Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem
Anejaculação
Apesar de ereções por si só não serem necessárias para a fertilidade ou
mesmo para a captação de espermatozoides nesses pacientes, recomenda-se
o tratamento sistemático da DE nessa população com o intuito de melhorar
a saúde sexual, bem como permitir a tentativa de concepção natural, o que
pode ocorrer em até 10% dos casos. Há duas áreas na medula espinal
responsáveis pela inervação autonômica do pênis, e, por conseguinte, têm
um papel no controle ereções. A integridade da medula como um todo é
fundamental para conduzir os estímulos erectogênicos oriundos do sistema
nervoso central até o centro sacral de ereção, o que constitui a chamada
ereção psicogênica, as quais dependem de uma medula espinal intacta
acima dos segmentos torácicos inferiores. Os segmentos sacrais S2-S4 são
responsáveis por ereções reflexas. Assim, as lesões da medula espinal
acima de T10, que representam a maioria dos pacientes com LMT,
habitualmente resultam em ausência de ereções psicogênicas e preservação
das ereções reflexas.
Os mesmos tratamentos utilizados para o tratamento da DE em homens
sem LMT estão indicados nesse grupo de pacientes. Uma vez que o fluxo
sanguíneo para os corpos cavernosos e arco reflexo S2-S4 estejam
geralmente conservados, tais homens respondem bem à administração oral
de inibidores da 5-fosfodiesterase. Aqueles que não têm boa resposta a essa
classe de medicamentos são candidatos ao tratamento com aplicações
intracavernosas ou intrauretrais de agentes vasodilatadores. Tratamentos
não farmacológicos como o uso de dispositivos a vácuo ou mesmo o
tratamento cirúrgico com próteses penianas devem ser considerados no
tratamento de DE em pacientes com LMT em casos selecionados.
Anejaculação
Como a maioria dos homens com LMT não são capazes de ejacular durante
a relação sexual, assistência médica geralmente é necessária em suas
tentativas de constituir família. Para a ocorrência de ejaculação, é
necessário que haja integração entre os segmentos T10-L3 e S2-S4 da
medula espinal e os estímulos supraespinhais, tanto estimuladores quanto
inibidores. Emissão de espermatozoides e fluido seminal na uretra, bem
como o fechamento do colo da bexiga, requerem inervação nervosa simpática a partir de segmentos de T10 a L3. Segmentos sacrais S2-S4 são