Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 59
me amar, Keith, e você, meu
príncipe
encantado. Até mesmo no dia em que me mandou embora, eu não quis ir para a cobertura. Eu queria ficar com Elina. Eu necessito de um tempo comigo mesma. Não me afaste de Joseph.
Eu quero vê-lo pelo menos uma vez na semana, mas eu não quero ver você. Preciso testar a mim mesma. Saber se o que sinto por você é amor ou se é desejo de pertencer a alguém.
— Não sabe se me ama?
— Nesse momento, não.
Capítulo 59
Três semanas depois
— Shishiiiii,
bola… — Joseph ri, apontando para a minha barriga,
que já está arredondada a essa altura.
Ele não sabe que em alguns meses ganhará um irmão, mas mesmo assim, eu coloco sua mãozinha para senti-lo
e digo que tem
um bebê dentro da “bola”, como ele chama.
— É incrível
a ligação
de vocês dois — Elina
diz. — Acompanhei
no pouco tempo em que Sue era viva, o relacionamento dela com
Joseph. Nunca houve essa cumplicidade entre eles.
Joseph levanta para pegar um carrinho e eu abaixo o tom.
— Dizem que as crianças sentem quando são amadas. Por tudo o que sei, ela o via como um meio para atingir um fim.
Toda a família
sabe da verdade agora. Antes que a história
sórdida chegasse aos jornais, reunimos todos e contamos em detalhes. Logo em seguida, foi noticiada pelos meios de comunicação ao redor do planeta.
Achei que Dionysus abafaria o escândalo envolvendo a ex-mulher e a morte de Keith, assim como o papel de Cage em tudo.
Não foi
o que aconteceu e eu imagino
como deve ter sido para os Kostanidis estarem no olho do furacão, mas eu mentiria se não confessasse que fiquei satisfeita.
A justiç
a finalm
ente foi
feita
para Keith, já que todos agora sabem
quem foi Sue. Não importa que estejam ambos mortos, nunca é tarde para se fazer a coisa certa.
— Não parece feliz, Cici.
— Porque não estou mesmo. Dionysus está levando ao pé da letra o tempo que pedi a ele.
— Ele está respeitando seu espaço, mas está orbitando à sua volta se não percebeu. Não há um espirro seu que ele não saiba.
— Eu estou com saudade, mas não quero mais bancar a tola carente, Elina. Eu me valorizo muito pouco.
— Sei tudo sobre baixa autoestima, amiga, e vou te dizer uma coisa: se amar é, principalmente,
se dar o direito de escolher. Do
que adianta seguir um plano, provar que pode viver sem ele se, no fundo, está sofrendo?
— Eu não sei o que fazer
.
— Não se falam pelo telefone, ao menos?
Sacudo a cabeça, fazendo que não.
— Apenas por mensagens, mas amanhã tenho consulta com o obstetra. Na última vez, antes de nos separarmos ainda, não conseguimos ver o sexo. Talvez dê para descobrir nessa próxima.
— Não acha que deveria permitir que ele participasse?
— Não sei como dar o primeiro passo sem parecer fraca.
— Considera amar uma fraqueza?
— Não, acho que não.
— Tudo bem. Não quero te pressionar.
Horas depois, quando ela vai embora, eu não espero que Anderson venha pegar Joseph. Ao invés disso, passo a mão no telefone.
Tremo quando toco a tela no local onde aparece o nome do homem que amo.
Chama várias vezes, mas ninguém atende.
Ele sabe que sou eu e não quer responder? Já me esqueceu?
Segundos depois, meu coração dispara quando vejo seu nome acendendo no visor.
— Alô?
— Você me ligou? Está tudo bem com você e com o bebê?
— Hum… está, sim. Eu só queria saber se hoje será você ou Anderson a pegar Joseph.
Ele fica
em silêncio
por um tempo e sei a razão: até agora não
lhe convidei
para vir e como bem lembrou Elina,
Dionysus estava
respeitando meu desejo de manter distância.
— É isso o que quer?
— Hum…
— Cecily
.
— Sim, quero tratar sobre uma consulta que farei. Pensei que talvez você gostaria de ir
.
— Estou indo encontrá-la. Conversaremos pessoalmente.
Ele não me dá chance de dizer não, desligando em seguida.
Do chão, onde brinca com soldadinhos,
Joseph olha para mim e
sorri, como se aprovasse minha atitude.
— Eu o amo, meu lindo.
Só estou com medo de bancar a fraca
outra vez, mas eu amo o seu pai.
Abro a porta e me esqueço de respirar.
Todos os dias, quando ligam
os a tv ou acessamos redes sociais,
vemos homens bonitos.
Modelos, atores.
Há diversos representantes da beleza masculina espalhados pelos quatro cantos do planeta, mas nenhum deles chega aos pés, para mim, do meu grego.
Eu sempre me senti sem fôlego perto dele, desde a primeira vez
em que o vi, mas hoje, ele parece ainda mais selvagem. Os olhos atormentados, o cabelo longo desalinhado indo na contramão do terno de corte perfeito.
Aqueles olhos lindos me observam com seriedade, mas com muita fome também, e meus joelhos enfraquecem.
Eu me sinto dominada por tamanho. Ele nem entrou ainda e parece que ocupa a casa inteira.
Está em todos os lugares. Está em
toda parte em mim.
— Não pode mudar de ideia
— diz, acho que interpretando meu
silêncio equivocadamente.
— Sobre o quê? — disfarço.
— Sobre me querer aqui. Vim porque me chamou. Não vou embora.
— Não quero que vá embora… agora. Mas ainda não estou pronta para que fique em definitivo.
Ele dá um passo para dentro.
— Onde está Joseph?
— Dormindo. Eu te chamei porque tenho consulta com o obstetra amanhã. Acho que conseguiremos descobrir o sexo do nosso filho.
Quer vir?
Ele fecha os olhos por um instante. Quando abre outra vez, vejo a emoção mais crua neles.
— Obrigado por isso.
— Por te deixar participar?
— Por não me impedir
.
— Achei que nada poderia impedi-lo.
— De estar com meu filho,
não, mas ele não nasceu ainda e não
forçaria minha presença. Não quero que fique atormentada e sim, que tenha uma gravidez tranquila.
Sinto um estremecimento de medo.
Ele está me superando? Suas palavras demonstram que sim.
Como se tudo o que importasse fosse o bem-estar do bebê.
— Não tenho intenção de impedi-lo
— falo, tentando salvar meu
orgulho. — Vou te passar o horário da consulta por mensagem.
Tenho que conferir porque não me lembro.
Ele concorda com a cabeça, se afastando de mim.
— Vou pegar Joseph.— diz, e dou espaço para que entre. —
Quanto ao horário da consulta, virei buscá-la. Iremos juntos O garotinho está adormecido no sofá e quando o vejo pegar o filho nos braços, entro em pânico.
Não quero que vá embora ainda.
— Você… hum… quer comer alguma coisa?
— Você está no cardápio?
Por um instante, acho que não ouvi direito. Ele parecia tão controlado, tão senhor de si, mas agora me olha com uma fome primitiva.