Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 60 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 57

Algumas horas depois

— Para onde o levaram? — pergunto a Odin ao telefone.

— Ele está sob a custódia

da polícia

agora — diz, ainda soando

contrariado e eu sei a razão.

Odin não acredita na justiça

dos homens. Ele queria resolver

a

questão com Cage com as próprias mãos. Se fosse algo que envolvesse apenas nós, eu não pensaria duas vezes, mas há Cecily

, que pode ser implicada no desaparecimento dele.

Há câmeras de segurança no banco que mostram minha mulher saindo com o filho da puta do prédio. Não é algo que se possa

ocultar.

— Providenciarei para que nunca mais veja a luz do sol.

— Eu estou assistindo

o interrogatório

junto aos advogados. Há

muito

mais do que imagina

por trás, Dionysus. Não começou com o

caso de assédio à funcionária

do banco e tampouco com Cecily

e

sim, com Sue.

— Sue?

— Aham, mas não se preocupe com isso agora. Cuide de sua mulher. Ele não irá a lugar algum.

Há um tempo, suas palavras me trariam tranquilidade.

Até

descobrirmos o que acontecera com nossa mãe e Zeus obter sua vingança contra o homem que destruiu a vida dela, eu acreditava na lei dos homens e que todos têm direito a um julgamento justo.

Eu não penso mais assim.

Há pessoas que não merecem viver em sociedade.

O importante agora, no entanto, é que Cecily esteja em segurança, sendo atendida.

Eu não sou do tipo que teme o que quer que seja. Se algo entra em meu caminho, me ameaça ou àqueles que são importantes para mim, o ódio é minha válvula de escape natural.

Hoje, no entanto, ao ver Cecily

desacordada na casa caindo aos

pedaços, eu experimentei

sentimentos que até o momento me eram

desconhecidos: medo e culpa. Muito remorso também.

— Ela acaba de despertar — o chefe da equipe médica diz, aproximando-se.

Athanasios vem logo atrás.

Estou com meus irmãos, Elin

a, Madison, assim como Christos e

Zoe, que vieram da Carolina do Norte.

Joseph ficou com Eleanor

, madrasta de Madison.

Nós trouxemos Cecily

para o hospital

do qual Athanasios é dono.

Apesar de ser neurologista,

ele está acompanhando o atendimento

dela como um favor pessoal.

Há horas minha mulher está sendo submetida a exames e essa é a primeira vez que alguém vem falar conosco.

— Eu gostaria de vê-la — digo.

— Ela pediu para falar

com você Dionysus — nosso amigo diz —,

mas aviso que não deve aborrecê-la. Está sob muito estresse ainda.

A pressão foi estabilizada, mas estava alta quando chegou.

— Não tenho qualquer intenção de deixá-la

nervosa, mas preciso

conferir por mim mesmo que Cecily está bem.

Ele começa a andar para o quarto em que ela foi internada e o sigo em silêncio. Na porta, eu hesito antes de entrar

.

É a segunda vez que encontro Cecily em um hospital. Na primeira,

ela era uma desconhecida e eu mal podia esperar para me livrar da garota estabanada que se jogou na frente do meu carro.

Agora, eu preciso de seu perdão.

Sim, perdão.

Não importa que ela tenha mentido para se aproximar de mim. Acredito, agora que a raiva passou, que o fez mesmo com a melhor das intenções: proteger Joseph.

Depois de ler a carta de Keith, estou seguro de que nunca realmente conheci Sue. Ainda mais agora com o que Odin contou: que ela estava envolvida também com Cage.

Abro a porta e Athanasios não entra, nos dando privacidade.

— Cecily — chamo, fechando-a atrás de mim.

Ela está olhando para a janela, apesar de eu ter certeza de que me ouviu chegar.

— Nós precisamos conversar, Dionysus.

Dou a volta na cama para encará-la. Não quero que se aborreça, mas não sei conversar de outra maneira que não seja enfrentando meu interlocutor

.

— Sim, precisamos, mas não agora. Se tudo der certo, terá alta amanhã, segundo os médicos disseram. O bebê está bem.

— Eu sei. Athanasios me disse.

— Então, eu só queria…

Ela faz um gesto, me parando. Em nenhum momento olha para mim.

— Sou eu quem tem que fal

ar. Fiquei

calada por tempo demais.

