Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 15
Depois que Cecily
foge de mim, vou à procura da senhora Nuttle,
para que fique com meu filho
porque não acabei a conversa com a
garota ainda.
Elina aparece na minha frente antes que eu encontre a empregada.
— O que houve? — pergunta.
— Você viu Cecily?
— Ela estava aqui agora mesmo, mas talvez tenha ido dar uma volta no jardim. Acho que sente falta da vida ao ar livre.
— Como ela tem se saído no emprego?
— Pensei que não se importasse.
Eu gosto da mulher do meu primo como se fosse do meu próprio sangue, mas ela não facilita a vida de ninguém.
— Só quero saber se ela tem tudo o que precisa.
— Tem, sim. Um apartamento, um emprego… — ela pausa. —
Olhe lá. Até mesmo um admirador — diz, fazendo um gesto com a cabeça para trás de mim. — Não duvido muito, vai estar namorando em breve.
Quando me viro, vejo Cage, um dos executivos do meu banco, conversando com ela.
— Do que você está falando? Eles se conhecem?
— Acho que não, ou Cici
teria me dito, mas não duvido que em
breve isso mudará. Cage parece bem interessado. Mas que homem não ficaria? Ela é linda e tão diferente das mulheres daqui…
— Pode ficar com ele um instante?
— Posso, mas por quê?
— Preciso falar com Cecily
.
— Não atrapalhe a vida dela, Dionysus. Como você mesmo disse a Odin, seu problema com ela acabou. Cici é minha funcionária, mas minha amiga também. Estou tentando ajudá-la a dar os primeiros passos em Nova Iorque.
— Como eu atrapalharia a vida dela?
— Nós dois sabemos por que implica tanto com a garota.
— Sabemos? — ironizo, mas sendo Elina
quem é, vai direto na
jugular
.
— Você se sente atraído por ela. Eu vi o jeito que a estava olhando no hospital.
Foi por isso que não a contratou para babá de
Joseph. Não tem nada a ver com ser desastrada. Eu convivo com ela há semanas e posso lhe garantir que Cici é uma boa moça.
Inteligente,
responsável e educada. Se meus filhos
ainda fossem
pequenos, eu os deixaria aos cuidados dela sem pensar duas vezes.
— Achei que ela estava feliz no emprego que lhe deu.
— Ela está feliz por ter uma chance quando antes todas as portas pareciam fechadas, mas Cecily adora mesmo é crianças, ainda mais do que os livros — diz e lembro-me de Odin comentar que Cecily estava tomando conta da biblioteca da Associação.
— Joseph pareceu… hum… gostar dela.
— Já conseguiu a babá da noite?
— Não.
— Por que não faz um teste com Cici?
Mas veja bem, estou lhe
dizendo para testá-la como babá, não para magoar o coração dela. Não respondo porque qualquer coisa que eu diga faria de mim um mentiroso.
— Pode ficar com ele? — repito. — Eu já volto.
— Posso, sim. Talvez fosse melhor esperar que ela terminasse a conversa com Cage.
— Esperar é uma palavra que desconheço, Elina. — Dou um beijo na testa do meu garoto. — Papai só vai ali um instantinho, filho.
Começo a andar para onde ela está conversando com o admirador e minha irritação aumenta quando noto o sorriso de Cecily e o aparente encantamento de Cage por ela.
Eu sei que ela percebe minha aproximação, mas mesmo assim não me encara.
Nem posso culpá-la. Agi como um cretino depois de várias semanas sem vê-la, mas não consegui acreditar quando observei meu filho
correndo para os braços da ruiva. Joseph é arredio e desconfiado, então que tipo de encantamento ela fez para que confiasse nela logo de cara?
Feiticeira
. Sim, talvez seja isso o que ela é. Uma bruxinha de cabelos vermelhos, que enfeitiça
homens de todas as idades que
entram em seu caminho.
— Cecily, preciso falar
com você — digo, assim que me aproximo
deles, porque diplomacia não é uma característica presente em
nossa família.
Cage, que estava de costas, olha para trás.
— Dionysus, eu não tinha te visto ainda.
Faço um gesto de cabeça cumprimentando-o, mas sem paciência para socializaç
ão. Ao invés disso, ergo os olhos para o meu alvo, desafiando-a a me ignorar
.
Para minha satisfação, ela não o faz.
— Com licença, Cage. A gente se vê por aí.
— Vou ficar à espera do telefonema ou mensagem. Lembre-se do que falei: podemos ser apenas amigos… a princípio.
Filho da puta
assediador .
— Vamos — falo, sem dar tempo a ela de responder
.
Pousando a mão na parte baixa de suas costas, eu a guio na direção contrária de onde os convidados estão reunidos.
A carne macia pega fogo contra meus dedos e talvez eu tenha cometido um erro ao tocá-la.
O contato é leve, superficial
e por isso mesmo, insuficiente,
então
eu dou um foda-se à prudência e abro a mão, espalmando-a em suas costas.
Cecily
estremece e olha para trás. Os olhos brilham
como cristais
soltando pequenas chamas, mas ela não se afasta.
Uma espécie de diálogo mudo se instaura entre nós, ambos conscientes da atração e incapazes de nos afastarmos.
Seu olhar é ardente e ver como eu a afeto gera um descontrole que nunca experimentei.
Agora não se ouve mais música ou risadas. Somos só nós dois.
Eu paro de andar e ela também.
O desejo que eu vejo em seu rosto, reflexo do meu, deveria me mostrar que me enganei ao pensar em lhe dar uma chance como babá noturna e que não tenho nada para lhe dizer, mas eu nunca fujo de um desafio e resistir ao tesão por Cecily será o maior de todos.