Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

D. A. Lemoyne · Capítulo 50 de 71

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Destinada ao Grego: a babá e o viúvo proibido

Capítulo 47

— Mostre-me. Sou sua.

 

Capítulo 47

Semanas depois

Eu não tenho enjoos.

Não vomitei uma vez sequer. A única coisa que me faz ter certeza de que estou grávida, além do resultado do exame, são os seios extremamente doloridos.

Depois daquele jantar, algo mudou entre nós. Não sei se foi por ter confessado que o amava, mas agora, além da luxúria, eu sinto que ele tem um cuidado comigo que, adivinho,

não teria com

uma mulher que fosse apenas passageira em sua vida.

Ainda vivemos um relacionamento clandestino e sinto a impaciência

de Dionysus crescer como uma panela de pressão prestes a explodir

, mas não foi

por isso que vim ao seu escritório

no

banco hoje, e sim, porque estou disposta a dizer parte da verdade.

Contar que estou grávida.

Pela janela escurecida do carro, vejo o mesmo segurança que há alguns meses, me barrou na entrada, dizendo que eu nunca chegaria até Dionysus.

O que ele pensaria se soubesse que Anderson dirige nesse instante o carro em que estou, e que em alguns minutos, se tudo der certo, contarei ao grego inacessível

a quem ele me disse ser mais

difícil de falar do que o próprio Deus, que espero seu filho?

Sim, chegou a hora de começar a parar de mentir, de ocultar.

Não importa o quanto ele me odeie no futuro quando souber que entrei em sua vida por uma armação calculada,

ele tem o direito

de

saber que vai ser pai.

— Vou estacionar perto do elevador privativo, Cici.

Anderson, de todos os empregados, tem certeza de que eu e o chefe dele estamos juntos e no começo, tentou voltar a me

chamar de senhorita Bradley, o que não permiti.

Eu ainda me sinto

culpada pelo susto que lhe dei e o considero um amigo.

— Foi aquele no qual subi outra vez com Dionysus, né?

— Sim. Basta apertar o doze e vai dar direto na sala do doutor Kostanidis.

— Obrigada, Anderson.

— Está com o crachá?

— Estou, sim.

Retiro a identificação

especial que Dionysus fez para mim e

que dá acesso exclusivo

ao elevador que sai diretamente na sala

dele.

Ele desce do carro e abre a minha porta. Quando me levanta, franze a testa, como se estivesse preocupado.

— Está tudo bem, Cici?

Ao invés de responder, devolvo outra pergunta.

— Acredita em milagres, Anderson?

Ele faz que sim com a cabeça.

— Todos os dias quando nos levantamos, um pequeno milagre

acontece, Cici.

Somos apenas peões, dispostos no tabuleiro

da vida pelo grande jogador: Deus. Ele pode nos movimentar como bem entender e ainda que pensemos que somos imortais, que viveremos para sempre, isso não é verdade. Então, sim, eu acredito em milagres. Cada respirar a um novo nascer do sol é um milagre.

— O milagre

da vida. Sim, você está certo. Alguém me disse

uma vez que sou um gato, tenho sete vidas, mas eu já gastei duas.

Restam-me cinco. Não preciso mais de tantas. Eu quero continuar na atual. Não quero ir a lugar algum.

— Então lute para ficar

.

Por um instante, eu acho que ele sabe de tudo, ou ao menos, desconfia que sou uma farsa.

Não, seria impossível.

Meus traços foram bem apagados. As

pessoas que sabiam da minha proximidade

com a avó de Keith são

Jodelle e Peyton e nem mesmo elas tinham conhecimento do quanto meu amigo me protegia, já que ele aparecia eventualmente em nossa cidade.

Eu me despeço e entro no elevador. Menos de um minuto depois, a porta começa a se abrir e me preparo para enfrentar a

secretária mal-humorada de Dionysus.

Na primeira vez em que estive aqui, a mulher me olhou de cima a baixo como se eu fosse um inseto e eu estava bem vestida até.

Para minha surpresa, no entanto, quem aparece quando a porta se abre totalmente é Cage.

— Cecily

, você por aqui!

