aqui. Mandei que o encontrasse e pedisse que a levasse ao apartamento.

Enquanto falo,

algo parecido com ácido se espalha pela minha

garganta.

Tento me convencer de que ela está bem, ao mesmo tempo em que a consciência de que mandei minha mulher grávida embora, sozinha e assustada, me causa um mal-estar fodido.

Antes que desligue o telefone, vejo cada um dos meus irmãos pegarem o celular

.

Sei o que estão fazendo: olhando as câmeras do edifício.

— Ela desceu com Cage pelo elevador comum. Foram para a garagem. — Ares é o primeiro a concluir

.

— O quê?

— Espere um pouco. Estou voltando a gravação.

Segundos depois, ele me mostra a tela. No vídeo, Cecily entra chorando no elevador, mas antes que as portas se fechem, Cage aparece.

Não dá para ouvir o que conversam, mas ele a puxa para um abraço, consolando minha mulher

.

Hades me mostra o próprio aparelho agora, com as câmeras da garagem.

Nela, Cage e Cecily chegam ao andar subterrâneo, no estacionamento comum para executivos e clientes. Desaparecem da visão até que segundos depois, vejo o carro dele saindo do prédio.

— Cage não deveria mais estar aqui — falo.

— O quê? — Zeus pergunta.

— O executivo que lhe contei que estava sendo acusado de assédio pela secretária, é ele. Cage já deveria ter deixado o prédio antes mesmo de Cecily chegar

.

— O que diabos está acontecendo, Dionysus? — Ares questiona.

— Eu não faço a menor ideia.

Só sei que Cage não poderia mais

circular pela empresa.

Vejo Odin se afastar

, digitando freneticamente no celular

.

Enquanto isso, tento ligar

para o telefone

de Cage, mas vai direto

para a caixa postal.

Telefono para a cobertura, para ver se ela chegou lá. Ninguém atende.

Tento a portaria, mas o porteiro garante que Cecily não subiu.

Quando meu primo volta para perto de nós, digo:

— Devemos chamar a polícia?

— Ainda não, eu estou tentando rastreá-lo.

Lembro-me de algo.