Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 44
.
Não tenho ideia de qual será sua reação, mas me irrita ainda mais quando vejo um canto de sua boca se erguer, em uma sombra de sorriso.
— Doutor Kostanidis?
— Não é o seu nome?
— Pode estar carregando meu sobrinho dentro do seu corpo, Cici
— diz, enfatizando meu apelido de propósito. — Vai continuar me chamando assim quando entrar em trabalho de parto?
— Não teve graça.
— Não tentei ser engraçado, só disse a verdade. Se estiver esperando um filho
do meu irmão, será nossa. Parte da família.
Então, talvez devesse começar a se acostumar a me chamar pelo
nome, moro moo[19].
Capítulo 44
— É um sequestro? — ela tenta brincar, mas sei que está muito nervosa.
— E se for? Não acha que é um pouco tarde para sentir medo de mim?
— Não tenho medo de nada — diz, olhando para fora da janela, enquanto Anderson dirige.
Acho que ela não se dá conta de como é transparente e que demonstra ansiedade no momento. Vê-la tão nervosa me faz desejar protegê-la porque eu acho que sei a razão.
Não sou do tipo que aprecia mistérios.
Segredos geralmente
me irritam, mas com ela, estou fazendo uma concessão, considerando nossa situação atual, sua juventude e acima de tudo, inexperiência.
Cecily passou de uma existência simples no Kansas a vir conviver em meio à alta sociedade e mesmo que ainda não tenhamos nos mostrado em público
como um casal, ainda assim é
uma mudança drástica de estilo de vida.
Ela é forte, não tenho dúvidas. Atravessou o inferno na
infância
e adolescência — espancamentos, fome e solidão — e ainda consegue sorrir e ter amor dentro de si.
Entretanto, há muita vulnerabilidade nela também.
— Disse-me que queria conversar — fala.
— E iremos, mas não agora.
— Eu não entendi. Por que saímos então?
Eu puxo sua nuca e tomo-lhe a boca em um beijo lento.
Normalmente, basta um simples encostar para estarmos queimando um pelo outro, mas hoje, eu quero mais do que fodê-la. Quero sua entrega e confiança.
Ela fica
tensa a princípio,
mas logo se desmancha, virando
um pouco o corpo para me sentir melhor, encostar o peito no meu, quase montando meu colo.
Quando nos separamos para recuperar o fôlego, seguro seu rosto.
— Não quer aparecer em público
ainda, mas vou te levar a
um encontro de qualquer modo. É minha namorada. Se não vamos a um restaurante, o restaurante virá até nós.
Pela primeira vez na noite, ela sorri.
— Uma surpresa?
O rosto está relaxado, completamente desarmado.
— Gosta delas?
— Das boas, sim. — Ela reclina a cabeça contra a minha mão, tentando pegar mais carinho. — E nossa conversa?
— Mais tarde. Teremos tempo.
Ela não diz mais nada. Recosta no meu ombro, enquanto a mão pousa na minha perna, fazendo desenhos imaginários.
Minutos depois, ainda está quieta e não consigo entender a razão do silêncio.
Cecily
é vibrante e feliz.
Não age em seu modo
natural hoje.
— Por que tão calada?
— Estou pensando.
— Fale-me.
— Por que quer ficar comigo? Poderia ter a mulher que desejasse. Para que se meter nessa complicação?
— Eu não desisto do que quero só porque é complicado.
— Entendeu o que eu disse.
Anderson estaciona em frente a uma das minhas coberturas na cidade, em frente ao Central Park. Ela é perto da antiga de Zeus, onde ele morava antes de se casar com Madison. Está mobiliada e
comprei como investimento. Iria vendê-la, mas resolvi, depois da recusa de Cecily de sair em público, que traria um restaurante inteiro para ela aqui.
— Sim, eu entendi — continuo. — O que não estou conseguido entender é por que parece estar quase torcendo para que eu desista de você. Não sabe que isso só fará com que eu te persiga ainda mais?
— Como um desafio? — pergunta, parecendo zangada.
Na verdade, eu tenho a sensação de que anseia por uma razão para brigar.
— Como a mulher que eu quero.
Saio do carro, me sentindo um pouco puto agora.
Ela me envia mensagens cruzadas. Parece completamente envolvida sexualmente, mas se fecha em relação a qualquer outra coisa.
Dou a volta para abrir sua porta, me antecipando a Anderson e ajudo-a a descer. Seguro sua mão e sigo para o elevador
.
— Um edifício residencial?
Assinto com a cabeça, sem falar. Dentro do elevador, sei que ela me observa, mas eu não a olho de volta, tentando me acalmar
.
Tenho um gênio infernal
e não quero dizer algo que vá me
arrepender.
Persegui-la
não me incomoda. Vê-la tentar sabotar nós dois,
já é outra história.
Cecily se aproxima de mim e pousa as mãos em meu peito.
— Você é um sonho. É por isso que sinto tanto medo.
— O quê?
— Ficar com você é como viver um sonho. Um tipo de conto de fadas que nunca esperei que fosse acontecer comigo. Não, na verdade, um que não acontece com garotas como eu.
— Porque sou rico?
— Não. Porque pertencemos a universos diferentes. No seu mundo, as mulheres, os relacionamentos, são descartáveis. Sou uma garota do interior
. Não importa o corte de cabelo novo e as
roupas que Elina
me deu, continuo sendo uma menina do interior
do
Kansas, Dionysus.
— Eu não me importo de onde veio, quanto tem no banco, se é experiente, mas sim o que eu sinto quando estou dentro de você.
