Boitempo: Esquecer para Lembrar

Carlos Drummond de Andrade · Capítulo 97 de 193

Páginas do PDF

Boitempo: Esquecer para Lembrar

O doce

 

A boca aberta para o doce

já prelibando a gostosura,

e o doce cai no chão de areia, droga!

 

Olha em redor. Os outros viram.

Logo aquele doce cobiçado

a semana inteira, e pago do seu bolso!

Irá deixá-lo ali, só porque os outros

estão presentes, vigilantes?

 

A mão se inclina, pega o doce, limpa-o

de toda areia e mácula do chão.

“Se fosse em casa eu não pegava não,

mas aqui no colégio, que mal faz?”