Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 58 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 55

— O relógio.

— O quê? — meu primo pergunta.

— Cecily

queria manter-se saudável durante a gravidez. Eu lhe dei um dos

seus relógios inteligentes

[24]. O último modelo que sua empresa lançou, Odin.

— Ótimo. Nós vamos achá-la.

— O que acha que aconteceu? — Ares pergunta.

— Eu não sei ainda, mas até que Cecily seja encontrada, devemos tratar como sequestro.

 

Capítulo 55

— Finalmente, bela adormecida! — Ouço uma voz de homem dizer ao longe e me esforço para abrir os olhos.

Em minha mente sonolenta, eu me lembro de uma situação parecida, quando acordei em um hospital.

Abro os olhos e não é um enfermeiro que está comigo, no entanto. É Cage.

Assustada, olho em volta e quando vejo paredes escuras do que parece um casebre, tento me levantar.

— Não faça isso ou vai passar mal. Precisamos pensar nesse bebezinho dentro de sua barriga.

Apesar das palavras, não há um pingo de preocupação em seu rosto. Ele soa irônico.

— Cecily

, Cecily

, você me deu trabalho.

— Onde estamos?

— Linda, essa é a pergunta menos importante de todas e sim, se você ficará ao meu lado ou contra mim.

Meu coração acelera. Os olhos do homem parecem os de um louco, mas o instinto me manda ficar calma.

— Por que eu ficaria contra você?

— Não sei. Talvez porque esteja apaixonada pelo grego? Aliás, satisfaça uma curiosidade:

o que diabos há no homem, tirando o

status

de bilionário,

obviamente, que faz com que as mulheres caiam de amor por ele tão rapidamente quanto moscas presas em teias de aranha?

Eu o ouço em transe, como se estivesse em meio a um pesadelo, tentando juntar as peças e não custo a entender que esse homem que, para mim, era um executivo inofensivo

do banco Kostanidis,

na

verdade, é um louco que me trouxe para um lugar desconhecido.

Estou deitada no que parece ser uma cama, com uma coberta sobre o corpo.

Enquanto ele fala, olho discretamente o ambiente, tentando encontrar uma saída, entender o que está acontecendo.

Sou fã de programas investigativos.

Na verdade, viciada

neles e

tento me lembrar de como vítimas que foram sequestradas e sobreviveram, agiram.

O celular

— penso, apenas para dois segundos depois me dar conta de que esqueci na sala de Dionysus.

A lembrança dele, da nossa última

conversa, traz uma sensação

de buraco no meu peito, mas eu não me permito afundar naquilo.

Não se trata de nós dois mais, e sim de proteger o bebê que carrego. Eu preciso sair daqui.

— Até mesmo Sue — ele continua —, com toda a vivência, não

resistiu. No fim, estava se rendendo, a miserável.

— Sue? Está falando sobre a ex-esposa de Dionysus?

— Ah, Cecily

, minha ruiva deliciosa,

não me subestime. Sabe

perfeitamente quem é Sue. Eu custei a entender quem você era.

Apareceu de repente, do nada e assim, em um instalar de dedos, estava dentro da família

Kostanidis,

não só como babá do pirralho,

mas como futura esposa do magnata grego e ainda com um herdeiro a caminho. Muito mais inteligente do que a vadia morta.

— Cage, você não está falando coisa com coisa! Pode me explicar o que há de errado?

— Primeiro me diga: está do meu lado ou contra mim?

— Não sei exatamente o que está me propondo, mas o que acha? — pergunto, pedindo perdão ao meu filho

em silêncio

pelas mentiras que vou dizer. — Dionysus descobriu meus planos e me expulsou da vida dele. Eu preciso de uma alternativa. Investi alto

nessa jogada. Não posso sair com uma mão na frente e outra atrás.

— Pensei que fosse amiga de Keith. Foi o que descobri te investigando. Não quer mais ficar com Joseph?

— Não preciso dele. Como você mesmo disse, tenho um herdeiro legítimo, um verdadeiro Kostanidis, a caminho.

— Conte-me a sua história, e eu te contarei a minha.

