Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 16
— Gostaria de falar comigo, senhor? — ela pergunta, dando um passo para trás e longe do alcance da minha mão.
— O que Cage queria com você? — Caralho, por que diabos perguntei
algo assim? O que Cecily faz com a vida dela não é problema meu. — Esqueça.
Ainda que eu queira muit
o saber se o interesse que ele
obviamente tem em você é recíproco.
— Eu não tinha mesmo intenção de responder, doutor Dionysus.
Não costumo falar da minha vida privada com pessoas que não
sejam meus amigos.
Estou tentando manter minha fera interior sob controle, mas a impertinência dela joga meus planos para o inferno.
Dou um passo para muito perto, invadindo seu espaço físico.
Ela
não desvia os olhos dos meus.
— Significa que não somos amigos, então, Cecily?
A temperatura entre nós sobe de forma absurda, pelo simples fato de estarmos com nossos corpos quase colados, mesmo sem qualquer contato ainda, o que me faz pensar o que aconteceria se eu estivesse dentro dela.
Uma onda de luxúria
me nubla a racionalidade,
desejo indomável
aflorando.
Eu não sou um garoto. Tenho muita experiência sexual para conhecer química explosiva e o que existe entre mim e a ruiva é algo capaz de mudar mares de lugar
.
Não me sinto ferver, apenas. É um passo além. O calor de Cecily é escaldante como a lava de um vulcão.
— Não, nós não somos. Até porque não nos conhecemos. — Ela dá um sorriso autodepreciativo.
— Pelo que me lembre, em nosso
último encontro, queria me despachar para o Kansas.
— No entanto, aqui está você. Ainda em minha vida. Ainda em meu mundo.
— Não em seu mundo. Eu vim a festa porque Elina…
— Eu sei. Não disse que não aprecio que tenha vindo.
— Nossa, que alívio.
Agora vou dormir mais tranquila
por ter sua
aceitação, senhor. Obrigada por me dizer isso.
Disfarço um sorriso diante da ironia.
Sim, ela é um cacto, mas tão gostosa que eu não me importaria de ter que lidar com os espinhos.
Percebo que tenta fingir
naturalidade, mas seu rosto e pescoço
estão tomados por um rubor intenso. Cecily
não consegue esconder
o quanto se sente atraída por mim também.
Como um teste, me aproximo ainda mais.
As pupilas
dela dilatam
e pela primeira
vez, tenho um vislumbre
da linguinha rosada quando a passa no lábio inferior
.
— Meu filho gostou de você.
— Ao contrário do pai, que me acha suicida ou ao menos, imprudente.
— Não superamos esse tópico já?
— O senhor me diz. Foi seu argumento quando falou
que eu não
serviria para babá.
As razões pelas quais eu não deveria contratá-la são outras,
Cecily
, mas faz parte da minha natureza gostar de brincar com fogo.
— Eu quero fazer um teste — falo.
— Como assim?
— Por duas semanas, você ficará
na minha casa à noite para ver
se esse arranjo funciona.
— Eu já tenho um emprego.
— Mas não gosta do que faz. Elina
me disse que seu negócio
são crianças, muito mais do que livros.
Ela abre e fecha a boca e acho que quer negar pelo simples prazer de me desafiar
, mas parece voltar atrás.
— Elina sabe que veio me propor isso?
— Sabe, mas preciso que você entenda que é um teste
.
— Eu tenho que pensar.
— O quê?
— Acabou de me dizer que é um teste. Se não gostar de mim como babá, fico sem emprego. Tenho que conversar com Elina e saber se ela me daria o lugar de volta caso tudo dê errado.
— Eu dobro seu salário — falo, porque nunca negocio para perder.
— E de que isso me adiantaria
se fosse mandada embora? Nada
vezes dois é nada.
— Está recusando minha proposta?
— Não. Eu quero muito trabalhar como babá, ainda mais agora que conheci Joseph, mas preciso de um plano “b”.
— Vou conversar com Elina
e garantir que terá seu emprego se
não nos acertarmos, Cecily
.
— Não. Eu agradeço essa oportunidade que o senhor está me dando, mas prefiro eu mesma conversar com ela. Não sou um bebê.
Posso resolver meus problemas.
— Não quer saber quanto vai ganhar?
— O senhor já disse: vai dobrar meu salário.
Sorrio internamente. Ela é esperta e boa negociadora também.
— Se ficar
comigo — e merda, eu gosto de como isso soa —, vai dormir na minha casa. Claro, terá uma noite de folga.
— Não preciso — diz e depois se corrige. — Ou ao menos não no início. Depois, pretendo fazer amigos.
— Como Cage?
Estou atento à sua resposta, mesmo consciente de que não tenho qualquer direito de lhe perguntar isso.
— Hum… sim, como Cage.
— Não é amizade o que ele quer de você.
— Com todo o respeito, por que isso lhe importa?
Boa pergunta.
Talvez porque eu seja maníaco por controle, talvez porque eu seja egoísta e quero ser o único a prová-la, mesmo sabendo que não devo.
— Você será minha funcioná
ria. É só uma garota. Não quero que
se machuque.
Ela sorri e desvia os olhos, mas não rápido o bastante para que eu não perceba uma ponta de provocação.
— Fale o que está pensando.
— Seria inadequado porque o senhor será meu patrão.
— Não sou nada seu ainda. Vai começar amanhã.
— Já?
— Sim. Para que perder tempo? Mas não mude de assunto.
Quero saber o que estava pensando que a fez sorrir
.
— Disse que sou só uma garota. Sim, eu ainda sou, mas até mesmo as garotas podem beijar na boca.
A voz soa sexy, quase como o canto de uma sereia, cada nota escapando com sensualidade, mas não é isso o que me chama a atenção e sim, o que ela falou.
— É uma garota?
— O quê?
— Concordou que é uma garota. Significa
que nunca teve um
namorado, Cecily?