Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 4
Ouço o som da ambulância
e preparo-me para levantar quando a
garota agarra a minha mão.
— Eu sou um gato mesmo, mas já gastei a segunda vida. Tenho que tomar cuidado. Só sobraram cinco.
Depois disso, ela desmaia.
Capítulo 4
— O que aconteceu? — Zeus pergunta ao telefone.
— Como sabe que aconteceu algo?
— As câmeras de segurança do banco aparentemente filmaram
o
atropelamento e os guarda-costas me telefonaram. Onde você está?
— No hospital, esperando que ela seja atendida.
— Ela?
— Sim, uma garota. Não sei o nome. Desmaiou antes que eu pudesse perguntar. Viu as filmagens?
— Ainda não. Primeiro
quis conferir
se você estava bem. Em que
hospital estão? No de Athanasios
[9]?
— Não. Eu pedi que a ambulância a levasse para o mais próximo, mas dependendo do que os médicos digam, eu a transferirei para lá.
— Acha que é grave?
— Não, mas de qualquer forma é muito fodido.
Anderson está em
transe ainda. Nunca teve qualquer incidente do tipo ao longo da vida.
— Estou indo encontrar você.
— Zeus, não precisa. Não deveria estar com sua mulher?
Ele nem se abala, quando em outra época, se eu usasse o título, teria um infarto. Muitas coisas mudaram, no entanto, durante os últimos meses. Principalmente com relação ao futuro do meu irmão.
— Madison irá comigo.
— Não precisa vir. Se quer me ajudar, verifique as film
agens.
Temos que saber o que realmente aconteceu. — Passo a mão pelo cabelo. — Preciso saber se foi nossa culpa. De qualquer modo, não
importa a que conclusão chegue, vou custear todas as despesas.
— Não tinha qualquer dúvida quanto a isso.
Penso nos olhos azul-cobalt
o me encarando e no rosto pálido
e
pintado com pequenas sardas.
A garota parece que poderia se desmanchar com um sopro.
— Ela é muito jovem e se eu pudesse adivinhar
, necessitada
também. Estava vestida com roupas simples
e carregava uma mala
toda puída. Independentemente do que os médicos digam ou de quem foi a culpa, eu vou cuidar para que chegue em casa bem.
— Chegue em casa?
— Sim, ela não é daqui, disso eu tenho certeza.
— Menor de idade?
— Acho que não. Deixamos para preencher as papeladas depois.
Eu só preciso ter certeza de que ela está bem.
Pela minha visão periférica,
vejo alguém se aproximar e quando me viro noto que, Hades, meu irmão caçula, está aqui.
— Confira as filmagens
para mim. Hades acaba de chegar. Não
se preocupe, eu estou bem.
— Nunca vou deixar de me preocupar com qualquer um de vocês, Dionysus. Com quem ficou Joseph?
— Ares foi para minha casa. Eu tinha uma reunião com uma possível candidata a babá do turno da noite, mas pedi que ele a recebesse e marcasse para outro dia.
— Tudo bem. Vou verificar
as filmagens
e te telefono
assim que
tiver certeza do que aconteceu. Não deixe de me dar notícias.
— Zeus, eu vou ficar bem. Aproveite sua mulher. Tem minha palavra de que telefonarei caso algo dê errado.
Eu mal tenho tempo de desligar
o celular
e Hades para ao meu
lado.
— Quem é ela? Eu conversei com Anderson e ele me garantiu que a mulher se jogou na frente do seu carro. Isso é muito suspeito
— despeja, sem sequer me cumprimentar
.
Meu irmão faz jus ao nome do deus que herdou: não perdoa e destrói a vida daqueles a quem considera inimigos.
Ele é incapaz de
sentir empatia por qualquer outra pessoa que não seja de nossa família
e acho que mesmo assim, por força do sangue, não por ser algo fácil para ele.
— Não sabemos ainda. Está sendo examinada. Zeus vai verificar as film
agens, mas antes que comece com suas teorias da conspiração, ela é uma menina, Hades. Ou ao menos foi o que me pareceu no pouco tempo que fiquei perto.
— E daí? Por acaso falta de caráter tem idade?
— Jesus, de onde você tirou essa conclusão? Está a cada dia pior. Não é porque errou seu julgamento uma vez que todas as pessoas em seu caminho serão assim. Precisa seguir em frente.
— Nunca. Não até que eu destrua ambos.
— Você já a destruiu.