— Não há muito para ser dito. Keith pediu que verificasse se o

filho

dele ficaria

bem caso lhe acontecesse alguma coisa. Nunca me

disse que a agredia. Pintou-se como um homem apaixonado. Eu acreditei. Ele achava que Sue não era confiável. O que ele infelizmente não sabia, é que eu também não era.

— Não o amava?

— Amava, sim, mas não mais do que a mim mesma. Quando cheguei em Nova Iorque e me aproximei da família Kostanidis,

enxerguei uma oportunidade. Por que deveria cuidar de uma criança que não era minha se podia tentar me inserir

dentro da casa deles e

conquistar o ricaço só para mim? Forjei

um atropelamento, ele caiu como um pato, mas a vadia da minha quase irmã estragou tudo quando eu já estava praticamente a caminho do altar

.

Sinto vontade de vomitar por dizer aquilo, mas meu desejo de sobreviver é maior do que a consciência.

— Intel

igente. Não apostaria tanto em você, Cecily

. Tem carinha

de santa. Quem diria?

— Agora é a sua vez. Conte-me sua história.

— É longa. Sente sede ou fome? Não tenho muito aqui porque não esperava te trazer hoje. Foi um golpe de sorte te encontrar.

Estava recolhendo minhas coisas para partir do banco, quando a vi, através das câmeras, chegando. Supus que estivesse no andar de Dionysus.

— Partir?

— Ah, sim. — Revira os olhos. — Uma puta me acusou de assediá-la sexualmente. Fui mandado para casa. Estava sob investigação.

De qualquer modo, não pretendia voltar ao banco. Ia começar a fazer as rodas do meu plano para você, girarem. Sua ida

hoje até lá só pode ter sido uma resposta de Deus. Ou então, como os gregos acreditam: destino. Quer mais um travesseiro?

Pergunta, como se não tivesse acabado de me contar que planejava me sequestrar

.

Eu não demoro a concluir

que há muita maldade em Cage, mas

loucura também. Ele age como se não tivesse me drogado e sequestrado. Como se estivesse realmente preocupado comigo.

Essas nuances me assustam ainda mais do que se ele fosse totalmente mal.

— Não, obrigada.

— Sei que é desconfortável, mas não se preocupe. Não ficaremos muito tempo aqui.

— Estou bem. Conte-me sua história, Cage.

Forço um tom carinhoso, quase como se estivesse falando com uma criança e, ao mesmo tempo, em movimentos lentos, solto o relógio do meu pulso porque me lembro que está interligado ao celular

.

Dionysus me disse que nunca deveria tirá-lo, porque pode ser rastreado. Dou graças a Deus por tê-lo obedecido.

Sei que ele me odeia no momento, mas quer nosso filho.

Quando

se der conta de que não cheguei à cobertura, tentará me encontrar

.

— Eu estudei na mesma faculdade

que Keith. — Começa e eu o

encaro. Não consigo disfarç

ar a surpresa. Ele percebe. — Eu te

disse que era uma história

longa. Nós ficamos

próximos porque eu

era ainda mais pobre do que ele e não muito popular. Eu o vi enriquecer sem fazer força. Sortudo. Ele era generoso, isso é inegável,

e me ajudou a comprar meu primeiro

carro e pagar minhas

dívidas estudantis. Eu estava dois anos à frente dele. Me formei muito antes. Se não fosse pela ajuda que me deu, ainda estaria

pagando meus empréstimos[25].

— Onde Sue entra nessa história?

— Calma, menina. Que pressa! Vamos lá, mesmo já fora da faculdade, mantivemos contato. Ele estava no último ano e apesar de ter muito dinheiro no banco, continuava levando a mesma vida medíocre de sempre. Como diz o ditado, quem nasceu para lagartixa, nunca se transforma em jacaré. Bem, se ele não tinha o que fazer com o dinheiro,

eu tinha. Tentei convencê-lo a investir

em

um negócio. Ele não quis. O idiota

acreditava que poderia mudar o

mundo.

— Sim, ele era um tolo. Achava que todos eram bons.

Dá de ombros.

— Foi uma boa coisa ele ser tão ingênuo. Enfim, inseri Sue na jogada. O que eu como amigo não consegui, talvez uma boceta pudesse. Ela era recém-formada também. Prostituta até o último fio

de cabelo, fazia qualquer coisa por dinheiro. Muito ambiciosa.

