Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem

Obesidade

O propósito deste capítulo é revisar as principais medidas

modificáveis de estilo de vida e de consumo de forma a viabilizar o

aconselhamento direto ao paciente durante o atendimento clínico, com

base nas mais recentes evidências disponíveis. Sem dúvida alguma,

oferecer substrato científico para as modificações de estilo de vida fornece

precisão e qualidade ao aconselhamento médico, incrementando não só as

chances de êxito no caminho até a gestação, mas também auxiliando no

fortalecimento do vínculo médico-paciente, absolutamente essencial

durante as longas etapas diagnósticas e terapêuticas típicas de Reprodução

Humana.

 

Obesidade

 

Praticamente endêmica em nosso meio, a obesidade é certamente fator

importante no contexto da infertilidade masculina. Sabe-se que a obesidade

está associada a menores níveis séricos de testosterona e LH, além de

redução das contagens espermáticas e de volume seminal. O elo

fiosiopatológico com subfertilidade é provavelmente multifatorial, sendo os

principais elementos os seguintes:

a) Redução da pulsatilidade do hormônio liberador da gonadotrofina

humana (GnRH), uma vez que o gonadotrofo é altamente dependente

de um balanço calórico e nutricional adequado, perdendo eficiência

em cenários tanto de carência quanto de excesso energético;

b) Aromatização periférica aumentada, levando a um estado

hiperestrogênico por conversão periférica de andrógenos em

estrógenos no excessivo tecido adiposo (principalmente visceral), com

supressão do eixo hipotalâmico-hipofisário, com consequente estado

de hipogonadismo hipogonadotrófico secundário;

c) Excesso de panículo adiposo suprapúbico, promovendo distorção

anatômica da região genital com elevação constante da temperatura

testicular, maior resistência vascular ao retorno venoso, com piora da

condição local e impacto direto no equilíbrio da espermatogênese.

A cirurgia metabólica, seja ela disabsortiva, restritiva ou combinada,

levará, sem dúvida alguma, a inúmeros benefícios nos casos de obesidade

mórbida. No entanto, esse paradigma não se aplica ao potencial fértil:

paradoxalmente, notamos frequente piora no quadro seminal, potencialmente em todos os parâmetros do espermograma, inclusive com