Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 26 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 23

— Respondi suas perguntas. Agora, vou me vestir para poder pegar a babá eletrônica extra. Nunca mais cometerei esse erro, doutor… hum… Dionysus.

Eu a vejo entrar em seu quarto correndo e passo as duas mãos pelo rosto, tentando entender o que diabos há comigo, ao

mesmo tempo em que penso em todas as possibilidades que

resultariam levar Cecily para a cama.

A única conclusão a que chego é de que no momento em que fizer isso, terei que excluí-la em definitivo da minha vida.

Será uma vez só.

 

Capítulo 23

Rolei

na cama a noite inteira,

sem conseguir dormir depois da

conversa de ontem, mas acabo de receber uma mensagem do causador da minha insônia dizendo que Lisa, a senhora Nuttle, veio

hoje, então, eu estou livre durante o dia.

Enrolei

o máximo que pude na cama para não correr o risco

de encontrar com ele.

Elina

me deu até a próxima segunda, depois do casamento,

para voltar a trabalhar na biblioteca

da Associação, o que significa

que tenho alguns dias para encontrar um vestido para o casamento.

Eu ainda não falei com Dionysus sobre trabalhar meio expediente na biblioteca,

mas ele é meu chefe, não meu dono,

então, não vejo nada de errado em continuar com o outro emprego também.

Pego o celular e mando uma mensagem para Elina.

“Bom dia. Eu preciso de indicação de uma loja onde possa comprar um vestido para o casamento de Madison, mas sem ter que deixar meu rim como pagamento. :)”

Não demora muito e ela me responde. É uma das coisas que adoro em minha nova amiga. Para pessoas ansiosas como eu, a demora para responder uma mensagem é uma espécie de tortura psicológica.

Elina:

“Hahaha. Complicado. Sou uma mulher cara, mas por que não fazemos compras juntas? Zoe chega hoje da Carolina do Norte para o casamento e quer comprar algo também.”

“Não vou aceitar presente.”

Elina:

“Você é muito orgulhosa.”

“Não, sou pé no chão. Você já cumpriu seu papel de fada-madrinha. Preciso viver dentro das minhas possibilidades.”

Elina:

“Veremos. Pego você às dez e meia.”

Jesus, ninguém havia me dito que os gregos eram tão teimosos, homens e mulheres.

Estou me preparando para tomar um banho antes de ir ver Joseph, quando meu celular toca. Ao ver quem está chamando, sinto meu estômago revirar

.

Peyton, minha irmã de criação.

Por um instante, considero não atender, mas não sou uma criança e tenho que enfrentar os meus problemas.

— Alô.

— Finalmente

ouço sua voz. Cheguei a pensar que tinha

morrido.

Sinto o maxilar contrair

.

É assim que ela fala comigo após tanto tempo sem qualquer contato.

Desde que fiz dezoito e saí de casa, essa é a primeira vez que nos conversamos, mesmo que eu tenha continuado morando em nossa cidadezinha

e ela e Jodelle

pudessem me encontrar se

desejassem.

Quando fui embora, assinei um documento abrindo mão da minha parte da casa, que era do meu pai, porque eu só queria me livrar daquelas duas.

Peyton e a mãe venderam tudo e foram embora para a capital. Nunca mais as vi. Não me procuraram, então eu não tenho a menor ideia da razão dela estar me telefonando agora.

— O que você quer, Peyton? Estou de saída.

— Saída para onde?

— Não é da sua conta.

— Nossa, que grosseria.

Reviro os olhos, sentindo uma pontada de dor cabeça ter início.

É irônic

o que ela me acuse de rudeza quando junto à mãe,

sempre me tratou aos gritos.

— Não tem problema, irmã. Eu não sou rancorosa. Como vai a vida em Nova Iorque?

— Como sabe que estou em Nova Iorque?

— Porque fui procurá-la naquele fim de mundo onde nascemos e me disseram

que tinha

se mudado. Por quê? Não é do

tipo

que vive em cidade grande. Na verdade, Austanville

[13] combina

com você: sem graça e simplória.

— Ligou para me ofender? Porque se foi, procure uma nova vítima. Sou imune ao seu veneno. T

omei antitetânica esse ano.

— Haha! Muito

engraçada. Finalmente

começou a mostrar

as

garras, Harper?

— Como eu te disse antes, estou com pressa, Peyton. Se puder dizer de uma vez o que quer, facilitaria o trabalho para nós

duas.

— Quero ir visitá-la.

É a minha vez de dar risada.

— Virou comediante?

— Não entendi.

— Eu saí da casa que pertenceu ao meu pai, abrindo mão do que era meu por direito,

por uma razão: não a queria por perto. Nem

você e nem sua mãe. E agora que finalmente

estou livre

de vocês, a

receberia em minha casa? Talvez em outra vida. Ou, quem sabe, nem assim.

— Ingrata. Mamãe te criou como se fosse filha dela.

— Quando isso aconteceu, Peyton? Nos dias em que meu pai viajava e ela me deixava passando fome? Ou quem sabe quando escondia shampoo e condicionador

e dizia

que eu tinha que

me virar com sabonete porque não precisava daqueles luxos? Ou quando me trancava em casa por um fim de semana inteiro para viajar

para visitar

os parentes de vocês, me deixando sozinha e sem

comida quando eu só tinha oito anos?

— Você é muito dramática.

— E você é uma sem noção. Já ouviu aquele ditado: quem bate esquece, mas quem apanha não? Eu apanhei muito, literal e

figurativamente

falando. Vocês perderam o poder sobre mim. Se

acha que vai se aproximar só porque moro em Nova Iorque, não me conhece tão bem assim.

Desligo o telefone, tremendo e com muita raiva de mim mesma por perder o controle desse jeito.

Eu nunca fiz terapia porque não tive dinheiro

suficiente,

mas

já li

muito a respeito e sei que quando você se descontrola assim na frente do inimigo, dá poder a ele.

Pensei que era imune às lembranças, mas pelo visto, elas ainda estão muito enraizadas dentro de mim, causando estragos.

Vou para o banheiro, apertando os olhos para não chorar

.

Acabou. Peyton e Jodelle

são apenas memórias ruins de um

passado. Elas não podem mais me fazer mal.

Eu preciso repetir isso como um mantra. Não posso me dar ao luxo de quebrar. Não há ninguém para reunir meus pedaços depois.