Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 59 de 71

Páginas do PDF

Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 56

imbecil

morreu sozinha. — Ele sorri e cruza as mãos no colo. —

Agora é sua vez novamente.

— Eu não estou entendendo.

— Não minta para mim, Cecily

. Sabe que não me contou a

história toda.

— O quê?

— Na noite em que sofreu o acidente, Sue me disse que estava indo se encontrar com a melhor amiga de Keith, que a havia lhe contatado. Só descobri há pouco tempo que essa amiga era você.

 

Capítulo 56

Quase uma hora antes

— Já a localizei — Odin diz.

— Onde?

— Cage saiu de Manhattan. Está a cerca de meia hora ao norte.

— Ele abre o celular e me mostra o mapa, mas eu já estou de pé.

— Temos que ir.

— Dionysus, precisamos agir com calma.

— Não. Precisamos trazê-la de volta. É por minha causa que ele a levou. Cecily é minha mulher, não importa que eu tenha agido como um idiota orgulhoso que só pensou no próprio rabo. Eu a quero de volta. O lugar dela é ao meu lado.

— Acha que foi

por vingança, por tê-lo colocado sob investigação

que Cage a levou? — Ares pergunta.

— Não — Zeus fala. — É arriscar demais por causa de um emprego. Há muito além nessa história que não estamos conseguindo alcançar

.

— Não importa. Descobriremos depois. O importante agora é salvar Cecily — digo, tentando ocultar o desespero de imaginar minha mulher à mercê daquele filho da puta.

— O meio mais rápido seria um helicóptero, mas o mais arriscado também. Ele o ouviria. Vamos de carro. Reuniremos alguns seguranças. Ele está sozinho. Não conseguirá escapar

.

— Não chamaremos a polícia?

— Por enquanto, não. A polícia precisa de mandados, autorizações, toda uma fodida burocracia da qual estamos isentos.

Fazemos do nosso modo, quando Cecily

estiver em segurança, nós

entregamos aquele merda para as autoridades — Zeus diz, mas posso ver pela expressão de Odin que ele gostaria de resolver aquilo de outra maneira.

Sei bem quais são seus métodos e para ser honesto, não dou a mínima para qual será o destino de Cage depois, desde que ele pague por ter ousado levar minha noiva.

 

— Eu não posso perdê-la.

— Não irá — Ares garante. — Vamos salvá-la, irmão.

Cecily

— Sim, eu ligu

ei para ela — falo,

porque é muito arriscado mentir.

Eu não tenho ideia do quanto ele sabe sobre o que aconteceu naquela noite.

— E o que mais?

— Encontramo-nos em um motel de beira de estrada. Discutimos.

Eu estava mesmo preocupada com o bebê. Sue, não. Joseph tinha poucos meses apenas e tive pena. Não sou totalmente má, Cage.

Ele está acreditando em mim? Rezo para Deus que esteja.

— Ninguém é apenas mau, docinho. Todos temos dois lado.

Quanto a Sue, ela não queria engravidar, mas sabia que o menino era necessário para formar a imagem de jovem abandonada e necessitada que Dionysus tinha dela.

Concordo com a cabeça e preciso fazer força para conter a bile que me sobe à garganta.

— Sue ficou com raiva por eu tê-la procurado. Mandou que eu saísse de seu caminho ou chamaria a polícia.

Eu sabia que ela

estava blefand

o. Não tinha certeza do que acontecera com Keith.

Não fazia ideia

de que ela o matara, mas estava convicta de que não havia contado a história toda para o novo marido e que não desejaria chamar atenção, acionando as autoridades.

— Ela estava casada com um grego rico. Se sua preocupação era com o menino, obteve sua resposta. A criança ficaria bem, né?

Penso com cuidado no que dizer em seguida. Negociar com um louco que tem rompantes de lucidez de vez em quando é como jogar xadrez.

— Sim, àquela altura, eu sabia que o bebê ficaria bem, mas

pensei que ela poderia me ajudar também. Eu não queria voltar para o Kansas.

— E então?

— Ela se negou. Não queria saber de mim. Disse que faria Dionysus me prender se eu insistisse.

Na hora, fingi

aceitar, mas

não estava disposta a desistir

. Despedi-me e fui embora. Tinha que

devolver o carro alugado. Naquele momento, não possuía meios de

continuar no estado de Nova Iorque — minto —, mas sabia que ela estava nas minhas mãos. Com o que eu sabia sobre o passado dela, baseado no que Keith me contou sobre ser ambicio sa e cruel,

Sue me entregaria o que eu quisesse. Aparentemente, adivinhou minhas intenções. V

eio atrás de mim pela estrada. Me perseguiu.

— O acidente que a matou… você estava presente…

Ele parece genuinamente surpreso.

— Sim.

— Como é possível que não a tenham ligado à morte dela?

— Sue tentou me jogar para fora da estrada. Me empurrar em um barranco. Sou boa motorista, consegui escapar do pior, ela não.

Pelo espelho retrovisor, vi o carro dela caindo no vazio — conto, dessa vez, estremecendo de verdade ao me lembrar do pavor que senti quando naquela noite vi que a louca tinha mesmo a intenção de me matar. — Continuei dirigindo

por mais alguns quilômetros,

mas estava muito escuro e eu, nervosa, entrei na contramão. Bati de frente em uma mureta. Quase morri também. Nunca ligaram os

dois acidentes.