Ocultei a verdade. Estou cansada. Já te disse sobre a promessa que fiz

a Keith e a razão pela qual me aproximei

de você: precisava

ter certeza de que Joseph estava bem. Quando me sequestrou, Cage uniu as peças que faltavam na história

de Sue, de Keith… e

na nossa também. Talvez você queira se sentar. Há muito a ser dito.

Puxo uma cadeira para perto da cama e nem assim Cecily me

olha. É como se estivesse alheia a tudo.

Tento pegar sua mão. Ela faz que não com a cabeça.

— Disse-me para nunca mais tocá-lo. Quando eu acabar de contar o que preciso, provavelmente repetirá isso novamente, então sou eu que peço agora: não encoste mais em mim.

Sinto como se tivesse tomado um soco e imagino

que o mesmo

se passou com ela quando lhe falei isso em meu escritório.

— Conte-me o que precisa. Primeiro, conversaremos sobre o passado. Depois, sobre nós.

— Não existe um “nós”. A única ligação que temos é o bebê.

Não discuto, lembrando-me do que os médicos recomendaram.

— Conte-me o que aconteceu, Cecily

.

— Se você me encontrou, provavelmente me viu saindo do prédio com Cage. Eu acho que ele me drogou. Acordei em um casebre… Ela fala

com calma e eu não a interrompo. Sua explicação

é clara

e a linha do tempo faz todo o sentido.

Cecily leva quase meia hora para me explicar tudo, dando detalhes que, se não fosse ela a me contar

, não acreditaria.

Eu levei

um monstro para dentro da minha casa. Casei-me com

ela e formei uma família.

A esposa dedicada e mãe amorosa nunca existiu. Sue era uma farsa. No lugar dela, havia uma mulher fria, calculista, capaz de

envolver sem pensar duas vezes um jovem altruísta e crédulo em uma trama de ganância e morte.

— Essa primeira

parte da história

não tem a ver com você, e sim,

com Keith. Eu custei a encontrar Sue. Só descobri que ela veio para Nova Iorque quando vi uma foto de vocês três nos jornais, onde a reportagem os retratava como uma jovem família feliz.

Estavam

recém-casados e com um bebê novo. Soube imediatamente que era

o filho de Keith por causa da idade de Joseph.

Ela me revela como contatou Sue e do encontro que tiveram no motel. As ameaças que minha falecida esposa lhe fez.

Nada disso me causa espanto, até o momento em que Cecily me

conta que Sue tentou matá-la na estrada.

— Eu consegui escapar, e segundo as enfermeiras e equipe médica disseram, foi um verdadeiro milagre ter saído do acidente apenas com alguns arranhões.

— E ela morreu, caindo no despenhadeiro.

— Sim. Mas essa ainda não é a história

toda. Cage me disse que

Sue estava grávida do seu bebê, Dionysus. — A voz dela treme quando fala isso. — Eu não sou hipócrita e não vou dizer que lamento a morte dela, mas mesmo que não acredite em mim, lamento a morte do filho

de vocês e ainda que não tenha tido culpa

diretamente no acidente, peço seu perdão.

— Perdão? Ainda que houvesse um bebê, não tomou qualquer ação na morte dela.

— Ainda que houvesse? Ela estava grávida. Cage garantiu. Foi uma espécie de presente que Sue deu a ele. Um tipo de “apólice de

seguro”, foi o termo que ele usou, para que estivesse ligada a você

para sempre e eles lucrassem com isso.

— Sue não estava grávida, Cecily

. Eu tenho certeza disso. Ela não tinha mais útero. Sofreu uma complicação

no parto de Joseph.

Não podia mais ter filhos.

— O quê? Mas Cage…

— Foi apenas mais uma mentira que ela contou. Enganando a ambos: marido e amante.

— Eu não sei o que dizer

.

— Lembro-me que na época do parto de Joseph, me perguntei como uma mulher jovem e que já havia sofrido tanto, podia ser ainda mais castigada por Deus, impedida de ter outras crianças.

Hoje, penso que foi

a justiça

divina

fazendo um favor à humanidade.

Nenhuma criança merecia como mãe um monstro daquele.

— Eu…

— Acabou de falar o que precisava?

Ela acena com a cabeça.

— Está bem para conversar?

— Sim.

— Eu poderia te pedir perdão, apenas. Seria mais fácil e salvaria meu orgulho. Não é o que quero. Vou fazer o meu melhor para