Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 11 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 8

Por que diabos está tão preocupado com a garota atropelada?

Anderson também a visitou hoje cedo e parece enfeitiçado pela

menina. Disse-me que é doce e humilde.

Levanto-me, visto o blazer do terno e saio da minha sala.

Chegou a hora de enfrentar o problema. Tanto meu primo quanto meu motorista só podem estar comovidos com a história triste dela.

Desconheço o sentimento, mas em contrapartida, sou justo. Vou fazer o que for possível para ajudá-la e depois, virar essa página para sempre.

 

Capítulo 8

— Então ela já pode ter alta? — pergunto ao chefe da equipe médica assim que chego ao hospital.

— Sim. Nós fiz

emos um check-up completo e a senhorita Bradley

deu entrada há mais de vinte e quatro horas. Com os resultados e mais o tempo de observação que consideramos seguro, não vejo por que não liberá-la.

— E pode voar?

— Não. Isso eu não aconselharia ainda. Vamos esperar mais uma semana, ao menos.

Aceno com a cabeça e começo a andar em direção ao quarto em que Harper está hospedada.

A conversa com Odin não sai da minha cabeça.

Devo perguntar o que ela quer fazer ou não lhe dar alternativa?

A

minha necessidade por controle me manda enviá-la

para o lugar de

onde veio porque pelo pouco que já sei a seu respeito — juntando as infor

mações fornecidas por Odin e também por Anderson —, a garota não pertence a uma cidade grande. Entretanto, esperarei para tomar uma decisão após vê-la.

— Doutor Kostanidis

— alguém chama e quando me viro, dou de

cara com Anderson.

— Achei que já tinha ido embora. Eu lhe dei três dias de folga.

— Não fui.

Eu não preciso de folga.

Ficar sem trabalhar me deixa

ansioso.

— Anderson, como já lhe disse, não há o que temer. Seu emprego está garantido.

Ele acena com a cabeça, concordando porque já me conhece há tempo demais e sabe que nunca volto atrás com a palavra.

— Não foi por isso que fiquei,

e sim porque não queria deixar a

senhorita Bradley sozinha.

Franzo a testa, estranhando. Meu motorista não costuma ser tão protetor.

— O que há de errado com ela?

— Errado? Nada, mas a menina parece um anjo. Estou preocupado que insista em ficar em Nova Iorque e se meta em confusão.

— Ela disse que pretende ficar?

— Sim. Falou que fez uma promessa de que venceria na cidade grande e que pretende cumpri-la, então eu pensei…

— O quê?

— O senhor disse que pretendia investigá-la, certo?

— Sim. E já fiz.

— Encontrou algo?

— Não. Ela é apenas uma garota do interior perdida na cidade grande.

— Cici me disse...

— Cici

? — interrompo-o.

— Sim, ela me disse que odeia o primeiro nome porque foi sua madrasta quem o escolheu.

— Como seria possível?

— Também fiquei

confuso, mas ela me explicou que apenas

quinze dias após a mãe morrer, já havia outra mulher dentro de casa. Foi assim que ganhou o nome que detesta: Harper, que era

como se chamava uma parente da madrasta. Ela aceita Cecily

, no

entanto, mas prefere Cici.

Por um instante acho que bati a cabeça e acordei em uma realidade

paralela.

Esse homem falando comigo não é o Anderson

que eu conheço. Meu motorista é fechado e talvez por conviver há muito tempo com a minha família, desconfiado também.

— Continue.

— Como eu ia lhe dizendo, ela contou que veio morar em Nova Iorque porque o salário para a função na qual trabalha é bem melhor.

— De que função está falando?

Ele limpa a garganta, mas vejo seus olhos brilhando.

— Babá. Não parece um milagre de Deus?

Eu não acredito em milagre

s. Caso eles existissem, Sue não

estaria morta, deixando um bebê de poucos meses e…

Afasto rapidamente o pensamento. Eu passei tempo demais analisando o que aconteceu por todos os ângulos. É estupidez continuar insis

tindo em algo que não se modificará.

Minha esposa

morreu e nada a trará de volta.

Olho para o homem que conheço a minha vida inteira

e lamento

ter que destruir suas esperanças, porque vejo aonde aquilo está

indo. Não há maneira de que eu vá deixar uma desconhecida que sequer consegue atravessar a rua sem tentar se matar, cuidar do meu filho.

— Não vou contratá-la.

Vejo por sua expressão que era exatamente o que planejava me

sugerir.

— Com todo o respeito, doutor Kostanidis, mas por que não?

— Ela é uma estranha.

— Tecnicamente, todas são.

— Mas são estranhas qualificadas

.

— De novo peço perdão pela ousadia, mas não são tão qualificadas

assim. Nenhuma delas parou no emprego. Mesmo a senhora Nuttle, só está conosco há poucos meses e a cada cinco minutos ameaça pedir demissão.

Inferno,

eu não tenho como argumentar contra isso, mas ainda assim, não pretendo colocar meu filho

à mercê de uma garota que

não tem noção do perigo.

— Cici já trabalhou como babá na cidade dela e ama crianças.

— Não, Anderson. Agradeço a boa vontade, mas não vou contratá-la. Se a sua preocupação é em como ela vai se manter, saiba que farei o possível para que volte para casa bem.

Ele sacode a cabeça, como se quisesse dizer mais, entretanto apenas se despede e vai embora com a decepção estampada no rosto.

Respiro fundo antes de bater na porta do quarto. Eu não pretendo ficar

mais do que cinco minutos, mas ainda assim, me aborrece ter que falar com ela. Parece que todos acham que a garota desconhecida tem que permanecer na minha vida de uma maneira ou de outra.

Eu gostaria de nem precisar vê-la, porém, sou um Kostanidis e

nunca fujo das minhas responsabilidades.

Bato duas vezes na porta e aguardo.

O tempo que ela leva para responder é um pouco maior do que a minha paciência aguenta, mas quando me preparo para uma terceira batida, uma voz suave diz:

— Pode entrar.

Seguro a maçaneta hesitante, o que não é algo comum para mim. No entanto, a razão é que eu preferiria

mil

vezes apenas fazer

um cheque e me livrar

do incômodo de uma interação. Então, penso

na minha mãe e no quanto ela ficaria

decepcionada se eu agisse

assim.

— Senhorita Bradley? — chamo, mesmo antes de vê-la.

— Sim, sou eu.

Dou dois passos para dentro do quarto e então ficamos frente a

frente.

Por um instante, eu só a encaro. Na confusão que se passou ontem, não me lembrava de que fosse tão bonita.

Não, ela não é bonita apenas, é linda. Uma fada de cabelos vermelhos alaranjados e olhos azuis enormes e brilhantes, que parecem ainda maiores no delicado rosto sardento.

Ela é tão frágil, que acho que com um pequeno apertão se