Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem
Fragmentação do DNA Espermático
A análise da fragmentação do DNA do esperma é um teste amplo para
determinar o dano específico sobre a estrutura e a integridade da sequência
de DNA no esperma.
Técnicas
Diferentes técnicas avaliam aspectos e características de danos no DNA
espermático, sendo esses ensaios divididos ou categorizados sob diferentes
perspectivas, relacionadas com a base molecular do teste, o tipo de dano, o
parâmetro ou o indicador de medida, além das técnicas de biologia
molecular empregadas.
Os testes disponíveis incluem a avaliação direta de danos no DNA
espermático por meio de testes como TUNEL, COMETA e ISNT; ou
avaliação indireta, por FISH, SCD, SCSA e SDFA.
Testes como COMETA, ISNT e TUNEL detectam rupturas dos
filamentos de DNA circulante, enquanto os testes por SCSA e SCD medem
principalmente a integridade da cromatina e a susceptibilidade de
desnaturação do DNA. Estes últimos avaliam as extremidades das rupturas,
que podem ser de cadeia simples ou de cadeia dupla, originadas pela
desnaturação do DNA. Os principais são:
• TUNEL está baseado na quantificação dos intervalos de quebra da
cadeia de DNA que pode dar origem a fragmentos de cadeia dupla ou de
cadeia simples (nicks). Ambos os tipos de quebra podem ser detectados
pela marcação das zonas hidroxilo-terminais 3’ recorrendo a
nucleotídeos modificados, numa reação enzimática. A enzima
responsável por esse passo é a deoxynucleotidyl transferase (TdT), que
catalisa a polimerização de desoxirribonucleotídeos nas zonas 3’ em
cadeias simples ou duplas. Os espermatozoides são fixados e
permeabilizados, e subsequentemente incubados em uma mistura
contendo a enzima TdT e TMR-dUTP. Após a marcação, com a
montagem em meio com contraste nuclear (DAPI), é possível a
observação ao microscópio de fluorescência
• COMET é utilizado para detectar a quebra de DNA de cadeia simples ou
dupla dos espermatozoides, conforme a migração por uma corrente
elétrica. Nesta técnica, os espermatozoides são mergulhados em um gel
de agarose e em seguida corridos por eletroforese em uma câmara
durante um curto período de tempo em condições alcalinas (pH = 13) ou
neutras (pH = 8,4). Além disso, as análises podem ser realizadas por
meio das imagens obtidas por microscopia de fluorescência utilizando
um software, sempre quando os espermatozoides forem corados com
Brometo de etídio ou SYBR green, por exemplo. A distância em que os
fragmentos de DNA danificado migram para a cauda do cometa
depende do tamanho e das informações a respeito da cauda, que podem
ser obtidas. Em resumo, os espermatozoides com maior dano no DNA
apresentam uma migração aumentada.
• SCD (teste de dispersão da cromatina espermática) permite estabelecer a
proporção de espermatozoides com DNA fragmentado no total de uma
amostra analisada. Considerada a técnica mais simples e conveniente,
devido ao custo/benefício, envolve o uso de microscópio de
fluorescência ou microscopia de campo claro, para estimar a quantidade
de dano ao DNA, avaliando a formação de um halo sob determinadas
condições de desnaturação e após remoção das proteínas nucleares com
o uso de uma solução de lise. Dessa forma, o ensaio é baseado no
princípio segundo o qual o espermatozoide que apresenta maior
quantidade de fragmentos de DNA não consegue produzir o halo
característico após a desnaturação e a remoção das proteínas nucleares.
As amostras são avaliadas (um mínimo de 500 espermatozoides) no
âmbito de uma objetiva de 100x do microscópio, com base na produção
ou não de tal halo.
• SCSA (análise da estrutura da cromatina do espermatozoide) utilizando
as propriedades metacromáticas da laranja de acridina, esta técnica
mede a susceptibilidade do DNA do espermatozoide e a desnaturação in
situ, quantificando essa mudança metracromática de verde
(espermatozoides com DNA normal) para vermelho (espermatozoides
com DNA desnaturado) após o tratamento com ácido ou calor e o uso
da citometria de fluxo. Dessa forma, o SCSA estima a porcentagem de
dano na cromatina do esperma.
Indicações
As evidências sugerem que os danos do DNA do espermatozoide estão
associados a pacientes que apresentam redução nas taxas de fertilidade.
Além disso, o aumento dos níveis de danos no DNA tem sido associado a
um maior risco de perda gestacional após ciclos de fertilização in vitro
(FIV) e injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), além de
haver evidências que sugerem uma alta relação com repetidas falhas de
implantação (RIF) em tratamentos de FIV. Também são afetados pacientes
com fator masculino severo (oligospermia severa, varicocele, entre outros),
por apresentarem um grande aumento do estresse oxidativo que acaba
causando alterações no fluxo correto da espermatogênese e,
consequentemente, alterações cromossômicas embrionárias. Pacientes que
fazem uso de agentes tóxicos, como tabaco e pesticidas, assim como
pacientes obesos, também podem estar prejudicados.
Conduta
Inúmeras estratégias estão sendo adotadas para diminuir as taxas de dano ao
DNA.
Recomendamos:
• Quando há presença de varicocele clínica, a cirurgia é a opção de escolha
no tratamento que apresenta melhor resultado e pode vir a possibilitar
uma gestação natural.
• A utilização de antioxidantes orais e antibióticos também deve ser
considerada. Contudo, após o tratamento e a melhora nas taxas, o mais
indicado é a utilização do ICSI, devido ao favorecimento para as taxas
de gestação, e a discussão de eventual diagnóstico genético pré-
implantacional (PGS), com a análise de aneuploidias para os 24
cromossomos.
• Também é importante o cessar do tabagismo, a perda de peso superior a
20% do atual, a retomada de atividades físicas e a melhora na qualidade
de alimentos ingeridos, priorizando alimentos frescos e com menor teor
de açúcar e gorduras nocivas.