— Ainda não. Ela precisaria
ficar muito tempo ainda onde está
para receber a punição que merece.
— Não vou discutir esse assunto com você. Está obcecado.
— Não vim para falar sobre Juliet
ou aquele filho
da puta, mas
para saber se precisa de alguma coisa.
— Por enquanto, não.
— Então, já vou indo — ele fala de mau humor e sei que foi porque levantei o tema que o atormenta há anos.
— Hades, eu não estou tentando fazer da sua vida um inferno.
Consegue entender isso?
Ele estava andando, mas volta a me encarar
.
— Ninguém pode fazer da minha vida um inferno, Dionysus. Eu já vivo nele. Sou o senhor do submundo, esqueceu?
Ele não está sendo irônico.
Eu acho que realmente é onde sua
alma está presa.
— Doutor Kostanidis?
— Uma voz de homem me chama assim
que meu irmão parte.
Volto-me para ver quem é e me deparo com um médico e uma enfermeira.
— Pois não?
— Boa noite. Sou o doutor Roswell, o responsável pelo atendimento da senhorita... — ele franze a testa e percebo que não sabe o nome da garota também. — Pelo que pudemos atestar, não foi nada grave. Ela só teve leves escoriações. Fizemos todos os exames, inclusive uma tomografia na cabeça. Ela está bem.
— Posso vê-la?
— Seria melhor voltar amanhã. Eu mandei que a sedassem porque estava muito ansiosa.
— Onde posso verificar o nome dela? Preciso avisar a família.
— Todos os documentos foram levados para a recepção. Estão fazendo a ficha dela nesse instante para sabermos a quem — ele tosse, constrangido —, devemos cobrar.
— Não se preocupem com isso. As despesas serão por minha conta. Quero que ela tenha o melhor atendimento. Eu voltarei amanhã para vê-la. Não lhe deem alta antes que eu chegue.
Entro no elevador, seguido por meus guarda-costas e sigo direto para a recepção.
— Preciso de informações da paciente do quarto oitocentos e quatro — digo à atendente.
— O senhor tem algum parentesco com a paciente?
Cerro o maxilar
, mesmo sabendo que a pergunta da funci
onária é
válida.
— Sou o responsável por ela — respondo, sem dar margem à discussão.
A mulher não se abala. Cruza as mãos em cima da mesa da recepção e me encara.
— Qual tipo de informação deseja?
Tudo — penso, mas sei que seria impossível
porque não tenho
qualquer vínculo
com a garota. Eu conseguirei
o que preciso até a
noite chegar ao fim ou amanhã no máximo, de qualquer maneira.
Com apenas um telefonema para o meu primo Odin, a vida dela será virada do avesso.
— Apenas o nome — falo e deixo meus olhos percorrerem seu rosto e depois, mais lentamente, até a altura dos seios, me demorando ali.
Eu nunca deixo que algo me impeça de obter o que desejo. Não respeito muitas regras além das que crio quando quero atingir um objetivo.
Se ela fosse seguir à risca o protocolo, nem mesmo o nome me daria, já que não faz sentido algum me fornecer tal informação
quando acabei de lhe dizer que sou o responsável pela garota. Eu deveria sabê-lo.
Entretanto, quando vejo suas bochechas se transformarem em duas bolas cor-de-rosa, eu sei que, nesse instante, ela faria o que eu quisesse.
Qualquer coisa.
Suas mãos tremem enquanto digita,
pesquisando pelo que pedi e
em seguida, anota algo em um papel e me entrega.
Não o olho ainda, mesmo depois de pegá-lo. No momento, lhe dou total atenção. Não estou interessado em nada além do que tenho em mãos, mas ela não precisa saber disso.
— Obrigado, senhorita. Espero que tenha bons sonhos.
— Posso saber seu nome? Só para anotar aqui, caso peçam a informação pelo responsável, senhor
.
Eu lhe entrego um cartão onde só consta o telefone do meu escritório. Mesmo por essa via, ela teria que passar por minhas secretárias antes de ter acesso a mim.
— Vai ser uma boa menina e me ligar
caso seja necessário… —
Olho para o nome dela na placa, acima do seio esquerdo. — Molly?
O rubor aumenta consideravelmente.
— Com certeza, doutor Dionysus — responde, lendo meu cartão.
— É mesmo o deus do amor?
— Não. É um pensamento equivocado, senhorita. Esse é Eros.
Boa noite.
Depois de todas as merdas que aconteceram hoje, essa pequena interação quase me faz sorrir