Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 23
— Respondi suas perguntas. Agora, vou me vestir para poder pegar a babá eletrônica extra. Nunca mais cometerei esse erro, doutor… hum… Dionysus.
Eu a vejo entrar em seu quarto correndo e passo as duas mãos pelo rosto, tentando entender o que diabos há comigo, ao
mesmo tempo em que penso em todas as possibilidades que
resultariam levar Cecily para a cama.
A única conclusão a que chego é de que no momento em que fizer isso, terei que excluí-la em definitivo da minha vida.
Será uma vez só.
Capítulo 23
Rolei
na cama a noite inteira,
sem conseguir dormir depois da
conversa de ontem, mas acabo de receber uma mensagem do causador da minha insônia dizendo que Lisa, a senhora Nuttle, veio
hoje, então, eu estou livre durante o dia.
Enrolei
o máximo que pude na cama para não correr o risco
de encontrar com ele.
Elina
me deu até a próxima segunda, depois do casamento,
para voltar a trabalhar na biblioteca
da Associação, o que significa
que tenho alguns dias para encontrar um vestido para o casamento.
Eu ainda não falei com Dionysus sobre trabalhar meio expediente na biblioteca,
mas ele é meu chefe, não meu dono,
então, não vejo nada de errado em continuar com o outro emprego também.
Pego o celular e mando uma mensagem para Elina.
“Bom dia. Eu preciso de indicação de uma loja onde possa comprar um vestido para o casamento de Madison, mas sem ter que deixar meu rim como pagamento. :)”
Não demora muito e ela me responde. É uma das coisas que adoro em minha nova amiga. Para pessoas ansiosas como eu, a demora para responder uma mensagem é uma espécie de tortura psicológica.
Elina:
“Hahaha. Complicado. Sou uma mulher cara, mas por que não fazemos compras juntas? Zoe chega hoje da Carolina do Norte para o casamento e quer comprar algo também.”
“Não vou aceitar presente.”
Elina:
“Você é muito orgulhosa.”
“Não, sou pé no chão. Você já cumpriu seu papel de fada-madrinha. Preciso viver dentro das minhas possibilidades.”
Elina:
“Veremos. Pego você às dez e meia.”
Jesus, ninguém havia me dito que os gregos eram tão teimosos, homens e mulheres.
Estou me preparando para tomar um banho antes de ir ver Joseph, quando meu celular toca. Ao ver quem está chamando, sinto meu estômago revirar
.
Peyton, minha irmã de criação.
Por um instante, considero não atender, mas não sou uma criança e tenho que enfrentar os meus problemas.
— Alô.
— Finalmente
ouço sua voz. Cheguei a pensar que tinha
morrido.
Sinto o maxilar contrair
.
É assim que ela fala comigo após tanto tempo sem qualquer contato.
Desde que fiz dezoito e saí de casa, essa é a primeira vez que nos conversamos, mesmo que eu tenha continuado morando em nossa cidadezinha
e ela e Jodelle
pudessem me encontrar se
desejassem.
Quando fui embora, assinei um documento abrindo mão da minha parte da casa, que era do meu pai, porque eu só queria me livrar daquelas duas.
Peyton e a mãe venderam tudo e foram embora para a capital. Nunca mais as vi. Não me procuraram, então eu não tenho a menor ideia da razão dela estar me telefonando agora.
— O que você quer, Peyton? Estou de saída.
— Saída para onde?
— Não é da sua conta.
— Nossa, que grosseria.
Reviro os olhos, sentindo uma pontada de dor cabeça ter início.
É irônic
o que ela me acuse de rudeza quando junto à mãe,
sempre me tratou aos gritos.
— Não tem problema, irmã. Eu não sou rancorosa. Como vai a vida em Nova Iorque?
— Como sabe que estou em Nova Iorque?
— Porque fui procurá-la naquele fim de mundo onde nascemos e me disseram
que tinha
se mudado. Por quê? Não é do
tipo
que vive em cidade grande. Na verdade, Austanville
[13] combina
com você: sem graça e simplória.
— Ligou para me ofender? Porque se foi, procure uma nova vítima. Sou imune ao seu veneno. T
omei antitetânica esse ano.
— Haha! Muito
engraçada. Finalmente
começou a mostrar
as
garras, Harper?
— Como eu te disse antes, estou com pressa, Peyton. Se puder dizer de uma vez o que quer, facilitaria o trabalho para nós
duas.
— Quero ir visitá-la.
É a minha vez de dar risada.
— Virou comediante?
— Não entendi.
— Eu saí da casa que pertenceu ao meu pai, abrindo mão do que era meu por direito,
por uma razão: não a queria por perto. Nem
você e nem sua mãe. E agora que finalmente
estou livre
de vocês, a
receberia em minha casa? Talvez em outra vida. Ou, quem sabe, nem assim.
— Ingrata. Mamãe te criou como se fosse filha dela.
— Quando isso aconteceu, Peyton? Nos dias em que meu pai viajava e ela me deixava passando fome? Ou quem sabe quando escondia shampoo e condicionador
e dizia
que eu tinha que
me virar com sabonete porque não precisava daqueles luxos? Ou quando me trancava em casa por um fim de semana inteiro para viajar
para visitar
os parentes de vocês, me deixando sozinha e sem
comida quando eu só tinha oito anos?
— Você é muito dramática.
— E você é uma sem noção. Já ouviu aquele ditado: quem bate esquece, mas quem apanha não? Eu apanhei muito, literal e
figurativamente
falando. Vocês perderam o poder sobre mim. Se
acha que vai se aproximar só porque moro em Nova Iorque, não me conhece tão bem assim.
Desligo o telefone, tremendo e com muita raiva de mim mesma por perder o controle desse jeito.
Eu nunca fiz terapia porque não tive dinheiro
suficiente,
mas
já li
muito a respeito e sei que quando você se descontrola assim na frente do inimigo, dá poder a ele.
Pensei que era imune às lembranças, mas pelo visto, elas ainda estão muito enraizadas dentro de mim, causando estragos.
Vou para o banheiro, apertando os olhos para não chorar
.
Acabou. Peyton e Jodelle
são apenas memórias ruins de um
passado. Elas não podem mais me fazer mal.
Eu preciso repetir isso como um mantra. Não posso me dar ao luxo de quebrar. Não há ninguém para reunir meus pedaços depois.