Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 54 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 51

— Está se tornando vingativa, linda? Aprendendo com a minha família?

Estremeço diante de suas palavras, mas finjo sorrir

.

— Talvez. O que vai acontecer com ela?

— Não muito, por enquanto. Será acusada de agressão, mas essa é somente a ponta do iceberg.

— O que isso significa?

— Significa que eu nunca perdoo uma ofensa.

 

Capítulo 51

— Você tem alguma coisa a ver com isso? — Cecily pergunta,

entrando no meu escritório da emissora.

Ela tem Joseph pela mão e na outra, segura um celular

.

— Babas! — meu filho diz, se soltando e vem correndo me

abraçar.

Depois de beijar meu menino e puxar minha mulher para perto com o braço livre, olho a tela que me mostra.

— Sim, fui eu. Fui atrás dos negócios dele. Quase como tirar doce de criança. Ele sonega imposto há anos — falo, sem dar muita

importância

para a notícia

que tanto Jodelle,

a madrasta de Cecily

,

quanto o marido, foram presos por fraudarem o imposto de renda.

Ela se afasta um pouquinho para me olhar

.

— Por minha causa?

— Por minha, na verdade. Você é minha mulher. Uma ofensa a você é uma ofensa a mim também.

— Mas nem me conhecia naquela época!

— Por que se importa, Cecily? Fiz um favor à sociedade.

— Eu não me importo, mas fiquei

pensando se desejaria se

vingar de qualquer um que me machucou?

Vou até um armário onde guardo brinquedos para Joseph e pego uma caixa de carrinhos. Em todos os meus escritórios, mantenho jogos e brinquedos.

Depois que acomodo meu filho no chão, sigo para onde ela está.

— Do que se trata essa conversa?

— Eu só queria saber.

— Alguém te fez mal além de sua madrasta e da cretina da Peyton?

— Deixa para lá. É bobagem minha. Acho que tem razão. Estou assimilando

demais a personalidade dos gregos e me tornando alguém cruel.

Sorrio, porque não conheço um ser humano mais compassivo do que Cecily

. Deu para perceber que estava preocupada com a ex-esposa do pai. Quanto a mim, não perderei uma noite de sono por

isso. Uma pena que a cadeia por fraude seja tudo o que irá enfrentar.

O telefone dela toca e quando olha para o visor, parece contrariada. Em seguida, mostra-me.

— Não atenda.

— Não posso fugir dos meus problemas, Dionysus. O que ela poderá fazer? É só um telefonema.

— Não deve se aborrecer.

— Estou grávida, meu noivo, não doente.

Ela se afasta um pouco para atender. Eu verifico onde Joseph

está e confiro que continua onde o deixei, cercado de carrinhos.

Ando até Cecily

, sem disfarçar que estou ouvindo a conversa.

Não dura muito e por suas respostas, tem a ver com a prisão da mãe de Peyton.

Cecily desliga, os lábios contraídos em uma linha fina.

— O que houve?

— Adivinha? Ela queria que você interviesse para ajudar Jodelle.

— Ainda que eu decidisse por isso, o que não tenho a menor intenção de fazer, não há o que mesmo um bom advogado consiga.

Sua madrasta não tem como escapar da justiça.

Sean Carlson, o

marido dela, frauda o imposto de renda há mais de uma década.

Jodelle,

pelo que pude verificar

, ajudou-o a lavar dinheiro, não

apenas servindo como uma espécie de laranja, mas ativamente também. Ambos serão condenados, não tenho dúvidas.

— Eu não ia pedir que interviesse. Se fizeram o que está dizendo, merecem ser presos até que sanem a dívida. Eu não sei como funciona esse tipo de pena realmente, mas uma vez li uma reportagem em que se comentava sobre os chamados crimes do colarinho branco. As pessoas tendem a achar que esse tipo de infração — desvio de verbas públicas, sonegação de impostos —

são menos piores do que homicídio, agressões. O cientista

político

entrevistado na reportagem explicava por que não.

— Aham. Enquanto em crimes contra vida propriamente ditos a vítima

é uma só pessoa, no desvio de verbas públicas,

por exemplo,

milhares podem morrer, já que hospitais deixaram de ser construídos, entre outros benefícios

que não são direcionados à

população em geral. Em última instância,

são ainda mais letais do

que crimes comuns.

— E quanto a Peyton, o que acontecerá com ela?

— Vai ser punida também.

— Não precisa fazer nada, Dionysus. Tenho certeza de que acabará se dando mal sozinha.

— Eu não funciono como você, Cecily

. Não dou segunda chance

a um inimigo.

Cecily

— Cici, aonde você está?

— Elina pergunta ao telefone.

— Em casa, por quê?

— Não saia na rua hoje.

— Estava me arrumando para ir ao banco.

— Meu bem, acho que não leu os jornais,

né? Odin acabou de

me liga

r para te avisar

, porque parece que não consegue falar

com

Dionysus. Ele está em uma reunião no banco da família.

— O que houve? Está começando a me assustar!

— Calma. Não é nada tão grave.

Sento-me, sentindo as pernas fracas. Mil cenários diferentes passando pela minha mente.

Há dois dias os assessores de imprensa deram notícias, junto a

fotos oficiais

nossas — minha, de Dionysus e Joseph — sobre o

noivado.

Hoje, eu estou decidida

a contar a ele toda a verdade sobre o

passado. Não posso adiar mais. T

enho que parar de ser covarde.

— Diga-me, por favor

.

— Falou que está indo ao banco? Talvez seja melhor mesmo. A filha

de sua madrasta vendeu uma reportagem

contando um monte

de bobagens a seu respeito,

inclusive

que você deu o golpe da

barriga em Dionysus. Disse que saiu do Kansas determinada a encontrar um marido rico de qualquer jeito.

— Ah, meu Deus do céu!

— Calma. Dionysus nunca vai acreditar

em algo assim. Odin já

entrou em contato com Zeus e estão tomando providências para

neutralizá-la

e tentar

conter os estragos. Se for mesmo encontrar

Dionysus no banco, não vá sem os guarda-costas.

— Obrigada por me avisar

, Elina. Estou saindo de casa agora.

— Para minha paz de espírito, mantenha o celular ligado, Cici.

— Pode deixar. Assim que eu chegar lá, eu te aviso. Sei que Dionysus não vai acreditar nela, mas eu preciso conversar com ele pessoalmente.