Boitempo: Esquecer para Lembrar

Carlos Drummond de Andrade · Capítulo 60 de 193

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Boitempo: Esquecer para Lembrar

Poder do perfume

 

Popular, a água florida.

O seu nome-roseira

já é flor e trescala

só de o ouvirmos na sala.

 

A excelsa brilhantina

em potes de Paris

embalsama noivados

no sofá dos sobrados.

 

Jiqui, perfume nobre,

há de estar bem à vista

entre jarro e bacia

da rural burguesia.

 

As botas onde o estrume

deixa visível marca,

em chegando à cidade,

cedem à amenidade

 

que os moços fazendeiros

sabem criar em volta

de um sólido namoro

de perfumes em coro.

 

Qual mais recendente

a sândalo e jasmim,

ele e ela, abraçados

em cheiros conjugados,

 

sem se tocarem (nada

autoriza a licença do beijo corporal)

praticam sem detença

 

— ai! — o sexo aromal.