Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 12 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 9

quebraria.

Tem um ar inocente também. Não importa a idade biológica, Harper Cecily é uma criança.

Agora, mais do que nunca, eu sei que preciso enviá-la de volta para casa. Se continuar em Nova Iorque, esse anjo será devorado.

— Meu nome é Dionysus Kostanidis,

senhorita Bradley — falo,

antes que ela abra a boca —, e vou providenciar

para que volte para

sua cidade o mais rapidamente possível.

Talvez, na próxima vez em

que se jogar na frente de um carro, não tenha tanta sorte.

 

Capítulo 9

— Senhorita Bradley? — Ouço uma voz poderosa chamar e meu corpo treme porque sei que a hora da verdade chegou.

Ele não precisa ser anunciado, tenho certeza de que estou prestes a me encontrar com Dionysus Kostanidis.

— Sim, sou eu — respondo, tentando transmitir calma.

Volte a respirar

, Cici — ordeno a mim mesma assim que o homem que ansiei

encontrar nos últimos

meses entra no quarto de

hospital.

Eu não consigo, no entanto. Estou muito impactada com a presença do grego para sequer lembrar do que planejei quando nos

víssemos. Mal recordo meu nome, na verdade.

Eu sabia que ele era bonito pelas pesquisas que fiz na internet.

Aliás, se há algo que se pode dizer a respeito dos irmãos Kostanidis, é que têm uma genética abençoada.

Nenhuma foto fez jus, porém, a sua presença.

Calculo

que tenha perto de um metro e noventa, ombros retos, largos e com um corpo de musculatura sólida.

Ele parece um deus

mesmo.

O cabelo é escuro e alcança os ombros, mais longo do que recordava. Uma barba cerrada, perfeita, modela o rosto de maxilar anguloso.

Propositadamente, foco na roupa — terno, camisa e gravata negros e que se encaixam tão bem nele como se fossem uma segunda pele —, dando uma rápida espiada nos olhos apenas e sem chegar a uma conclusão se são verdes, azuis ou cinzentos.

Talvez uma combinação dessas três cores, criando uma nuance única.

Não é o tom o que mais me impressiona, porém, e sim, a maneira direta com que me encara. Eu não preciso que alguém me diga que ele é um homem que não teme nada.

Há frieza em seus olhos, o que o torna ainda mais intimidante.

Eles se destacam contra a pele naturalmente dourada e são uma contradição, também.

Tudo no homem grita calor e fogo. Sua expressão, porém, é de

“afaste-se”.

Não fosse minha situação atual, ou melhor, minha missão, eu pediria

licença

e escaparia para bem longe do magnata, porque fica

claro que estou diante de alguém com quem não se deve brincar

.

Meu Deus do céu, onde fui me meter?

Meu estômago dá cambalhotas de ansiedade.

Sei que tenho pouco tempo e não posso ficar simple smente

encarando-o como se estivesse catatônica, então tento me lembrar de todas as informações que tenho a respeito dele.

É o terceiro dos quatro irmãos Kostanidis

e ficou

viúvo há poucos

meses — essa última parte faz meu enjoo piorar

.

Será que ele sabe com quem esteve casado?

Havia fotos dele com Sue na internet e em nenhuma delas eu consegui chegar a uma conclusão se eram felizes.

Apesar disso,

formavam um lindo casal.

O que duvido, no entanto, é que a esposa tenha lhe contado a história toda sobre o pai de Joseph.

Estou criando coragem para falar

, quando, de repente, solta:

— Meu nome é Dionysus Kostanidis, senhorita Bradley — diz, antes que eu abra a boca —, e vou providenciar

para que volte para

sua cidade o mais rapidamente possível.

Talvez, na próxima vez em

que se jogar na frente de um carro, não tenha tanta sorte.

O quê? De todas as coisas que imaginei

que diria,

nada chegava

sequer perto disso.

Repito mentalmente suas palavras e, aos poucos, o nervosismo vai sendo substituído por raiva.

