Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem

5: Genética e Infertilidade Masculina: Manejo Prático

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Genética e Infertilidade Masculina:

 

Manejo Prático

 

Conrado Alvarenga

 

David Schlensinger

 

Flavia Pinheiro Zanotto

 

Introdução

 

A infertilidade masculina afeta por volta de 7% dos homens, sendo

considerada uma desordem de origem heterogênea, que pode ser causada

por fatores genéticos, ambientais ou ambos. São mais de 2.000 genes

envolvidos na espermatogênese, mas menos de 0,01% desses genes foram

avaliados. Além disso, pelo menos 15% dos casos de infertilidade

masculina são de origem genética.

As alterações genéticas contribuem para a infertilidade por influenciarem

uma grande variedade de processos fisiológicos, incluindo a homeostase

hormonal, espermatogênese e a qualidade seminal. Dessa forma, o melhor

entendimento das bases genéticas da falência reprodutiva é essencial para o

correto manejo dos casais inférteis. Considerado um dos transtornos mais

desconcertantes da medicina reprodutiva, a infertilidade masculina vem

aumentando nas últimas décadas.

A infertilidade genética mais comum em homens inclui:

• Alterações cromossômicas em geral.

• Microdeleções no cromossomo Y (MDCY), neste caso poligênicas.

• Mutações em um único gene ou pontuais, como aquela causada por

fibrose cística.

• Desordens endócrinas de origem genética.

• Desordens epigenéticas.

Com o advento da reprodução assistida (RA) e do avanço na área de

infertilidade por meio da técnica da injeção intracitoplasmática de

espermatozoides (ICSI), houve maior possibilidade de transmissão dos

caracteres relacionados com infertilidade para os embriões gerados por

reprodução assistida. De fato, houve um aumento da prevalência de

aneuploidias em cromossomos sexuais (0,2% a 0,6%) e de anormalidades

cromossômicas autossômicas (0,07% a 0,4%) nos embriões oriundos de

reprodução assistida.

A seguir, serão descritas as alterações genéticas mais comuns que levam

à infertilidade masculina. A Tabela 5.1 compara e resume as anomalias

genéticas mais comuns discutidas aqui.