Boitempo: Esquecer para Lembrar

Carlos Drummond de Andrade · Capítulo 140 de 193

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Boitempo: Esquecer para Lembrar

A hora final

 

O funcionário smart da Delegacia do Tesouro Nacional,

o escrevente do cartório de protesto de títulos,

o moço bacharel violento mas generoso,

o poeta revisor do Minas Gerais,

o chefe político do Mutum aguardando há seis meses

(falhou na última eleição)

ser recebido no Palácio da Liberdade,

os velhos e novos frequentadores da noite,

lenta noite apitada de guardas-civis nas esquinas de sono,

as moças do cabaré com seus últimos bocejantes clientes

estão todos sentados

no restaurante Guarani da madrugada

comendo o mesmo indefectível,

arquitetônico, monumental

bife a cavalo de 1920.