Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 43 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 40

— Não foi por amar Sue ainda que nunca fiquei com alguém a

sério depois da morte dela, mas porque jamais desejei.

— E agora?

Passo as duas mãos no rosto.

— Agora, eu tenho mais perguntas do que respostas, primo, então vou optar por viver um dia de cada vez.

 

Capítulo 40

Sei que o que aconteceu com Joseph foi mesmo um acidente, mas ainda assim, eu me sinto culpada.

É como se Deus estivesse me castigando por me desviar completamente do caminho que eu havia estabelecido.

Não vim a Nova Iorque para me divertir

, tampouco para me

apaixonar pelo pai adotivo do filho

de Keith, e sim para ter certeza de que, ao contrário do monstro que foi a mãe, nosso menino estava sendo bem cuidado.

Ele está. Disso, não tenho mais dúvida, então, metade da minha missão está cumprida porque ainda que eu continue amando Keith como a um irmão, eu falharei com ele em um ponto.

Não posso entrar na justiça

contra Dionysus pela guarda do filho.

Precisei

apenas de uma curta convivência

com eles para entender

que o sangue, nesse caso, não significa

nada. Joseph e Dionysus

pertencem um ao outro.

O grego é o sol do meu menino e eu nunca teria coragem de brigar por Joseph diante de um juiz,

tentar tirá-lo

do pai, requerer a

guarda, amparada na carta que tenho do meu amigo e que faz as vezes de seu testamento.

Eu vivi

o desamor familiar

por anos, então conheço, por exclusão,

o oposto: o amor dedicado, fiel e absoluto e é assim que Dionysus

age com o herdeiro.

Ele ama Joseph com o coração, como se fosse dele, e eu não imagino um pai melhor para criá-lo.

Seria o momento em que eu deveria virar as costas e ir embora.

Não há mais nada para fazer aqui, mas fora o fato de que me apeguei muito mais a Joseph do que imaginara, me encontro também enredada em uma teia de omissões tão grande que não faço ideia de como sair

.

Lembro-me da conversa com Elina.

Naquele dia, a possibilidade

de fica

r com meu chefe era remota, ainda que existisse. Tudo mudou agora.

Talvez não sejamos um casal no sentido completo da palavra, mas tampouco somos patrão e empregada.

Eu, que sempre odiei mentiras, estou enganando o homem por quem me apaixonei.

Aperto os olhos para não chorar, enquanto passo a mão pelo cabelo do menino adormecido.

Tão puro, inocente, sem ter a menor ideia

do pesadelo que foi o

relacionamento

dos pais ou do ser humano vil

que era aquela que o

gerou.

Dionysus ficou conosco até que o filho

dormisse, mas teve que

descer para fazer uns telefonemas de trabalho e eu pedi para continuar com o garotinho.

Estou me escondendo, claro. Apavorada e com muita vergonha, também.

Eu ouvi calada enquanto ele recontava as mentiras que provavelmente ouviu de Sue, destruindo a imagem e reputação de Keith.

O que eu podia fazer? Dizer quem sou?

Ele vai me odiar porque saberá que tudo o que fiz

para conhecê-

lo, conseguir o emprego, me inserir em sua casa, não passou de uma armação.

Com a melhor das intenções, visando o bem de Joseph e sem qualquer interesse próprio, mas ainda assim, uma armação.

Penso na conversa de hoje cedo e a seriedade com que disse que se casaria comigo caso esteja grávida.

Se for confirmado

e ele descobrir quem sou, vai me tirar a guarda

do bebê?

Com seu poder e dinheiro, não tenho dúvida de que conseguiria. Jesus, o que eu faço?

Conte a verdade — uma voz avisa. — Diga a ele quem é antes que essa confusão se transforme em uma bola de neve.

Eu não tenho coragem. Não ainda. Eu preciso de mais tempo para fazer isso de uma maneira que cause o menor estrago possível.

Ele disse que quer negociar o nosso relacionamento.

Aceitaria ficarmos juntos se eu lhe dissesse

toda a verdade?

Se não, ao menos deixaria que eu visse Joseph, que acompanhasse seu crescimento mesmo que não houvesse mais nada entre nós?

Ou ao contrário, me odiaria?

São muitas dúvidas para que eu arrisque tanto.

Tenho que ter certeza da gravidez primeiro. Se estiver mesmo esperando um Kostanidis,

terei muito mais a perder se o pai do meu

filho passar a me desprezar

.

A porta se abre e eu o vejo, contra a luz, grande e poderoso, mas também um homem de família.

Recordo o que disse sobre Sue. De como ele amou e protegeu Joseph desde sempre e assumiu a cobra traiçoeira

que era a mãe

dele para manter o bebê por perto.

Ele foi generoso com a ex-mulher de Keith, mas não tenho dúvida de que a destruiria se descobrisse quem ela era de verdade. O

problema é que não tenho provas. É a minha palavra — a de uma estranha, tecnicamente falando — contra a da ex-esposa morta.

Dionysus é essencialmente bom, eu sei, mas há algo de cruel nele também.

É dessa nuance que tenho medo. De ser alvo de sua raiva e vingança.

Ele me tiraria

nosso filho,

se eu estiver grávida? Me impediria

de

ter contato com a criança?

Sinto-me sufocar e com a desculpa de deixar os dois sozinhos, me levanto e ando para a porta.

Ele não se move e faz que não com a cabeça, como se me dissesse para não sair

.

Vai até a cama e coloca o filho no berço.

Eu observo a cena e meu peito se aperta porque eu não quero deixá-los. Eu quero os dois, porque a voz imprudente que grita dentro de mim que Dionysus é meu, que

ambos são, não se cala.

Vejo-o ligar