Ele simplesmente entrou aqui, se apresentou e disse que me enviaria de volta para casa?

Quem ele pensa que é para tomar decisões por mim?

Eu nem posso culpá-lo

com relação a última

parte do que disse,

porque agi como uma louca mesmo, entrando na frente do carro.

Após conversar com o senhor Anderson, me senti culpada para caramba porque percebi que dei um susto no motorista, mas nada disso dá direito

ao grego de achar que pode determinar o que vou

fazer com a minha vida.

Deus, como fui estúpida em pensar que um homem como ele, acostumado a ter o mundo aos pés e ser rei de seu universo, me ouviria.

— Eu não vou voltar para o Kansas — falo, com toda a calma, quando por dentro estou fervendo.

Tenho plena consciência

de que sou a errada na história,

mas ter entrado na frente do carro não foi irresponsabilidade, foi fruto do

desespero.

Ele me encara, como se não estivesse acreditando que tive a ousadia de enfrentá-lo.

Somos dois. Eu também não sei o que me deu.

Preciso ser humilde e tentar ganhar a simpatia dele — o que dado esse primeiro contato, já começo a acreditar que será impossível.

— Não ouviu o que eu tenho a propor ainda, senhorita. Vai ser bem remunerada.

— Eu não quero seu dinheiro,

doutor Kostanidis.

Eu já falei

com a

polícia

e disse que o erro foi meu. Atravessei sem olhar. Sou distraída. Não tem qualquer culpa no que aconteceu — digo e despejo um pouco do remorso que estava preenchendo meu coração. — Vim para Nova Iorque procurar um emprego, não pedir esmola.

Resolvo mudar de estratégia porque precisei

somente de poucos

minutos para entender que não vou conseguir comovê-lo com a

minha história.

Agora tenho certeza de que a minha abordagem foi a mais errada

possível e que eu não deveria ter feito o que fiz. Se sem saber de nada, ele já quer se livrar

de mim, se eu lhe contar tudo, nunca mais

terei outra oportunidade.

Suor frio

escorre pela minha coluna ao pensar o que deve ser ter alguém como Dionysus Kostanidis como inimigo e isso é exatamente o que sou.

— Eu gostaria de compensá-lo pelo prejuízo que causei —

continuo, mesmo que aos meus próprios ouvidos a proposta soe ridícula,

mas estou desesperadamente tentando me agarrar a uma chance de me manter em Manhattan.

— Me compensar? — repete, erguendo uma sobrancelha com ironia.

— Sim. Suponho que o carro tenha ficado amassado. Eu não tenho dinheiro agora, mas posso trabalhar para pagá-lo.

Por favor

, me deixe ficar

.

— Quem é você?

Meu coração bate tão depressa que sinto-o no ouvido.

— Não entendi.

— Entendeu, sim. Se jogou na frente do meu carro com algum propósito. Qual foi? O que espera conseguir de mim? Se é uma indenização, já estou oferecendo-a.

O medo se esvai, dando lugar à indignação.

— Talvez, no seu mundo, tudo se resuma a dinheiro. No meu, procuro fazer o que acho certo. Eu lhe causei um prejuízo e pensei em compensá-lo. Apenas isso.

As mentiras só aumentam e sei que estou entrando em um jogo cujas regras desconheço, mas ele está me colocando contra a parede e tenho que reverter isso, antes de perder totalmente a aposta que fiz ao vir para Nova Iorque.

— Eu conversei com o senhor Colt. Ele me disse que precisa de uma babá para o seu filho.

Eu tenho experiência

e posso lhe dar

referências, inclusive.

É um alívio depois de tantas inverdades, poder falar algo real.

— Não vai trabalhar para mim. Eu teria que ser louco para deixar uma garota, que sequer consegue atravessar uma rua sem tentar se matar, cuidar do meu menino.

Dois sentimentos me atingem simultaneamente.

O primeiro,

de alívio,

porque ele enfim parece acreditar que não

tenho segundas intenções — e ele está muito enganado sobre isso.