Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 38
— Aquele trato não vale mais.
— Ele está valendo.
— Não. Eu quero negociar. Não vou te deixar ir embora nem tão cedo.
Capítulo 38
Nós mal voltamos ao quarto e o telefone fixo toca.
Quase nunca recebo chamadas nele e pelo horário, só pode vir de alguém que estava tentando me contatar pelo celular
.
Com uma toalha em volta dos quadris, vejo Cecily saindo do quarto, talvez para me dar privacidade.
— Não. Fique.
— Nós…
— Espere-me atender o telefone ao menos.
Eu a vesti com o meu roupão e parece mais frágil
ainda dentro do
traje muitos números acima do dela.
Arrastando os pés, provavelmente porque eu estraguei seus planos de fuga, senta-se na beirada da cama.
Pego o telefone.
— Dionysus? — Ouço Elina
do outro lado e imediatamente
meu
coração dispara.
— O que aconteceu?
— Não fique nervoso, mas parece que uma das minhas empregadas se esqueceu da alergia de Joseph e lhe deu um biscoito com manteiga de amendoim
.
— Ele está bem?
— Odin chamou o pediatra
que cuidava das crianças,
mas antes
mesmo que ele chegasse, lhe administramos
a EPIPEN[15] , por orientação do médico. Foi bom que você tenha enviado o medicamento para um caso de emergência como esse. Ele foi examinado em seguida e está bem, mas toda essa agitação deixou-o ansioso.
— Já estou indo.
— Sim, venha. Ele está chamando por você e Cici.
— Chego aí em no máximo meia hora.
— O que aconteceu? — Cecily pergunta assim que desligo.
— Uma das empregadas deu um biscoito com amendoim para Joseph. Como sabe, ele é alérgico.
— Oh, meu Deus! — ela empalidece. — Como ele está?
— Elina
garante que está bem, mas vou buscá-lo. Disse-me que mesmo depois de medicado, ele continuou ansioso, chamando por nós dois.
— Posso ir também?
Cecily parece tão nervosa quanto eu, o que só me dá mais certeza ainda de que ela gosta mesmo do meu filho.
Para ela, Joseph não é somente um meio de ganhar a vida.
— Sim, venha.
— Quando for viajar da próxima vez, me deixe ficar com ele, Dionysus. Tem minha palavra de que Joseph estará seguro comigo.
Não estou acusando Elina de nada. O que aconteceu foi um acidente, mas se você estiver fora, eu vou dar a ele cem por cento da minha atenção.
— Tudo bem.
— Está falando sério?
— Estou, sim. Quando eu tiver que sair, do país, Joseph ficará aos seus cuidados.
— Por que confia em mim ou devido ao que aconteceu entre nós?
Desvio os olhos da estrada para encará-la.
— Se acha que o fato de ter te levado para a cama faria com que
deixasse meu filho
aos seus cuidados, não tem a menor ideia de
quem sou, Cecily
. Deixarei
Joseph com você porque confio.
Além do
mais, as regras sobre não sair de casa sozinha com ele continuam.
— Eu não me importo, desde que eu possa ter certeza de que ele está bem.
Parece aborrecida e se fosse qualquer outra pessoa, eu deixaria para lá porque não sou do tipo sensível
ou que fica
muito ligado
nos
sentimentos alheios, mas me pego explicando:
— Nunca permiti
que qualquer uma das mulheres que tive após a
morte de Sue se aproximasse dele.
— Foram tantas assim?
— Sou um homem saudável de trinta e dois anos, Cecily
. Tenho
uma vida sexual ativa.
— Não deveria ter perguntando nada. Não é da minha conta, doutor Dionysus. Nosso acordo já acabou.
— Há menos de meia hora eu estava te fodendo dentro do meu boxe. Eu gozei na sua boca e você bebeu e queria mais, então não me venha com essa de doutor Dionysus, Cecily
.
— Foi você mesmo quem disse que eu deveria me esquecer de nós dois quando o acordo terminasse.
— Isso antes de saber qual é a sensação de estar em sua boceta. Eu não sou um cara romântico, mas quero ver o que pode acontecer entre nós se continuarmos juntos.
— É atração física. Em qual mundo uma babá e um bilionário grego ficam juntos? Não no meu, certamente.
— Se estiver esperando meu filho,
vai ver isso acontecer, porque
vou colocar um anel tão grande no seu dedo que poderá ser visto da plataforma lunar
.
— Não me conhece. Não sabe nada de mim. Como pode sequer considerar casar-se comigo?
— Eu quero criar meu filho, se houver um.
— Não precisamos nos casar.
— Por que não? Adora Joseph. Nossa atração sexual é inegável.
É um bom acordo.
Percebo que ela se virou no banco para me olhar
.
— Foi isso o que aconteceu entre você e Sue?
— Quer falar sobre minha falecida esposa?
— Eu deveria responder que não, mas foi você quem levantou a hipótese de que posso estar esperando seu bebê, então, sim, eu quero saber sobre o relacionamento de vocês.
Olho para a frente em silêncio por alguns segundos.
— Joseph não é meu filho biológico.
— Eu sei. Elina me contou. Pode me falar mais a respeito?
— Eu conheci a mãe dele quando ela ainda estava grávida.
— Onde está o pai de Joseph?
— O filho da puta está morto.
Ela arfa, talvez assustada com minha agressividade.
— O que ele fez de errado?
— Bebia, usava drogas e batia nela, mesmo depois de descobrir que esperava uma criança.
Paro em um sinal e pelo retrovisor vejo os guarda-costas nos seguindo. Quando olho para o lado, Cecily
está rígida
no assento, o
rosto virado para a janela.
— Como ele morreu? — pergunta, sem me encarar.
— Isso importa? Mereceu estar morto. Eu poderia matá-lo com minhas próprias mãos se ainda estivesse entre nós.
Ela ainda não fala nada.
— Assustada com minha outra face, Cecily? Esse sou eu. Um Kostanidis. Não perdoo e nem sinto pena dos inimigos.
— Não é isso.
— O que há de errado, então?
— Nada. Gostaria de ouvir o resto da história.
— Quando a conheci, Sue estava passando necessidade. Encontrei-a na rua, aliás, muito parecido com o que aconteceu conosco. Ela tentava subir com um carrinho na calçada. Estava sozinha, famin