O que eu senti desde a primeira vez em que entrei em você. Tem razão quando diz que no meu mundo os relacionamentos são
descartáveis, mas se fosse esse o presente caso, não estaríamos aqui.
— E o que estamos fazendo aqui?
O elevador para e eu a guio em silêncio.
A porta da cobertura se abre, provavelmente porque Anderson avisou que estávamos subindo e um garçom nos recebe, dando as boas-vindas.
Ela interrompe os passos, olhando para mim com uma pergunta no rosto.
Não falo nada, pousando a mão na parte baixa de suas costas e guiando-a para o interior do apartamento, até a parte de fora.
Como uma boa menina, ela me deixa levá-la
até seu lugar na
mesa longa, retangular, que está coberta com pétalas de rosas e dois castiçais com velas acesas no centro. Rígida, espera em silêncio, sentada, até que eu me acomode.
— Eu não estou entendendo. Por que isso tudo?
— Por que não? Acha que não merece?
Ela abre a boca e volta a fechá-la, mas eu sei a verdade.
Cecily tem baixa autoestima, fruto dos anos em que foi inferiorizada.
Acredita que deve agradecer por qualquer coisa, como se ser aceita e amada fosse um favor que lhe estão prestando.
O garçom vem nos cumprimentar e fala sobre o cardápio, dando-lhe todas as opções, dignas de um restaurante três estrelas do guia Michelin, que foi o que contratei.
Aguardo que escolha. Não estou interessado na comida ou bebida, mas nela.
Eu me dei conta de que estava agindo como se Cecily fosse uma mulher ao alcance da minha mão, com quem só faço sexo, e apesar de tudo ter começado assim, pelo tesão louco que sempre senti pela babá do meu filho,
meu desejo por ela não diminui
o que
normalmente, já deveria ter acontecido.
Eu quero entender a razão, mas muito além disso, quero investir para saber até onde poderemos chegar juntos.
— Não é isso — finalmente responde minha pergunta.
— É justamente esse o problema sim. Você está esperando que falhemos, e que a qualquer momento eu a mande para longe.
Seu rosto transmuta-se em zanga. Está chateada.
— Seu histórico não é nada bom.
Minutos depois, quando o garçom volta, ela parece alheia a mim.
Reparo que ela pediu suco de laranja ao invés de aceitar o vinho que ele ofereceu. Continua tensa enquanto ele serve as bebidas e a entrada. Muito concentrada nos copos e pratos enquanto eu, como um obcecado, tento decifrá-la.
— Está com fome, Cecily?
— Sim.
— O que há de errado, então?
— Nada, além do que eu falei.
Seu passado no que diz respeito a mulheres não é bom. Não acredito em uma mudança drástica do dia para a noite.
— Podem ir — falo aos empregados do restaurante. — Eu mesmo nos servirei.
Ela me olha espantada, mas não diz nada.
Observo-os partirem, confusos e somente quando tenho certeza de que estamos a sós, volto a falar:
— Quer conversar sobre o passado? — pergunto, com ironia.
— O que sei do seu, além do pouco que me entregou? Nem mesmo o nome do seu querido melhor amigo, o homem que a fez mudar sua vida, me disse. Por que tanto mistério, Cecily?
Ela fica da cor de uma folha de papel em branco.
— Não sei do que está falando.
— Disse que meu histórico
com mulheres é uma merda. Tem
razão. Nunca pude ser considerado um príncipe encantado, mas sempre fui
cem por cento honesto e estou sendo com você também.
Pode dizer o mesmo?
— Está me acusando de algo?
— Não. Se eu desconfiasse de você, não estaria perto do meu filho, da minha família.
— Então do que se trata?
— Trata-se de você jogar na minha cara que só quero fodê-la, e no entanto, quando tento mostrar que não é só isso, nos sabota. Eu não tenho paciência
para infantilidade.
Já é uma mulher.
Decida o que quer.
— Ou o quê? Está me ameaçando?
— Eu não ameaço. Eu ajo. Ameaças são feitas por pessoas fracas.
— E se eu disser que o que quero não é você?
— Não vou te prender, mesmo tendo certeza de que é uma mentirosa. Você me quer sim. Quer até demais, mas é covarde. Tem medo de se machucar. Prefere viver em segundo plano, como sempre te deixaram.
— Eu não prefiro, eu…
— Se acostumou a ninguém te enxergar. Eu estou aqui. Eu vejo você, quero você e no entanto, é insegura demais para lidar com isso.
— Porque não acredito que me queira. Acha que estou grávida. Por isso viemos. Fale a verdade de uma vez.
— Aguenta a verdade? Então aqui vamos nós: se estiver grávida, vamos nos casar. Será isso ou vou lutar pela guarda integral da criança na justiça.
— Teria coragem de me impedir de ver meu filho?
— Não seja dramática. Já convive comigo há tempo o suficiente
para saber que nós Kostanidis valorizamos a família.
O
que estou te dizendo é que se acha que vai embora com uma criança minha, morar no Kansas ou em qualquer outro lugar, permitindo
que eu o veja em visitas
programadas, não faz ideia
de
quem sou.
— Dá no mesmo. Está falando
que se eu estiver grávida, não
terei opção. Ficaremos juntos, mesmo que você passe a me odiar.
Ainda que não me quisesse por perto e que desprezasse.
Aperto os olhos, a certeza de que está me escondendo algo aumentando.
— Por que eu te odiaria?
Ela se levanta da mesa.
— Não importa. Essa conversa é inútil. Não estou grávida.