Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 25
Eu li em um site sobre transtorno da ansiedade que, quando nos sentimos assim, devemos tentar algum exercício físico para
combatê-la, não uma atividade intelectual.
Desço em direção à piscina
aquecida e sem nem testar a
água, me jogo nela.
Eu não saberia dizer por quanto tempo nado, mas quando saio, meus músculos estão exaustos e a mente, entorpecida.
Subo para o meu quarto como um robô e depois de uma chuveirada, caio na cama de roupão mesmo.
Eu não quero pensar naquela miserável. Eu espero que ela esteja queimando no inferno.
Capítulo 25
Tornou-se uma espécie de obsessão desvendar o passado de Sue com Dionysus.
Eu sei quem ela foi, mas e ele, sabia? Acho que não. Pelo que conheço do meu chefe até agora, não é o tipo de homem que se uniria a alguém como a ex-mulher de Keith, então é claro que o enganou.
O que não faz sentido, é que, ao contrário do meu amigo, que era bom demais para esse mundo, Dionysus é um homem vivido, experiente com mulheres, então não consigo entender como não percebeu que Sue era tão falsa quanto uma nota de três dólares.
Ela o seduziu? Duvido. Não há maneira de que apenas um corpo e boas noites de sexo, o enganassem assim.
Então eu me lembro de Keith e de nossas conversas. O quanto ele parecia apaixonado, encantado pela “boa moça” que conhecera na cafeteria da faculdade.
Quando se encontraram, ele já era rico, mas poucos sabiam do fato. Na verdade, apenas os mais próximos.
Eu me lembro como se fosse hoje do dia em que ele me telefonou para contar que estava apaixonado e iria se casar
.
Não havia palavras o sufici
ente para elogiá-la.
Keith a pintou
como uma santa: amorosa e doce.
Eu já tinha saído de casa. Morava sozinha e ele me ajudou nos primeiros passos. Alugou um apartamento para mim — valor esse que o reembolsei integralmente assim que pude. Consegui um emprego e me libertei de vez das garras de Jodelle.
Eu estava prestes a me mudar para a Califórnia,
onde ele nasceu e cresceu porque foi isso o que combinamos, implicitam ente: que
em algum momento, estaríamos juntos. Tudo mudou quando Sue entrou na equação.
Ainda que nenhum de nós ansiasse por um relacionamento amoroso, eu o adorava e queria estar onde ele estivesse.
Não havia atração física.
Ainda assim, morar com ele, ou perto,
ao menos, era minha ideia
de paraíso porque Keith se tornou minha
referência
no que dizia
respeito a amor, desde que meu pai falecera.
Eu estava louca para conhecer a mulher que roubou o coração do meu amigo, mas a cada vez que sugeria um encontro, ele dava uma desculpa, até que finalmente
me confessou que comentou com
Sue a meu respeito e ela ficou com ciúmes de mim.
Eu entendi o que ele não falou:
não haveria mais um nós, a
amizade estava suspensa e o contato ocorreria esporadicamente e à distância.
Fiquei
triste porque nem mesmo para o casamento fui convidada,
mas o amor e carinho que eu sentia por ele eram tão grandes que sua felicidade era a minha também.
Desejei-lhe boa sorte e segui em frente.
Os telefonema
s rarearam, as mensagens de texto também.
Aprendi a ser sozinha, como sempre.
Os meses se passaram e presumi, corretamente, que já estava casado. Esperei que da próxima vez que nos falássemos, pudesse ser como antigamente e que sua mulher entenderia que não havia o que temer. Éramos apenas amigos.
Entretanto, quando ele fez o próximo contato, cinco meses depois de casado, lembrava muito pouco o rapaz que eu conheci.
Nunca vou me esquecer de seu rosto naquela chamada de vídeo que fizemos após meses sem qualquer notícia. Inicialmente, tomei
um susto apenas pelo fato dele me procurar, depois, eu me esqueci da mágoa por Keith ter me posto de lado com tanta facilid ade assim
que vi seu rosto abatido, na verdade, transtornado.
Estava diferente, triste e um tanto paranoico.
Disse-me que Sue não era quem pensava, que era interesseira e
cruel.
Eu não soube o que falar
. Achei que era uma briga de casal e
que tudo ficaria bem. Não foi o que aconteceu. No telefonema
seguinte ele me disse que ela estava grávida e que temia pela própria vida.
Aquilo
me ligou
um sinal
de alerta com letras em neon. Keith era
a pessoa mais crédula que eu conheci. Para ele, todos eram bons e chegar ao ponto de desconfiar que a própria esposa poderia prejudicá-lo,
usar de violência
, me mostrou que seu medo era muito
real.
Combinamos de manter contato até que pudéssemos nos ver.
Implorei
para ir encontrá-lo, mas naquele ponto, ele estava
preocupado por mim também.
Comecei a ficar apavorada. Quem era aquela mulher?
Um dia, ele me ligou,
a voz era de alguém que não estava mais
no controle das próprias emoções.
Keith me deu o passo a passo caso algo lhe acontecesse. Me fez jurar que olharia por seu filho
que ainda nem nascera, que o
protegeria daquela a quem chamou de monstro.
Pedi que fosse embora de casa, mas ele me disse que não podia.
Tinha medo que para puni-lo, Sue prejudicasse o bebê.
Conversamos por horas, tentando encontrar uma solução. Não havia, até que a criança nascesse. Enquanto Sue estivesse grávida, meu amigo era refém dela.
Na semana seguinte, tentei entrar em contato. O celular não respondia. Mandei e-mail e me desesperei quando os dias passavam sem notícias, até que decidi pesquisar seu nome na internet.
Eu nunca me esquecerei de quando descobri sobre sua morte.
Não acreditei por um segundo sequer que fora acidental.
Ela fez aquilo e eu jurei que a faria pagar
.
Keith não tinha mais ninguém para lhe fazer justiça. A avó já morrera há muito tempo, ele precisava de mim como um dia eu
precisei dele.
Juntei minhas últimas economias e fui para San José[14]. Eu era ingênua, nunca tinha saído do Kansas e nem sabia por onde começar a busca por Sue.
Com meus poucos recursos, perdi meses preciosos até descobrir que ela estava morando em Nova Iorque e que havia se casado com um grego poderoso. Vi a foto dos dois nos jornais, ela com Joseph nos braços. Pela idade do bebê relatada na reportagem, sabia que era o filho do meu amigo.
Olho para a criança sentada no chão em seu rico quarto de brincar. A mesma pela qual sou responsável agora.
Por tudo o que aconteceu, Deus foi generoso com Joseph, lhe dando não somente um pai substituto amoroso, como uma boa família.
Você não tem ideia do quanto seu pai o adorava mesmo sem conhecê-lo, meu amor — digo em silêncio.
— O quanto ele se
arriscou para te proteger
.
Joseph é uma criança calada, percebi, pelo pouco tempo que convivemos e eu me pergunto se tem a ver com o que passou ainda no útero materno: as brigas, o ódio recíproco dos pais.
Ele levanta a cabeça do joguinho de montar que estava brincando e me oferece uma das peças, sorrindo.
— Quer que eu brinque com você?
Ele balança a cabeça, fazendo que sim.
— Não sei se me entende, mas eu te amo, Joseph. Eu amava seu pai e te amo com a mesma devoção. Não há nada que eu deixaria de fazer para garantir que seja feliz.