Ele parece mesmo espantado por me ver, mas se recupera rapidamente.

— Oi, quanto tempo.

— Não por minha vontade — diz, se aproximando e me dando um beijo na bochecha.

Estranho a intimidade

porque apesar de termos conversado

por mensagens de texto e telefonemas

algumas vezes e de ter sido

minha carona para o casamento de Madison, nunca nos tocamos além de um aperto de mãos.

— Eu vim ver Dionysus.

Se fica

surpreso por eu me referir ao nosso chefe pelo primeiro

nome, não demonstra. Talvez porque suponha que a razão

seja Joseph, já que, para todos, ainda sou apenas a babá noturna do garotinho.

— Deve ter sido o destino que fez com que nos encontrássemos. Tenho uma festa da empresa para comparecer em algumas semanas. Ia mesmo te ligar

. Quero que seja minha

acompanhante.

— Cage, eu…

— Espera, não responda ainda. Não ouviu minha proposta inteira. A festa será em uma sexta, então pensei em emendar um fim

de semana nos Hamptons, o que acha? Tenho amigos lá. Tenho certeza de que no Kansas não há lugares tão sofisticados.

E não se

preocupe por ser apenas uma babá. Eles não a julgarão.

Eu não sei o que me irrita mais: ele assumir que eu ficaria deslumbrada com o convite por, relembrando suas palavras “ter certeza de que no Kansas não há lugares tão sofisticados

”, ou o fato

de acreditar que me sentiria envergonhada por ser apenas uma babá.

Acredito que interpreta meu silêncio

de maneira equivocada,

achando que estou considerando aceitar a proposta, porque continua:

— Não estou te pressionando, mas preciso que saiba que não sou um monge, Cecily

. Tolerei seu recato até agora, porque

para ser sincero, acho charmoso esse jeito caipira, mas se aceitar

meu convite, dormiremos no mesmo quarto.

Eu não sei se são os hormônios da gravidez o que me fazem querer matá-lo, mas sinto vontade de voar em seu pescoço e lhe arrancar o sorriso pretensioso da cara.

Eu nem me importo que pela minha visão periférica, vejo

pessoas se aproximando, provavelmente a secretária com algum outro funcionário. Estou decidida a colocá-lo em seu devido lugar

.

Antes que eu possa dizer algo, porém, a porta se abre e Dionysus aparece.

— Entre — fala comigo sem olhar na direção de qualquer outra pessoa.

Eu, que já estava com raiva de Cage, sinto meu temperamento emergir.

— Boa tarde, doutor Kostanidis.

Sim, eu sei que não deveria provocá-lo. Por sua expressão, tenho certeza de que ouviu o que Cage disse, mas eu estou muito

chateada por me tratar como se fosse uma propriedade.

Ele se aproxima e eu estremeço, mas não de medo e sim porque não consigo controlar as reações loucas do meu corpo sempre que está por perto.

— Sabe que não precisa ficar envergonhada,

agapi mou[21].

Arregalo os olhos quando sua mão enorme vem para a minha nuca, porque sei o que ele vai fazer e também que as outras pessoas aqui conosco estão atentas à cena.

Eu tenho tempo de impedi-lo

quando me puxa para si e me

beija na boca na frente de todos, mas não o faço porque nunca conseguirei resistir a ele. Assim, quando nossos lábios se encostam, esqueço do mundo à nossa volta e correspondo com meu coração.

Quando amoleço em seus braços, entregue e apaixonada, depois de segundos que mais parecem horas, ele se afasta, mas sem me soltar.

— Dionysus… hum… doutor Kostanidis, eu não sabia que você e Cecily

, quero dizer, a senhorita Bradley… estavam juntos.

Eu talvez tivesse pena dele se não fosse tão idiota e ofensivo

ao me tratar como se devesse ficar

agradecida por ter feito o favor

de me convidar para uma festa e um fim de semana, mas estou apreciando vê-lo se contorcer de constrangimento, embora agora que o efeito

do beijo

passou, esteja com raiva de Dionysus também.

— Não anunciamos ainda, mas a partir de agora, está avisado. Não entre no meu caminho, Cage. Não terá uma segunda chance.