Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 43
Dias depois
Hoje Madison me telefonou para dizer que a irmã, Brooklyn, que saiu do coma há alguns dias, está se recuperando muito mais rápido do que o esperado.
Um milagre da vida, Deus lhe dando uma segunda chance.
Eu preciso de um milagre também. E de segundas chances, principalmente,
mas além de tudo, eu preciso ter coragem para contar ao pai do meu filho quem sou.
Isso mesmo. Terei que revelar minha identidade não mais a Dionysus, o chefe, namorado, amante. Ele é tudo isso também, mas é, principalmente, o pai do bebê que estou esperando.
Estou grávida.
Havíamos combinado que eu faria o exame de sangue com o mesmo médico que está cuidando de Madison, mas eu não pude esperar. A ansiedade estava me matando, então, hoje pela manhã fui sozinha a uma clínica e fiz.
— Shishiii…. Uco.
— Mais suco?
— Shimmmmm.
— É bom ser pequeno e tão amado, não é, Joseph? Não ter dúvidas, medo de ficar sozinho, não saber ainda o que é sentir culpa… Porque é assim que estou hoje. Triste, e sem orgulho nenhum de mim mesma.
Seco as lágrimas
que teimam em escorrer. Não acho que esteja
emotiva por causa da recém descoberta gravidez e sim, porque tenho guardado o choro por uma vida inteira.
— Está sentindo alguma coisa, senhorita Bradley? — Barbara pergunta.
Senhorita
Bradley
, não Cecily
. Uma prova de que eu e Dionysus
não somos tão discretos como acreditávamos. Os empregados já perceberam que estamos juntos.
— Não. Só um pouco emotiva.
— Parece cansada. Não é justo que Lisa a sobrecarregue tanto.
Ela já faltava normalmente, agora parece que por saber que mora aqui, tornou-se mais irresponsável.
— De verdade, não me importo de ficar com ele, Barbara.
— Sei que não. Qualquer um percebe que ama o garoto.
Concordo com a cabeça apenas, porque apesar de nos darmos bem, não estou com vontade de conversar e acho que ela nota, já que logo em seguida, sai.
Meu celular
toca e vejo pelo identificador
que é Dionysus. Hesito
antes de atender, tão cansada de mentir, ocultar ou qualquer outro nome que se dê para o que venho fazendo.
Dionysus: “Atenda”.
Não sou exatamente fã de ordens ou ultimatos, no entanto, fico arrepiada ao ler o visor
. Não devo estar bem, mesmo.
— Eu ia atender.
— Não ia. Estava pensando. Decidindo-se. Por que sempre tenho que perseguir você, Cecily? Por que parece gostar de fugir de mim?
Fui eu quem te perseguiu
— penso. — E tenho medo que me
odeie quando descobrir isso.
— Gosto da ideia de ser caçada por você.
— Não tenho problema com isso. Caçá-la me excita. Além do mais, sabemos que a noite terminará comigo dentro de sua boceta.
— Meu Deus do céu!
— Venha me ver. Quero te foder em cima da minha mesa.
Sei que hoje ele está na emissora de tv. Nunca fui lá e tenho curiosidade. T
alvez fizesse meu dia ficar um pouco melhor
.
— Não posso. Lisa não veio novamente.
— Porra! Há três dias está trabalhando em dois turnos. Deve estar exausta.
— Tanto quanto as mães ficam
quando criam os filhos
sozinhas.
Estou bem, mas não posso ir hoje. Convide-me novamente amanhã.
— Vou pedir a Ares que fique
com Joseph essa noite
e te levarei
para jantar
.
— Não estou pronta ainda.
Ele vem insistindo
para que apareçamos em público
e sei que os irmãos e primos dele sabem sobre nós, porque me contou que conversou com eles. Elina também, então só falta Madison dos parentes mais próximos.
— Quando?
— Eu não sei. Por que isso é importante?
— Não gosto de me esconder, mas hoje, não é sobre isso. Quero ficar a sós. Precisamos conversar
.
— Sobre o quê?
— Não minta para mim, Cecily
. Na verdade, sequer omita. Não
reajo bem a traições
de qualquer tipo. Você foi ao médico. Mesmo
depois de conversarmos
sobre fazer o teste no obstetra
da família,
foi sozinha. Por quê?
— Porque sinto que estou perdendo o controle da minha vida.
Queria manter um mínimo que fosse de autonomia.
— Escondendo de mim se está grávida?
— Não. Eu nunca faria isso. Acho que somos errados um para o outro, mas não te esconderia a verdade.
— Não quer jantar?
Tudo bem, mas vamos tirar
a noite só para
nós dois de qualquer maneira. Ares vai ficar
com meu filho.
Pego
você às oito.
— Não tenho escolha?
— Dessa vez, não. Esteja
pronta. Vamos jantar
e depois vai me
dizer qual foi o resultado do exame.
Desligo o telefone com o coração disparado. As batidas tão intensas que me doem o peito. Estou com medo de contar tudo, mas ele tem o direito de saber
.
— Por que parece prestes a desmaiar? — Ares pergunta quando nos encontramos no corredor da mansão e eu me assusto.
Estou pronta para jantar com meu “não sei que nome chamá-lo” e ia passar no quarto de Joseph para me despedir, quando dei de cara com o segundo Kostanidis mais velho saindo de lá.
— Não pareço — respondo de cara fechada porque mesmo que os parentes sejam intimidantes,
assim como o próprio Dionysus,
estou emocionalmente
esgotada hoje e será preciso muito mais do
que um grego bilionário mal-humorado para me tirar do eixo.
— Está escondendo alguma coisa? — pergunta, fingindo brincar,
mas sei que está falando sério.
Já reparei que cada um dos Kostanidis tem características peculiares.
Zeus é sério e tem um jeito de te olhar que parece ver sua alma.
Dionysus parece suave, charmoso, capaz de fazer calcinhas derreterem, mas é tão desconfiado
e frio
quanto os outros membros
da família.
Ares é um bad boy à primeira vista, rebelde e que não dá a mínima para o que pensam dele, mas assim como os outros, é cínico e observador, e apenas passa uma falsa impressão de leveza.
Finalmente, temos Hades, o mais assustador de todos. Ele encara as pessoas como se as odiasse ou ao menos desprezasse o mundo inteiro.
Poucas vezes se dirigiu
a mim e quando o fez, eu
quis correr.
A Cecily que chegou em Nova Iorque talvez fugisse após a pergunta dele. A de hoje, aprendeu sobre a própria força.
— Se eu estivesse, doutor Kostanidis
— falo
com imprudência
—,
não seria ao senhor que iria revelar