Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 16 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 13

Três semanas depois

— Por que parece que tem formigas dentro da roupa? São apenas pessoas, Cici.

Não fique

tão agitada — Elina

diz, quando me

observa torcer as mãos no colo.

— Não pertenço ao seu meio, Elina.

Além do mais, não acho que

o doutor Kostanidis

vá gostar de me ver por aqui. Ele estava louco

para se livrar de mim e quando você me fez a oferta de emprego, acabou com os planos dele.

— Quanto a não pertencer ao meu meio, isso é bobagem. Você é linda e é mais educada do que a maioria das pessoas com quem convivo. Qual é o problema real?

— Insegurança em relação a fazer algo inadequado hoje.

— Isso é besteira. Está bem vestida e o novo corte de cabelo te deixou com uma aparência sofisticada.

As mulheres vão morrer de

inveja de você.

Elina

só pode ser um anjo que Deus colocou no meu caminho mesmo. Ela não é só patroa, mas uma amiga. Levou-me para fazer compras e ao salão de beleza e se recusou a descontar do meu salário

tanto as roupas novas, quanto o novo visual.

Agora eu já não

sinto que destoo do restante da população novaiorquina.

Também tenho um lugar para morar: uma quitinete que ela me disse que lhe pertence e que estava vago, de modo que posso ir caminhando para o trabalho.

— Quanto a Dionysus, ele te ofereceu um emprego também. Não se aborrecerá ao vê-la aqui.

— É, ofereceu, mas não antes que você o fizesse e tenho quase certeza de que foi

somente porque deve ser competitivo

e não gosta

de ficar para trás.

Ela dá risada e não discorda.

— Ele me acha doida por ter atravessado sem olhar — falo, me sentindo culpada por ocultar a verdade dela. Porém, ainda que seja muito bondosa, Elina

é parente dos Kostanidis

por afinidade,

já que

o marido, Odin, é primo deles.

— Diz isso porque não quis lhe dar o emprego como babá de Joseph?

Aceno com a cabeça, concordando.

— Não leve para o lado pessoal o fato de Dionysus não ter te contratado para cuidar do filhinho, Cici. Joseph é o mundo dele.

— Aonde está a mãe do menino? — pergunto, me sentindo uma falsa por ter que fingir que não sei que Sue está morta.

O rosto lindo de Elina se fecha com desgosto.

— Ela morreu em um acidente de carro.

— Não gostava dela? — pergunto, porque está óbvio que não e eu quero saber o por quê.

Sei a razão pela qual eu odiava a mulher, mas achei que ela se desse bem com a família de Dionysus.

— Não devemos falar

mal dos mortos, mas não é porque morreu

que virou santa, né? Não vou entrar nesse assunto porque acho que a alma daquela lá precisa de paz, mas digamos que “não gostar” é resumir muito o quanto eu a desprezava.

Eu não deveria insistir

, mas não resisto.

— Por quê?

Ela sacode a cabeça de um lado para o outro e por um momento acho que não vai me responder, mas de repente, diz:

— Não há uma única explic

ação. O conjunto da obra, eu acho.

Eu sentia uma péssima vibração nela. Como quando estamos diante de alguém que representa o tempo todo, sabe? E como você deve ter percebido, minha tendência é gostar das pessoas.

Fico espantada com o quanto Elina

é intuitiva

porque se tem algo

que se pode dizer em relação à Sue, é que ela era uma mentirosa.

— Eles… hum… ela e o doutor Dionysus eram apaixonados?

Minha chefe encara-me por um instante, como se estivesse pensando antes de responder, e finalmente fala:

— Não fique chateada com o que vou aconselhar, mas me sentiria um ser humano horrível se não lhe desse uma aviso: não caia de amores por Dionysus, Cici.

Ele é um ótimo pai, mas assim

como os outros membros da família, à exceção de Zeus, Odin e

Christos, não quer compromisso. No fim, você vai sair com seu jovem coração partido.

Sinto meu rosto em chamas e gostaria de dizer que minha pergunta teve a ver apenas com um interesse mórbido sobre o

relacionamento

de Sue com o grego, mas não é verdade e isso me

deixa muito envergonhada.

— Eu não… — começo, mas ela levanta a mão, me interrompendo:

— É uma adulta e eu não sou a pessoa certa para lhe dizer com quem se envolver, já que como lhe contei no outro dia, Odin e meu pai eram inimigos mortais e, no entanto, nos apaixonamos loucamente, mas nenhum dos Kostanidis

ou Lykaios são homens de

uma mulher só, até que encontrem aquela que faça seu mundo parar de girar.

— Sue era essa mulher para o doutor Kostanidis? — continuo insistindo porque simplesmente não consigo parar

.

— Não. Dionysus não era apaixonado por ela. Joseph foi a razão

que o fez se casar com Sue. As pessoas amam de maneira diferente,

claro, mas um homem que é louco por uma mulher é fácil de ser reconhecido.

— Fala por experiência própria? — brinco, porque das poucas vezes que vi Odin e Elina juntos, ficou claro que minha amiga e patroa é o centro do universo dele.

Ela sorri.

— Também.

Eu quero saber mais sobre o casamento de Dionysus e Sue, assim como sobre o garotinho, mas não posso levantar suspeitas.

— Eu não tenho como te agradecer tudo o que tem feito por mim,

Elina.

Se não fosse por você, a essa altura eu estaria de volta ao Kansas.

— E era tão ruim assim lá?

— Depois que fiz dezoito e saí de casa, não, mas enquanto morava com a minha madrasta e minha meia-irmã,

ou melhor, irmã

de criação, já que ela não era filha do meu pai, era horrível.

— E está gostando de Nova Iorque?

— Estou, sim. Achei que não iria

me acostumar, mas eu cada vez

mais gosto daqui.

— Por quê? Quero dizer, você nasceu e foi

criada em uma cidade

pequena. Como pode adorar o tumulto de Manhattan?

— Eu estou adorando ser anônima. Na minha cidade, você espirra dentro de casa e alguém na padaria já diz “saúde”. É

emocionante estar em um lugar em que ninguém te conhece.

— E quanto à promessa que fez?

No exato momento em que conclui a pergunta, vejo o senhor Colt, motorista de Dionysus, estacionar

.

Hoje será o dia em que verei Joseph pela primeira vez, já que Elina me convidou para uma pequena recepção entre amigos.

Vejo o grego que é a razão de eu ter mudado completamente a minha vida sair do carro e em seguida, se inclinar

no banco de trás.

Quando volta a se erguer, tem um garotinho louro nos braços.

Meu coração erra as batidas e sinto os olhos se encherem de lágrimas, mas disfarço, desviando o olhar dos alvos do meu interesse.

— A promessa que fiz está se encaminhando para ser concretizada. Eu vou conseguir

, se Deus quiser.