Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem

Tabagismo

relatos de maior ocorrência de aneuploidias espermáticas. O provável

mecanismo fisiopatológico é a redução abrupta no peso corporal, com

disrupção da pulsatilidade no GnRH, além dos potenciais desbalanços

nutricionais advindos da disabsorção cirúrgica.

Já nos indivíduos que reduzem o peso por meio de medidas

conservadoras, como a reeducação alimentar e a instituição do exercício

físico aeróbico e resistido, a tendência reportada na literatura é a melhoria

seminal, com incremento das contagens espermáticas, do volume seminal e

dos níveis séricos de testosterona.

Aparentemente, sob o ponto de vista reprodutivo, a perda de peso pela

mudança de estilo de vida parece mais benéfica do que aquela obtida por

meio de cirurgia bariátrica. Não há estudos prospectivos e randomizados

que permitam qualificar o aconselhamento quando a essas medidas como

ferramenta terapêutica isolada efetiva. No entanto, as evidências apontam

para benefício nesse sentido, e mostram que o hipogonadismo relacionado

com a obesidade apresenta caráter potencialmente reversível,

principalmente quando não há indicação ou necessidade de cirurgia

metabólica.

 

Tabagismo

 

Diversos estudos recentes e antigos vêm mostrando associação entre

tabagismo e oligo, asteno e teratozoospermia. A agressão ao potencial fértil

masculino não é traduzida apenas na avaliação seminal, mas também pelos

marcadores espermáticos funcionais, como a elevação dos índices de

fragmentação de DNA, e aumento de atividade oxidativa. O mecanismo

envolvido no impacto negativo do tabagismo é, sem dúvida, o “estresse

oxidativo”, no qual a atividade pró-oxidativa suplanta a capacidade

antioxidante seminal nativa, com prejuízo à fluidez da membrana

lipoproteica do espermatozoide (particularmente sensível a essa lesão na

peça intermediária, que contém grande parte das mitocôndrias do gameta,

levando a depleção energética e disfunção de motilidade), além de

hipermetilação do DNA espermático, o que dificulta sua compactação

(transição histona-protaminas), gerando descontinuações do material

genético, traduzido com maior fragmentação de DNA.