Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido
Capítulo 53
enfiasse uma faca no meu peito. Antes mesmo que abra a boca, já tenho minha resposta.
Ainda assim, espero até que diga:
— Não, não foi por acaso.
Capítulo 53
Eu passei meses me preparando para esse dia. Para o momento em que toda a verdade viesse à tona.
Eu rezei e tentei criar coragem porque eu sabia que o momento do nosso confronto não seria algo bonito de se ver
.
Jamais conseguiria me preparar, no entanto, para o olhar dele quando finalmente soube de tudo.
Em um primeir
o momento, eu vi dor e aquilo
quase me partiu em duas, mas em seguida, ela foi substituída por desprezo quando eu confirmei o que tenho certeza que ele já sabia.
Receber o ódio do homem que amo quase me mata.
Eu tento me manter firme, mas por dentro estou quebrando em mil pedaços.
— Eu ia te contar tudo.
— O quê? Veio dar uma nova versão da história que Peyton revelou aos jornais? Uma roupagem diferente, tipo: vim para te dar o golpe, mas me apaixonei?
A ironia
dele é como uma facada, mas eu não deixo que perceba.
— Não pode acreditar nisso. Sabe que não dou a mínima importância para o seu dinheiro. Só me interessa você e Joseph.
— Deixe meu filho fora disso, Cecily
.
— Por que eu o deixaria de fora se foi por ele que eu vim?
— O quê?
— Eu não posso convencê-lo do contrário, se quer acreditar que sou uma interesseira
como Peyton afirma, mas posso te dar minha
palavra de que não vim para Nova Iorque por você. Vim por Joseph.
Se eu esperava qualquer mudança para melhor na expressão dele, não é o que acontece. Ele parece ainda mais irado.
— É parente daquele filho da puta?
— Não fale assim de Keith! E não, ele não era meu parente, era meu melhor amigo.
— Amigo? Um agressor de mulheres? Um miserável que espancou a esposa grávida?
— Não foi isso o que aconteceu, Dionysus. Pelo amor de Deus, precisa me ouvir
.
— Eu não preciso nada. Não tem direitos, Cecily
. É uma
mentirosa que entrou de maneira sorrateira em nossas vidas.
Ganhou minha confiança, o amor do meu filho, da minha família.
Não me passa despercebido que não fala
do amor dele mesmo e
isso, claro, porque nunca me amou. Ele nem sequer me dá a chance de explicar
.
— Não vou conseguir conversar com você agora. Está muito nervoso.
— Nervoso? Não tem a menor ideia do que estou sentindo.
— Raiva, eu sei, e sinto muito por te magoar. Eu sinto tanto, Dionysus.
Tento dar um passo para perto, disposta a qualquer coisa para obter o perdão, mas ele me para com um gesto de mão.
— Não. Eu não quero que toque em mim e nem respirar o mesmo ar que você. Infelizmente,
sabemos que terei que fazê-lo,
no
entanto, porque carrega meu filho,
mas nunca mais vai encostar em
mim, Cecily
.
Eu tento levar em consideração o quanto está ferido, baseado no
que sei sobre o orgulho dos Kostanidis,
mas ainda assim não posso
controlar a mágoa que as palavras dele me causam.
— Keith não era quem Sue dizia,
Dionysus. Ela casou-se com ele
por interesse. Ficou com ódio quando ele doou o dinheiro da venda
da empresa anonimamente para instituições
de caridade. Ela
planejou um golpe que não deu certo. Queria ser a rainha de um rapaz ingênuo e tudo o que conseguiu foi viver como classe média alta. Era bom, muito mais do que ela teve no passado, mas não o suficiente para alguém tão ambicioso.
— E por que deveria acreditar em você?
— Porque te amo e amo Joseph. Eu sinto muito por não ter revelado isso antes. Eu tinha a intenção de ir embora, deixar que vivesse a vida com seu filho,
porque sabia que ele estava bem ao
seu lado.
— E se não estivesse?
— Eu ia lutar pela guarda dele na justiça.
Foi o que prometi a
Keith. Eu achei que era com Sue que teria que brigar, mas ela morreu. Eu não fazia ideia de que ela havia se casado com um grego rico. Só descobri pelos jornais e revistas, quando deram a notícia da morte dela e apenas por isso, tentei encontrar você.
— Não acredito em nada do que diz.
— Entretanto — continuo, fingindo
que o que falou não me
magoa —, foi
preciso apenas uma semana para saber que o filho
de
Keith estava sendo bem cuidado. Vi o quanto se amam e deveria ter ido embora naquela hora, mas me apaixonei por você.
— Se apaixonou? Ou tentou acertar onde Sue falhara?
Eu sei que estou errada para caramba, mas a falta
de fé dele em mim me machuca e eu não consigo ficar calada.
— Alguns diriam
que não fal
hou tanto assim. Casou-se com dois
homens ricos. Uma pena para ela que o primeiro tinha um bom coração e doou todo sua fortuna.
Noto uma veia pulsando em seu pescoço e sei que está se controlando porque estou grávida. Vê-lo com tanta raiva de mim é mais do que posso suportar.
Não adianta ficar aqui. No momento, ele me odeia e não ouvirá nada do que eu disser.
Tiro a carta que sempre carrego comigo, de dentro da bolsa.
— Eu vou deixar isso para você ler quando estiver mais calmo. É
uma carta de Keith. Deveria lê-la. — Coloco-a em cima da mesa dele e começo a andar para a porta. — Estamos ambos nervosos,
então vou para casa. Quando quiser conversar, estarei à sua espera.
— Não.
Eu paro de andar e olho para trás.
— Não quer que eu vá embora? — pergunto, com uma centelha de esperança acendendo em meu coração.
— Não quero que vá para casa. Não é mais sua casa. Anderson a levará para a cobertura. Fique longe de Joseph. Eu não confio em
você.
— Eu estou com um filho seu dentro de mim. Acha que eu faria
o
quê? Fugiria com Joseph?
— O que eu acho não vem ao caso, Cecily
. Você é uma
mentirosa e só não será expulsa da minha vida definitivamente por
causa do bebê.
— Não quer dizer isso, Dionysus. V
ocê sabe quem sou.
— Não, eu não sei. Agora saia. Vai receber notícias dos meus advogados.
Eu abro a porta, mal conseguindo enxergar a maçaneta, a vista totalmente nublada pelas lágrimas.
Penso em ligar
para Elina
porque não quero ir para a cobertura.
Não quero ficar sozinha.
Quando coloco a mão dentro da bolsa, no entanto, percebo que deixei o celular na sala dele. Por nada no mundo voltarei lá.
Tampouco vou pegar carona com Anderson.
Tomarei um táxi e depois peço a Elina que recupere meu aparelho.
Ao invés de pegar o elevador privativo, que me deixará em frente
à garagem em que Anderson está, vou para o de acesso público.
Entro, transtornada, mas antes que a porta se feche, Cage aparece.
— Cecily
, o que houve?
— Eu estou bem.
— Não, você não está. Vem aqui — chama, me puxando para um abraço.
Estou tonta, fraca e me deixo guiar
.
Ele me segura com firmeza.
— O que houve? — pergunta.
— Estava saindo?
— Sim, por quê?
— Me dá uma carona para a casa de Elina?
— Apenas se me contar o que aconteceu ou chamarei Dionysus.
Parece prestes a desmaiar.
— Nós brigamos. Isso é tudo. Agora, ajude-me por favor
, Cage.