Boitempo: Esquecer para Lembrar

Carlos Drummond de Andrade · Capítulo 77 de 193

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Boitempo: Esquecer para Lembrar

A condenada

 

Impossível casar a moça

bela branca rica

na terra onde príncipes não saltam

do armorial para pedir-lhe a mão

jamais.

 

Passam cometas de olhar astuto,

canastras sortidas.

Irão comprar a moça, mercadoria

sem preço na Terra?

Jamais.

 

Passam fazendeiros, botas esculpidas

no estrume, riso ruidoso

de dentes de ouro.

Cuidam levar a moça para saldar

suas hipotecas?

Jamais.

 

Passam mulatos de fina lábia

e mil apólices federais.

Como deixar que o sangue cruze

na alva barriga de alvas origens?

Jamais.

 

Condena-se a moça ao casamento

consigo mesma

na noite alvíssima

eternalmente.