Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 61 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 58

explicar o que estou sentindo, embora não seja bom em me expor

.

— Dionysus, não acho que nós…

— Cecily

, quando você saiu da minha sala ontem de manhã, pediu que eu te ouvisse. Eu me recusei e tem todo o direito de fazer

o mesmo agora. Vou contar com sua generosidade, no entanto.

Ouça-me e somente então, tome uma decisão.

 

Capítulo 58

— Eu fui

criado por uma família,

que, na teoria, era perfei

ta. Pai e mãe apaixonados, amorosos conosco. Não nos faltava nada. Sou o terceiro dos filhos. Nem cobrado demais e nem mimado em excesso. Um privilegiado

como meus irmãos. Eu achava que tinha o

mundo aos meus pés. Quando estava saindo da adolescência, minha mãe fugiu de casa com outro homem.

Ele parece ter dificuldade

de contar aquilo e intuo ser tanto por,

como mesmo confessou, não saber falar de sentimentos, quanto porque deve ser doloroso recordar o passado.

— Mamãe morreu em um acidente de carro com o homem que,

durante anos após o ocorrido, pensamos ser amante dela[27]. Meu

pai se suicidou

no mesmo dia. De uma hora para a outra, o mundo

que conhecíamos, desapareceu. Passamos a desconfiar de nossas

sombras e a falta de fé no mundo era alimentada pelo nosso avô paterno, que queria vingança contra a família

que desgraçou a

nossa. Somente há pouco tempo, descobrimos que nada do que pensávamos ser verdade, era. E o verdadeiro culpado pela morte da

nossa mãe estava bem debaixo dos nossos narizes

[28].

Ouço-o narrar como se vingaram do homem, mas que mesmo após o acerto de contas, o ódio que alimentaram no passado já os

havia moldado para sempre e que eles continuaram desconfiando até da própria sombra.

— Como já te disse antes, não me apaixonei

por Sue e sim, pelo

que ela representava: família

. Algo que eu havia perdido. Eu amava

Joseph. Eu não tinha amor por ela, mas estava disposto a trazê-la para perto se isso significasse

me tornar pai do meu menino.

Quando você apareceu, foi

diferente

de tudo o que eu já conhecera.

Não sabia o que fazer com o que me fazia sentir, com o desejo louco que me despertava, que ainda desperta… eu só sabia que não podia deixá-la ir

.

Agarro a barra do lençol com força para me impedir de tocá-lo.

— Tijolo

por tijolo,

você derrubou as defesas que criei.

Se tornou a minha vida. O meu mundo. Quando eu descobri que me enganou…

— Como descobriu?

— Allen

, o segurança com quem você falou no dia em que se jogou na frente do carro, viu a reportagem que narrava sobre o nosso noivado e em seguida, a de Peyton contando aquelas mentiras a seu respeito. O pobre homem quis me avisar, e acredito nas boas intenções dele, mas desejei

estrangulá-lo

porque mesmo

sentindo raiva, eu continuei te amando louca e apaixonadamente como sempre.

— Você me mandou embora.

— Sim, eu mandei, mas aquilo não duraria. Eventualmente eu iria procurá-la e pedir perdão.

— Exatamente como está fazendo agora.

Ele acena com a cabeça, concordando, e eu o encaro, estudando o rosto do homem que eu amo.

Depois do que aconteceu na última

vez que nos vimos e também

do que Cage me contou sobre a suposta gravidez de Sue, eu me preparei para o ódio dele.

Prometi a mim mesma que Dionysus não me pegaria de surpresa. Eu estaria pronta para qualquer coisa que ele jogasse em cima de mim.

E então ele me surpreendeu há pouco, ao revelar a esterilidade dela.

Como a tola carente que sou, em um primeiro momento, meu coração descomprimiu.

Ficaria

tudo bem — pensei, agradecida, porque não havia motivo para ele sentir raiva. Não prejudiquei

seu bebê porque Sue não

estava grávida.

Agora, depois de ouvi-lo

e mesmo que entenda o lado dele, sinto

raiva de mim mesma por aceitar tão pouco.

Por sempre ansiar pela boa vontade alheia.

Por sempre precisar ser querida.

— E então, agora eu deveria entender que quando me mandou embora, não queria realmente dizer aquilo. Estava apenas chateado.

— Cecily…

— Eu compreendo tudo o que você passou, Dionysus e também as razões pelas quais não confia em ninguém além da sua família. É

um pai maravil

hoso e eu não poderia imaginar

alguém mais perfeito para cuidar de Joseph. Como eu disse no seu escritório, em nossa

última conversa, tudo o que fiz foi pensando na promessa ao meu amigo.

— Eu entendo…

— Não, você não entende. Keith esteve lá para mim quando eu mais precisei

dele. Eu tinha que conferir

se Joseph estava bem. Em

minha ingenuidade,

achei que poderia encontrar você, contar minha

história. Fui à sede do banco por dias seguidos, mas logo percebi que nunca me deixariam entrar e meu dinheiro estava acabando.

Jogar-me na frente do carro foi um ato de desespero.

— Eu acredito em você.

— Acredita mesmo? Ou é o medo de quase ter perdido o bebê que eu carrego o que o fez mudar de ideia?

— Eu quero esse filho,

mas eu quero você, principalmente,

Cecily

. Uma família,

nossa família.

— Eu preciso de um tempo para pensar. Uma das promessas que fiz a Keith foi

jamais

voltar a permitir

que me dessem menos do

que eu merecia. Sabe o que entendi depois que acordei hoje aqui no hospital? Ainda não sei como cumprir essa promessa, porque qualquer migal

ha de sentimento que me oferecem, eu me ajoelho

e

agradeço porque não me acho merecedora. Eu te amo, mas eu preciso me amar também.

— Não quero que vá para longe.

— Eu não vou, mas por enquanto, não voltarei

para a sua casa.

Estou magoada. Não consigo esquecer o que disse:

que aquela não

era a minha casa. Há alguns dias, seu pedido de perdão seria o bastante. Agora, eu preciso de ações.

— O que tenho que fazer?

— Em primeir

o lugar, não é você, sou eu. Sempre tive uma bengala emocional na qual me amparar. Meu pai, minha família tóxica que eu achava que um dia iria