Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 11
Nem eu mesmo entendo o que ainda faço aqui. Eu ofereci ajuda e ela recusou. O que mais há para ser dito? Ainda assim, não consigo ir embora porque tenho a sensação de estar sendo injusto.
— Senhorita Bradley…
Ela para e me encara outra vez, mas antes que eu possa abrir a boca, ouvimos uma batida na porta e em seguida, Elina, a
esposa de Odin, entra.
— Dionysus, como está? Gostaria de ter uma palavrinha com
a garota que você atropelou.
— Eu não…
Ela se aproxima, me beija e abraça.
— Eu sei que não a atropelou realmente, mas gosto de ver vocês, homens arrogantes, perderem o controle. — Sorri. — Olá, Harper, meu nome é Elina e eu vim aqui para salvá-la das mãos deste grego malvado.
Capítulo 11
Eu ainda custo um pouco para dar atenção à mulher loira e com aspecto de top model que acaba de entrar no meu quarto de hospital porque estou presa à presença do homem que era minha esperança, mas que vem aos poucos se tornando meu algoz.
Nada do que saiu da boca de Dionysus em relação a mim foi gentil,
apesar de eu ter que reconhecer que, dado o que fiz, ele está sendo generoso.
Entretanto, sua generosidade não me serve. Eu preciso ficar na vida dele, agora entendo. Caso contrário, nunca poderei me aproximar de Joseph.
Não há a menor chance desse homem desconfiado acreditar em
minha história sem que me conheça ao menos um pouco antes.
O grego mandão parece não poder esperar o suficiente para se
livrar de mim.
Eu deveria detestá-lo, não importa quão lindo seja, mas ainda assim, sinto-me enredada em uma teia invisível
de sensualidade
que não importa o quanto eu me esforce, não consigo me libertar
.
Tem que ser algum tipo de magia que o nome dele evoca. Não há outra explicação porque, sem medo de errar, eu nunca conheci alguém tão arrogante.
Dionysus é daquele tipo que as mulheres viram a cabeça para olhar quando passa na rua, não somente porque é dono de uma beleza que não deixaria nada a dever a um modelo fotográfico masculino, mas porque tem aquele “algo mais”, uma sedução latente e tão selvagem que faz com que meu coração mantenha-se constantemente disparado e que me esqueça de minha missão.
No pouco tempo em que estamos falando, eu entendi que não apenas me aproximei da jaula do leão sem ter a menor ideia de como domesticá-lo. Eu estou
dentro dela.
E não é só isso. A maneira como ele me encara, apesar da boca cuspir animosidade, é como um homem olha para uma mulher
.
Eu deveria ignorá-lo
porque a atração física
não só é mútua, mas
avassaladora. O corpo musculoso e o rosto sexy do meu inimigo
—
porque é isso que ele vem se tornando — me desperta de um modo que me deixa trêmula. Ele é perigoso para mim em mais de um sentido.
Ao invés de correr, porém, fiquei
parada como uma presa se
oferecendo em sacrifício ao caçador
.
Engulo em seco, me obrigando a voltar ao mundo real, mas mesmo quando desvio os olhos para dar atenção à mulher que acaba de chegar, sinto os dele em mim e meu corpo corresponde, arrepiando-se inteiro.
— Olá, dona Elina.
Pode me chamar só de Cecily
. É um prazer
conhecê-la. — Mesmo que eu não faça a menor ideia de quem seja
ou o que está fazendo aqui. — Se puder me dar cinco minutos, vou apenas trocar de roupa.
— Sim, faça isso e depois vamos conversar sobre seus planos em Nova Iorque.
O quê? Qual o significado disso e quem é essa mulher?
Não sou do tipo que dispensa oportunidades, no entanto, e sem mais uma palavra, corro para o banheiro em anexo para me trocar
.
Eu acho que bato todos os recordes de velocidade ao me vestir,
uma parte tola e meio infantil
com medo de que a mulher se vá e me
deixe sozinha novamente com o homem prepotente. Não porque eu ache que ele pode me fazer mal, mas porque não confio em mim mesma em não deixá-lo
me convencer a ir embora, já que o grego
parece capaz de poder, com todo aquele charme arrogante, conseguir convencer um esquimó a comprar gelo.
No que na maioria das pessoas é uma característica desagradável, a arrogância dele torna-o ainda mais fascinante.
Eu preciso tomar muito cuidado com o doutor Kostanidis.
Apesar de não haver qualquer foto dele com mulheres nas revistas nos dias atuais, talvez por conta da viuvez relativamente recente, no passado não só ele como os irmãos eram flagrados por
sites de celebridades
com modelos internacionais.
