Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem

Epigenética

 

Nos últimos anos, muitos estudos têm buscado identificar alterações

genéticas que possam justificar a falha na espermatogênese. Até o presente

momento, porém, na prática clínica, a investigação nesse quesito fica

restrita a diagnósticos relacionados com alterações cromossômicas,

microdeleções do cromossomo Y e poliformismo em genes identificados

com a função mitocondrial. Muitas causas de azoospermia ainda são

inconclusivas e tidas como idiopáticas. Dessa forma, a epigenética vem

assumindo um importante papel na perspectiva de elucidar diagnósticos que

justifiquem a infertilidade masculina.

A epigenética é definida como o estudo de alterações genéticas herdáveis

que levam a modificações mitóticas ou meióticas não relacionadas com

alterações nas sequências de DNA. Ultimamente, a epigenética vem

ganhando notoriedade nos meios de comunicação por pregar a ideia de que

os agentes ambientais ou experiências podem influenciar a hereditariedade

humana. Os principais mecanismos epigenéticos de regulação da expressão

gênica são representados pela metilação do DNA, modificações de histonas

e pequenos RNAs não codificantes.

A interação entre o meio ambiente e o gene como determinante do

fenótipo humano é conhecida há alguns anos. Entretanto, recentes

descobertas no campo da epigenética evidenciam que agentes ambientais

são capazes de modificar a expressão genética, e essas modificações podem

ser transmitidas à prole. Isso significa que a interação gene-ambiente que

ocorre em um dos pais pode ser responsável por doenças raras, congênitas

ou até mesmo levar à susceptibilidade a doenças comuns que podem surgir

na vida do filho.

Segundo Carrel et al., a descoberta do papel desempenhado pelas

modificações epigenéticas na função do genoma paterno tem levado a uma

nova atenção à função do DNA espermático durante o desenvolvimento do

embrião. De fato, os espermatozoides têm sido historicamente vistos como

células especializadas com a função única de entregar os 23 cromossomos

paternos ao oócito, considerado o único gameta que desempenha um papel ativo no desenvolvimento do embrião, graças à disponibilidade de organelas