Fodíamos eventualmente, mas eu sabia que para inseri-la em meus

projetos, teria que fazer com que se apaixonasse por mim.

Acreditasse que eu a amava também.

— Keith sabia sobre o envolvimento de vocês?

— Minha doce Cici, acha que éramos amadores? Planejamos que Sue o encontrasse no lugar que ele mais frequentava: a cafeteria da universidade. Sério, o romance entre os dois foi tão rápido que quase senti pena de Keith. Ele caiu de amores por ela em um piscar de olhos. Casaram-se, e pouco tempo depois, o cretino começou a parecer um disco arranhado, com a ideia tola de doar todos os bens. Estava se desfazendo do dinheiro muito depressa nessas doações, o que atrapalharia

nossos planos de um

divórcio vantajoso.

— Divórcio?

— Sim, no começo não planejávamos matá-lo. Sue não era tão má quando tudo começou.

Ele acaba de afirmar , sem demonstrar qualquer remorso, que

mataram Keith. Se eu tinha alguma dúvida de que é louco, ela se foi agora.

— Continue.

— Keith estava doando tudo na velocidade da luz. Sue engravidou em um ato de puro desespero. Quem sabe com um herdeiro a caminho, o imbecil

criasse juízo? Não adiantou, então

tivemos que partir para uma decisão drástica. Keith precisava morrer.

Mesmo sem saber dos detalhes e de que havia alguém além da ex-mulher de Keith envolvid

a na trama, o que ele conta não me

espanta porque eu já imaginara algo assim.

— E então vocês o mataram.

— Eu? Quem pensa que sou, Cecily? Nunca fiz mal a uma mosca. Apenas planejo.

Ele soa quase ofendido e aquilo me mostra o quão fora da realidade se encontra.

— Tudo bem. Desculpe-me. Ela o matou.

— Isso mesmo. Empurrou-o da sacada. A polícia acreditou na

palavra da pobre grávida agredida. Investigaram

mal para caralho.

O que nós não sabíamos é que Keith já havia doado todo o dinheiro a aquela altura.

— Nossa, quanta estupidez!

— Não é?

— Só não entendo é como vocês dois vieram parar em Nova Iorque.

— Eu não morava mais na Califórnia,

mesmo antes de Keith

morrer. Sabe como é: nunca coloque todos os ovos na mesma cesta, como diria

Warren Buffett[26]. Ainda éramos amantes, mas eu a monitorava à distância,

visitando-a aos fins de semana. Consegui

um emprego no banco Kostanidis

e estava ganhando bem, mas não

tanto quanto eu queria. Os planos com Keith deram errado e eu tinha uma cúmplice

grávida de um inútil

morto, nada guardado de

reserva e planos que nunca se concretizariam se eu não encontrasse uma solução.

— E encontrou?

— Melhor do que imaginava.

— Dionysus?

— No início, não foi ele que visamos. Até mesmo para mim,

inteligente

e ambicioso,

era mirar alto demais. Pensei em fazer com

que um daqueles velhos ricos se apaixonasse por ela, a bancasse

como amante. Sabe como é, começar tudo de novo, como aconteceu com Keith.

— Queria um novo marido para ela?

— Isso. E se fosse velho, melhor ainda. A morte dele não levantaria

suspeitas. Sue passava quase todos os dias na porta do banco, andando com um carrinho como se precisasse de ajuda. Ela era discreta, se misturava à multidão para não chamar a atenção dos seguranças. Há algo a ser dito sobre homens: somos todos tolos. Não podemos ver uma mulher em necessidade que o instinto de herói entra em ação. O destino interveio. Não foi um velho rico quem apareceu para ajudá-l

a, foi Dionysus. Sue tinha todo aquele

aspecto de boa moça, doce, submissa. Falsa para caralho. Não acreditei que ela conseguiria enganá-lo, mas de alguma maneira, conseguiu. Entretanto, estragou tudo ao se apaixonar pelo grego.

— Apaixonou-se?

— Sim. Não queria mais me ver. Discutimos. Ameacei contar tudo. Se ela pensava que ia se dar bem sozinha, estava muito enganada. Eu lhe disse que a mataria se me traísse. Não precisei.

A