Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem
Técnicas de Captação de Espermatozoides
Azoospermia Obstrutiva
Captação pós-vasectomia – PESA (Percutaneous
Epididymal Sperm Aspiration)
É a aspiração percutânea dos espermatozoides nos epídidimos, puncionado
com uma agulha de fino calibre. Basicamente utilizada para homens
vasectomizados, mas realizada em alguns casos de obstrução após
processos infecciosos (Figura 7.3). Pode ser feita com anestesia local ou
com sedação. Recomendamos que seja realizada sob sedação e com
bloqueio anestésico do cordão espermático com Ropivacaína 0,2 a 0,75%
(8 mL em cada lado), mas inúmeros centros a realizam com anestesia local,
sem detrimentos aos resultados. As amostras excedentes após a punção
podem ser criopreservadas. Nos casos em que não foi possível captar
espermatozoides através do PESA, pode-se tentar a captação testicular no
mesmo ato cirúrgico. Utiliza-se apenas antibiótico-profilaxia e recomenda-
se o uso de gelo local por 24 horas e analgésico simples.
FIGURA 7.3 Ilustração de punção epididimária com scalp 21G – PESA.
Captação para os casos de agenesia deferencial – MESA
(Microsurgical Epididymal Sperm Aspiration)
É a aspiração dos espermatozoides do epídidimo guiada por microcirurgia,
sob visão direta. Muito utilizada para pacientes com agenesia deferencial
(Figura 7.4). Como não é feita às cegas, as chances de se encontrarem
espermatozoides são superiores ao PESA para os casos de agenesia
deferencial. Além disso, tem menor risco de dano ao trato reprodutivo
masculino. Este procedimento é muitas vezes realizado em ambiente
hospitalar ou em locais que dispõem do uso de microscopia para
magnificação das imagens. Recomendamos que seja realizado sob sedação
e com bloqueio anestésico do cordão espermático com Ropivacaína 0,2 a
0,75% (8 mL em cada lado).
FIGURA 7.4 Ilustração de túnica epididimária aberta e abertura de túbulos com aspiração do conteúdo seminal – MESA. Azoospermia Não Obstrutiva
Testicular Sperm Aspiration – TESA
É a aspiração percutânea dos espermatozoides do testículo, puncionado com
uma agulha de grosso calibre. Como é feita às cegas, as chances de se
encontrarem espermatozoides são inferiores à da dissecação dos testículos
com auxílio de microcirurgia (Figura 7.5).
FIGURA 7.5 Ilustração de punção testicular com agulha para captação de espermatozoides – TESA.
Testicular Sperm Extraction (TESE) ou biópsia testicular
A realização de múltiplas biópsias testiculares tem uma alta porcentagem de
recuperação de espermatozoides, embora demande inúmeras tentativas, o
que aumenta os riscos de eventuais complicações. Permite também, como
vantagem, analisar o tecido testicular, como forma de auxílio prognóstico
para a produção ou não de espermatozoides (Figura 7.1). Microdissection Testicular Sperm Extraction -
MicroTESE
Trata-se do procedimento mais realizado no mundo para azoospermia não
obstrutiva. Com o uso de microscopia e magnificação da imagem, a biópsia
testicular é dirigida para uma região com suspeita maior de presença de
espermatozoides, com a possibilidade de captação de menor amostra de
tecido testicular e menor taxa de complicações (Figura 7.6).
Recomendamos a busca por túmulos seminíferos dilatados, nos quais retira-
se uma amostra tecidual e analisa-se a presença de espermatozoides, após a
lise dos túbulos, em sala cirúrgica. Demanda a presença de andrologista em
sala cirúrgica durante todo o procedimento.
FIGURA 7.6 Análise focada de regiões com túbulos dilatados, nos quais detecta-se a presença de espermatozoides – há necessidade de lise tubular, e neste processo pode-se encontrar células germinativas mais jovens, em diferentes graus de diferenciação.