Mulheres lindas
e
sofisticadas.
O magnata é um conquistador e ficar enamorada por ele vai tornar mais difícil alcançar meu objetivo.
Abaixo-me para lavar o rosto. Quando torno a erguê-lo, vejo minha imagem refletida no espelho e sinto vontade de chorar
.
Estou pálida
e com um aspecto cansado e acabo de ter certeza
de que imaginei
qualquer interesse que pudesse haver da parte do
doutor Kostanidis por mim. Não há maneira de um homem daquele me olhar com desejo.
Pareço uma boneca de louça com os olhos azuis se destacando muito no rosto.
Fico agradecida que tenham deixado minha bolsa no banheiro e pego um pente nela para deixar o cabelo minimamente apresentável. Quando acho que estou bem o suficiente para enfrentar os dois estranhos do lado de fora, seguro a maçaneta e saio.
— Sinto muito por ter demorado — falo para a loira, ignorando completamente o bilionário.
No fundo, eu tinha esperança de que ele já tivesse partido, apesar de precisar muito que ele não se afaste.
É, no momento, sou uma massa confusa de pensamentos contraditórios.
— Sou a esposa de Odin, um primo de Dionysus, Cecily
— diz,
usando meu primeiro nome como pedi —, e vim aqui para ajudá-la.
— Ajudar-me? — pergunto, confusa.
— Sim, mas primeiro quero que me conte sua história.
— Não sei se estou entendendo.
O tempo todo que falo
com ela sinto os olhos do homem em mim,
mas finjo indiferença.
— Você não é daqui — ela diz.
— Não, sou do Kansas — respondo, embora eu tenha quase certeza de que ela já saiba disso.
Quem é essa gente? Eles me investigaram?
Meu Deus, aonde fui
me meter?
— E veio para Nova Iorque à procura de um emprego de babá —
diz, e eu suspiro aliviada.
Ah, deve ter sido o senhor Colt quem lhe contou. Mas se foi o caso, como pôde chegar aqui tão rápido?
— Sim, eu vim — falo,
agarrando esta chance. Não é como se eu
tivesse muitas opções. — Mas não dei muita sorte até agora.
Ela olha para a mala perto da cama.
— Estava indo embora?
— Eu considerei
essa possibilidade,
sim — falo com cuidado —,
mas ficaria muito triste se tivesse que fazer isso.
— Por quê?
— Porque eu vim para Nova Iorque para alcançar um objetivo
—
respondo, mentindo apenas parcialmente. — E não gostaria de partir sem realizá-lo.
Nenhum dos dois precisa saber que meu objetivo não tem nada a
ver com ganhar mais dinheiro porque eu não preciso disso. Estava
muito feliz
trabalhando na pequena biblioteca
comunitária
da cidade
onde nasci e cuidando dos bebês de vizinhos nas horas livres.
Não é dinheiro o que me motiva, é a lealdade.
— Eu não tenho mais filhos
pequenos que precisem de babás —
diz e eu abro a boca, espantada.
Ela está me dizendo que se tivesse, os deixaria sob meus cuidados?
Sem conseguir me impedir
, olho para o grego e pela primeira
vez,
me sinto autoconfiante
em sua presença. Eu o encaro de igual
para
igual e mando uma mensagem silenciosa
de “eu não preciso de
você”, embora seja uma mentira.
— Mas tenho uma Associação e posso tentar encaixá-la em alguma função.
— Eu não estou tentando ser ingrata, mas por que faria isso?
— Porque meu marido me contou sua situação — continua, sem dar qualquer explicação
de como o marido dela sabe da minha vida.
— E eu quero que você tenha uma chance. Talvez Nova Iorque não seja o que imagina
e no fim
de tudo, queira voltar correndo para sua
cidade.
Eu voltaria agora mesmo se fosse possível, mas não é. Eu não posso deixar o garotinho a quem vim conhecer para trás.
— Eu não vou voltar para minha cidade, dona Elina. Estou determinada a mudar minha vida.
— Elina somente, Cecily
. Quanto a não querer mais ir embora,
espere alguns meses para tomar uma decisão definitiva.
Depois dessa espécie de previsão, ela começa a me fazer perguntas sobre o que sei fazer e quando explico que já trabalhei
em uma biblioteca também, apesar do lugar ter um acervo minúsculo, parece encantada.
— Nós temos uma biblioteca
em nossa Associação. Tenho certeza de que posso lhe arranjar alguma coisa por lá.