— Caralho, isso parece uma cena de filme!

Consegui visualizar

totalmente vocês duas em luta pela sobrevivência.

Venceu a cadela,

Cecily

. Tem minha admiração.

— Não está com raiva de mim?

— Com raiva? Por que estaria? Sue estragou tudo. Ela só precisava jogar direito e ficaríamos

bem, mas não. A puta se

apaixonou pelo grego e quis me dar uma rasteira.

— Tinha desistido do golpe, então?

— Ela tentou desistir , sim, eu, nunca. Ameacei entregá-la à

polícia

e em uma fração de segundo, toda a empáfia desapareceu.

Voltou a ser a piranha dócil

de sempre e me deu uma apólice

de

seguro.

— Como assim?

— Eu a obriguei

a engravidar do grego — ele fala

e sinto vontade

de vomitar. — Ela ficaria

ligada a ele para sempre, me dando

dinheiro

toda vez que eu a ordenasse. Quando matou Sue naquele dia, Cecily…

— Eu não a matei.

Tento me lembrar de alguma notícia sobre ela estar grávida quando morreu, mas tenho certeza de que não li nada a respeito.

— Quem se importa? — diz, revirando os olhos. — Já vi que você é sensível,

então tudo bem, vou mudar a maneira que me expresso.

Quando não morreu naquele dia, Cecily

, e ao invés disso mandou

Sue para os confins do inferno, você enviou para a morte o filho de

Dionysus também.

Ele está sorrindo e eu, mais apavorada do que nunca.

— Os jornais não noticiaram nada sobre um bebê.

— O homem é um magnata dono de uma emissora de tv. Devem ter abafado o caso. Mas isso não importa mais e sim que agora será você a me proporcionar uma boa vida.

— Não estou entendendo.

— Vou ser sincero porque acho que já somos amigos, tá? Eu não ia te devolver, eu ia te matar. Mesmo que não curta muito essa coisa de violência,

eu queria vingança. Com o que acaba de me contar, o jogo mudou completamente porque sei que tem muito a perder.

Preciso de você viva. Vou te soltar. Você vai voltar e reconquistá-lo, porque eventualmente ele vai acabar te perdoando por ter mentido sobre Keith. Quando estiverem bem novamente, vai me sustentar para o resto da vida. Nós dois ficaremos bem — diz, passando o dedo indicador

ao longo do meu braço e eu me esforço para não me

encolher. — Quem sabe até não possamos ser mais do que amigos depois que o bebê nascer? Não antes, sinto muito. Não curto corpos de grávidas. São disformes. É meio nojento.

Eu o encaro, em silêncio, apavorada por tantos motivos diferentes que sinto-me prestes a desmaiar

.

— E se eu disser não?

— Por que faria

isso? Ambos queremos nos dar bem. Agora aqui

vai um senhor incentivo:

o que acha que Dionysus fará quando

descobrir que esteve envolvida na morte de Sue e matou o outro filho

dele que nem nascera? É um menina esperta, mas só para o caso de não estar conseguindo visualizar

o quadro inteiro, vou te

dizer. Ele mandará te prender assim que o bebê que está esperando nascer. Vai ficar com seu filho

e você, na cadeia para o resto dos

seus dias.

Não acredito nisso. Qualquer perito que investigar

o acidente que

sofri mais a fundo, poderá comprovar que foi Sue quem bateu em mim e não o contrário.

De qualquer modo, não há nada que me ligue

ao acidente dela.

Entretanto, hoje eu conheci um lado assustador de Dionysus. Uma nuance cruel de sua personalidade. Ele me mandou embora sem pensar duas vezes.

Repasso mentalmente a informação que Cage acaba de me dar

.

Sue estava grávida.

 

Voluntariamente

ou não, o herdeiro dele se foi em uma situação

em que eu estive envolvida. Ele nunca vai me perdoar. Vai tirar nosso filho de mim se souber a verdade.

Estou perdida.

— Temos um acordo? — pergunta.

— Sim. Eu não quero ir para a cadeia.

— Boa menina.

Fecho os olhos porque não posso mais fingir diante daquele

doente e tenho medo de que ele descubra o que estou pensando.

Interpretando meu silêncio erroneamente, diz:

— Precisa descansar, querida. Vou te deixar aqui por mais umas quarenta e oito horas. Apenas tempo o suficiente

para que o grego

fique preocupado. Desesperado para tê-la de volta e então, solto você na cidade. Afinal,

não queremos que nada aconteça ao bebê.

Ele é nossa galinha dos ovos de ouro.

Cecily

Eu não tinha a intenção de dormir, mas aparentemente, acabei cochilando.

Quando desperto, há barulho de passos e gritos. Portas batendo. Homens dando ordens.

Cage fala comigo, mas eu não entendo nada. Sinto-me entorpecida, como em uma realidade paralela.

Abro os olhos e vejo o rosto assustado do meu sequestrador. Há algo errado.

Tento me levantar, mas não tenho forças. Ele deve ter me drogado outra vez porque, de repente, tudo fica escuro.